Cunha e governo negociam acordo por salvação de ambos | Fábio Campana

Cunha e governo negociam acordo por salvação de ambos

cunha

De O Globo

Em conversa na última segunda-feira à noite, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, que o governo interfira nas investigações contra ele, sua mulher e sua filha na Operação Lava-Jato; que substitua o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pelo vice-presidente Michel Temer; e que atrapalhe o andamento de processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara. Essas foram as condições colocadas por Cunha – acuado por investigação do Ministério Público suíço sobre contas em seu nome – para não iniciar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, segundo relato de Wagner a aliados. O ministro da Casa Civil e Cunha negam haver essa negociação.

O governo alega não ter como entregar o que Cunha pede, principalmente o controle das investigações do esquema de corrupção na Petrobras. Dilma também resiste em trocar Cardozo, o que já foi pedido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acusa o ministro de ter perdido o controle da Polícia Federal. Porém, segundo deputados que estiveram terça-feira em reuniões no Palácio do Planalto, há a expectativa de que Wagner dê uma resposta a Cunha sobre suas demandas nos próximos dias. O apoio no Conselho de Ética é a parte mais fácil de ser atendida.

Cunha estaria especialmente preocupado em blindar sua mulher e sua filha. Documentos enviados pela Suíça, em poder da Procuradoria-Geral da República, revelaram que as contas do presidente da Câmara no exterior foram abastecidas com dinheiro desviado da Petrobras e financiaram gastos pessoais de sua família.

Nas conversas que teve com ministros de Dilma, Cunha pediu o arquivamento da denúncia que responde por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava-Jato ou, ao menos, que o governo tente paralisar o andamento do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

– Vocês me colocaram nisso, agora me tirem – disse Cunha a interlocutores de Dilma, que relataram parte de uma conversa ao GLOBO.

O pedido, no entanto, é visto no governo como algo “praticamente impossível” de atender.

– Se fosse assim tão simples, um canetaço do governo como ele faz parecer, por que petistas estariam também sendo denunciados? – disse um auxiliar presidencial.

A conversa entre Cunha e Wagner, na última segunda-feira, aconteceu na Base Aérea de Brasília. Originalmente estava marcada para a residência oficial da Câmara, mas o peemedebista telefonou para o ministro avisando que havia jornalistas em sua porta. Na semana anterior, Cunha se reuniu com o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, e com Giles Azevedo, assessor especial de Dilma. Nesta quarta-feira, Cunha reafirmou estar aberto ao diálogo com qualquer agente político – do governo e da oposição – e disse que não se sente pressionado no cargo.

– Não tem trégua porque não tem guerra. Não precisa ter trégua nem guerra. Tenho que cumprir minha função que é dar curso (às votações). Não fiz nada diferente do que disse que não iria fazer. Sempre disse que impeachment não é recurso eleitoral, que fato anterior não contamina mandato presente – disse Cunha nesta quarta-feira.

Neste momento, o governo e Cunha querem tempo. O Planalto, para tentar reconstruir sua base aliada e garantir os votos necessários, se o processo de impeachment for aberto. E o presidente da Câmara porque, a partir do momento em que tomar uma decisão sobre esse assunto, deverá ser abandonado pela oposição. Em última instância, o governo aposta na abertura de um debate jurídico, a partir das liminares concedidas pelo STF anteontem, para obstruir o andamento do processo de impeachment.

Aliados de Cunha relataram que ele ficou extremamente irritado com as notícias de que as negociações com o Palácio do Planalto estavam sendo vazadas. Em conversas, chegou a sinalizar que isso pode resultar na interrupção do diálogo com o governo. A interlocutores, Cunha disse que não havia termos concretos de negociação em jogo e que atendia os ministros governistas apenas de forma “institucional”. Desde que as evidências sobre contas secretas na Suíça para recebimento de propina se avolumaram, Cunha decidiu abrir o canal de comunicação com o governo.

Para manter viva a negociação com Cunha, o governo acena com ajuda no Conselho de Ética, onde começará a tramitar pedido de cassação do mandato do presidente da Câmara, feito pela Rede e pelo PSOL. Os ministros também prometem ajudar a esvaziar eventual pedido de cassação de mandato no plenário, se ele for aprovado no Conselho de Ética. Aliados de Cunha, no entanto, acham a oferta pouco atraente, pois o Planalto não tem o controle da base aliada, nem mesmo dos deputados do PT.

– O governo não tem voto nem para abrir sessão do Congresso – disse um petista, em referência à dificuldade do governo em manter os vetos à chamada pauta-bomba, como o reajuste para os servidores do Judiciário.

Aliados de Cunha na Câmara afirmam que, para o processo contra ele prosperar no Conselho de Ética, serão necessárias provas documentais. Apostam ainda no poder de pressão de Cunha sobre os deputados, mesmo com a votação sendo aberta. Um peemedebista próximo a Cunha afirmou que, ao estabelecer uma ponte e aceitar negociar com o Planalto, sua estratégia é ver as cartas do governo, para evitar surpresas.

