A cruz do PT | Fábio Campana

A cruz do PT

Editorial, Estadão

O ex-ministro Gilberto Carvalho encontrou uma maneira, digamos, teológica para explicar por que o PT, um partido que se dizia diferente dos outros por ser ético e honesto, sucumbiu à mais grossa corrupção desde que chegou ao poder, numa escala inédita na história brasileira. Na exegese de Carvalho, talvez inspirado pelos sermões que ouviu quando foi seminarista, o PT pecou, embora com a melhor das intenções, e agora tem de “sofrer” para que a política nacional se redima.

“Temos a nossa cota de responsabilidade”, disse Carvalho, um dos principais ideólogos do PT, em entrevista à TV Brasil, reconhecendo que, por ter se envolvido em escândalos, o partido enfrenta a crescente hostilidade da opinião pública. “É duro ser apontado na rua, chamado de bandido, ter companheiros presos”, lamentou o ex-ministro de Lula.

No entanto, segundo o raciocínio de Carvalho, o sofrimento do PT terá valido a pena se as ações da polícia e da Justiça contra os corruptos desmontarem “um processo oligopólico que sempre existiu no Brasil” e reduzirem a corrupção que tomou a estrutura do Estado. Carvalho julga, assim, que o PT tem uma cruz a carregar, em nome da redenção nacional: “Se o preço que nós estivermos pagando for o preço necessário para se extirpar a corrupção no País, não tem problema. Nós vamos pagar esse preço”.

Carvalho explica o calvário petista como uma consequência da boa alma do partido. Segundo ele, o PT queria deflagrar um “processo virtuoso”, nome que ele deu à implementação da desastrosa política estatista que tinha a pretensão de acabar com a pobreza do País por decreto. Mas para Lula chegar “lá”, como dizia o jingle da campanha presidencial de 1989, foi preciso seguir “o exemplo da prática política dos partidos tradicionais que mais condenávamos”, afirmou Carvalho. “Não fosse a contratação do (marqueteiro) Duda Mendonça em 2002 a peso de ouro, provavelmente não teríamos ganhado as eleições e não teríamos feito tudo isso o que nós fizemos”, disse o ex-ministro em sua “autocrítica”. Mas não há arrependimento: “Postos os fatos na balança, acho que nós fizemos o caminho necessário para chegar ao governo, dentro de uma regra do jogo que estava estabelecida”.

Essa “regra do jogo”, explicou Carvalho, é aquela segundo a qual não se faz campanha eleitoral sem o dinheiro de empreiteiras e outros grandes grupos empresariais. O PT, então, teria despido as vestes de partido casto porque somente assim seria possível chegar ao poder e, então, realizar a missão salvadora para a qual se julgava (e ainda se julga) destinado. “Se você não mudar essa regra do jogo, nunca haverá partidos virtuosos”, disse o ex-ministro, considerando que não é possível fazer política sem sujar as mãos.

É claro que o PT, embora tenha aderido à corrupção, só o fez porque precisava mudar o País, segundo a lógica de Carvalho. Mas, uma vez no poder, disse o ex-ministro, o PT cometeu um “grande erro” ao não aproveitar a “correlação de forças favorável” para encaminhar uma reforma política “com muito vigor”, depois de “ter sofrido das dores do mensalão” e de perceber “que esse câncer da corrupção começava a se espalhar dentro do partido”. E Carvalho explica por que o PT não fez isso: “Talvez porque nós estávamos tão envolvidos em todo o processo de fazer a mudança do País, envolvidos na questão toda da obra de governo, que não nos demos conta”. Simples assim.

Mas a “autocrítica” dos petistas, como de hábito, é apenas um truque retórico para atacar os inimigos de sempre. Carvalho argumenta que as denúncias de corrupção contra o PT nada mais são do que o “mote que a elite usou, com todo o exército da mídia”, para impedir as reformas que o partido desejava promover. “O nosso erro foi dar a eles esse mote”, disse Carvalho. “Esse pessoal todo que nos acusa não tem moral, porque o nosso grande erro foi o de imitá-los.” Ou seja, para o PT, o problema não é ter se corrompido, mas sim ter dado oportunidade para que a “elite” o atacasse. É Barrabás querendo se passar por Cristo.


5 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 5 de outubro de 2015 – 10:46 hs

    A autocrítica piegas do ex-padreco de passeata. Vomitório certo.

  2. Haroldo
    segunda-feira, 5 de outubro de 2015 – 11:21 hs

    Qual a responsabilidade desse sujeito, conhecido como “coroinha de missa negra” no processo por ele chamado de “adesão à corrupção”?
    Sempre esteve no centro do poder, participou de tudo no PT, e agora, providencialmente esquecido das coisas, com cara de paisagem, também quer colocar a culpa na “zelites”?
    Cara de pau. Troféu óleo de peroba nele.

  3. Freddy Kruger
    segunda-feira, 5 de outubro de 2015 – 12:04 hs

    O camarada quer apenas “dourar a pílula”, independente do mal que ela faz. Turma de sem vergonhas mesmo. Corruptos e safados.

  4. Do Interior...
    segunda-feira, 5 de outubro de 2015 – 14:36 hs

    Pois, se errou roubando, que o partido pague o roubo. Não cobrar dos brasileiros através de CPMF, aumento da conta de luz e do combustível os desvios e roubos do PT.

    Fora PT
    Fora ratazanas bolivarianos vermelhos

  5. JOHAN
    segunda-feira, 5 de outubro de 2015 – 17:27 hs

    Caro FÁBIO, é muita audácia desse elemento ridículo, pensando que os brasileiros são iludidos. A fase da ilusão passou, a sociedade já está pagando pelos descontroles de um desgoverno desprovido que qualquer significado e repleto de bandidos. Os ÚNICOS que ainda aguardam uma manifestação favorável de sucesso das medidas adotadas para recuperar a economia são os membros da ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA PETISTA, seus cooptados do PMDB Velho de Guerra, do PP, do PSD, do PC do B, do PDT, que estarão pedindo votos em 2.016. Essa escumalha deve ser DERROTADA. Atenciosamente. .

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