– Eduardo Cunha não está disposto a recuar, sentando em cima de um processo de impeachment. Quando perceber que sua vida ficou mais difícil e que não terá saída, instala imediatamente o pedido de afastamento – disse um peemedebista próximo a ele.

Ao GLOBO, Cunha negou “veementemente” que tenha feito qualquer demanda ao governo em troca do arquivamento do pedido de impeachment contra a presidente. Wagner também negou que esteja fazendo qualquer acordo com Cunha. Segundo a assessoria de Wagner, o ministro tem mantido conversas com ele, mas sempre em torno das pautas do governo na Casa e no intuito de manter uma ponte com o presidente da Câmara. Ainda ontem, Wagner teve um encontro com Temer sobre as votações de interesse do governo.


14 comentários

  1. Simões
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 11:39 hs

    O que nós pobres mortais temos a dizer sobre isso?

    Que pouca vergonha se transformou o meu país.

    Estou começando a achar que só existe uma solução para nós, os milicos voltarem e colocarem ordem na casa, porque do jeito que a coisa está se encaminhando, não sei não.

  2. RR
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 11:43 hs

    ISSO ESTAVA MAIS QUE CERTO,congresso nacional,stf…VERGONHA NACIONAL,SÓ AS FORÇAS ARMADAS PODEM SALVAR O BRASIL,NOVAMENTE.

  3. Sergio Silvestre
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 11:48 hs

    Tem sim é que meter esse ladrão na cadeia esse sabotador do Pais,não tem nada que salvar a pele desse infeliz.
    Se acontecer isso eu paro até de me esgoelar para essa praga chamada politica.

  4. iri
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 11:59 hs

    Esse é o típico acordo de bandido para bandido, deveriam sim ser afastados tanto um quanto outro, se no Brasil houvesse gente descente no comando essa palhaçada já estaria encerrada, e ainda vem um verme dando palpite como se ainda fosse presidente, os sujos falando dos maus lavados.

  5. Helio Nunes
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 12:01 hs

    Isso é coisa de facção, bandidos governando com acordos malditos, onde a sociedade está refém. Os senhores não representam o Povo, se auto representam com seus interesses escuso, o que os senhores querem uma guerra civil ? Pois cada passo dos senhores, levam a Nação ao descrédito e ao sentimento de incapacidade, gerado pelos poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo.

  6. Paolo
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 12:26 hs

    Espera aí: já acertaram tudo com o STF e com a PGR? Ai eu pergunto: que país é este?

  7. Jair Pedro
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 12:27 hs

    Executivo corrupto, judiciário corrupto, legislativo corrupto.
    Afinal, Brasil!

  8. COMANDO
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 13:04 hs

    Dilma, Levy, Cunha, Lula e outros, fora nós brasileiros não queremos gente desta categoria…

  9. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 13:06 hs

    É muito simples: o governo está vendendo uma mercadoria que ele não tem para entregar. É mais um embuste do lulopetismo.

  10. SOLANGE LOPES
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 14:52 hs

    Ao ler a matéria acima, dá vontade de vomitar.

  11. quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 15:57 hs

    Não tem que ter acordo com ninguém, tem é que respeitar o povo brasileiro, que trabalha para pagar impostos e sustentar estra corja.Não Importa que partido seja, se for corrupto, tem que ser processado, devolver o que roubou e ser excluído da vida pública. FORA A TODOS OS CORRUPTOS, NÃO IMPORTA O PARTIDO.Não nos faça sentir mais vergonha por sermos brasileiros.

  12. VISIONÁRIO
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 15:57 hs

    O meu querido Brasil já virou um país pior do que Cuba, Venezuela e a
    Bolívia. Aqui vergonhosamente a presidente e os poderes dos Congressos
    combinam para ludibriar o povão e tudo vai ficando como está. Teremos
    alguns anos tenebrosos pela frente…

  13. sargento tainha
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 16:53 hs

    Esses sao os prevaricadores! Biblicamente falando segundo,.. meu guru Israelita KNOV o russo.
    Eles os polktikos brasileiros, se encontram e se amassam no escurinho da PROSKTITUICAO como a da KGB dizia que eles fariam, entendeu? Sao Matadores dos escravos! Adoradores do vil metal , mas se dizem Squerda! Ni K Froid explica- Sao uns Prostitutos! Amantes do ventre, diz KNOV. sabio,… KNOV. Mora na Serra do Mar, numa caverna, ha 5 km do Morro do Anhangava, mora sozinho com seu cao Chulyp de raça indefinida. Muito sabio! DEvia escrever em seu blog.. Fabio. Cria até trutas na serrinha… sabio KNOV..

  14. Dosel Jr.
    quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – 16:54 hs

    Olha o Sergio Silvestre aí gente! Não é que ele está em liberdade?

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*