'Saúde caminha para um colapso', diz ministro | Fábio Campana

‘Saúde caminha para um colapso’, diz ministro

chioro - saúde

Com sua saída do governo dada como certa para ceder espaço a um nome do PMDB, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, considera que o atendimento público de saúde pode entrar em colapso no próximo ano, por falta de dinheiro. “Estando eu à frente do Ministério da Saúde, ou qualquer outro gestor público, com mais ou menos experiência, com mais ou menos compromisso, o que se aponta é uma situação inadministrável.” As informações são do Estadão.

Para Chioro, aprovado o Projeto da Lei Orçamentária da forma como foi enviado ao Congresso, os recursos para pagar despesas hospitalares, ambulância e atendimentos médicos chegariam ao fim em setembro de 2016, deixando três meses descobertos.

Como foi receber a notícia de que seu cargo é negociado para tentar assegurar maior apoio ao governo no Congresso?
O cargo de ministro é delegação que pertence à presidente Dilma Rousseff. Vou continuar como ministro até o último segundo, exercendo da melhor forma possível minhas funções. Este último segundo pode ser na semana que vem, no fim do ano ou no fim de 2018. Quem tem experiência de gestão pública sabe que o cargo não depende dele. Sem chavão, enquanto puder ajudar o País, vou exercer plenamente o cargo de ministro.

Atuais políticas públicas podem ser prejudicadas se o sr. for sucedido por um peemedebista?
Essa pergunta tem de ser feita a quem conduz o processo de reforma política que está sendo feita. Quando fui convidado a assumir o Ministério da Saúde, talvez questionassem também se eu teria condições de assumir a tarefa. Nesse tempo todo que fiquei no ministério, me esforcei para isso. Procurei construir uma equipe competente, compromissada, estabelecer uma relação de confiança e transparência com todos os atores do Sistema Único de Saúde. Estou muito tranquilo em relação a isso.

Quando o senhor vai conversar com a presidente?
Quando ela me chamar para conversar.

Numa reunião com secretários estaduais e municipais, o senhor fez um discurso preocupado sobre os recursos para a área de saúde no próximo ano. Por quê?
Não temos neste momento, da maneira como o Projeto de Lei Orçamentária foi encaminhado para o Congresso, recursos suficientes para financiar ações de média e alta complexidade. A verba termina em outubro. Essa é uma situação que nunca foi vivida pelo Sistema Único de Saúde nos seus 25 anos. Ela aponta para um verdadeiro colapso na área.

O que pode ocorrer?
Um colapso no sistema. UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), Samus, hospitais, prontos-socorros, transplantes, serviços de hemodiálise, serviços de análises clínicas não terão recursos para funcionar. As Santas Casas, as prefeituras e os governos estaduais não terão condições de colocar em funcionamento a operação de serviços sem três meses de repasses.

Qual a origem do problema?
Esse é um problema de subfinanciamento estrutural, um problema que venho destacando desde o primeiro momento em que assumi o comando da pasta. Fiz diversas manifestações sobre a necessidade de se discutir o tema. O sistema de saúde ainda vive um processo de expansão de oferta, com impacto significativo no custeio, com incorporação de novas tecnologias, mudança do perfil epidemiológico, por exemplo. Tudo isso exige mais do sistema de saúde. Além do financiamento de médio e longo prazo, há um desafio imediato. O orçamento de 2016 mostra a necessidade de se lastrear R$ 9 bilhões para média e alta complexidade, equivalente a 10% do orçamento reservado para a pasta.

Quais seriam as alternativas?
Apresentamos ao Ministério do Planejamento a possibilidade de reestruturação do uso de recursos do DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres). Também me reuni com o relator geral do orçamento, Ricardo Barros (PP-PR), mostrando que ele também pode produzir mudanças na destinação de recursos de custeio. Considero pouco provável que a solução de destinar integralmente as emendas impositivas para média e alta complexidade possam equacionar o problema. Será necessária uma ampla discussão na área econômica e com parlamentares no momento que iniciam o processo de discussão da lei orçamentária para encontrar uma solução. Não é possível que fiquemos sem repasse três meses em 2016. É inadministrável uma situação como essa no sistema de saúde do País.

O senhor não foi ouvido por colegas de governo?
Há, em parte da opinião pública e dirigentes de várias esferas de governo, uma percepção de que o problema da saúde é de gestão e que melhorando a qualidade da gestão é possível resolver a questão do financiamento. Defendo, sem dúvida, aprimorarmos a forma como cada centavo na área de saúde é gasto. Mas o subfinanciamento é inquestionável. É impossível, só melhorando a gestão, dar conta de garantir as ações que são necessárias para garantir saúde à população. Isso precisa ser debatido por todos. Congresso, sociedade e o governo têm de fazer a discussão sobre qual sistema de saúde o País deve ter. Mas do que nunca isso precisa ser colocado. Um dos méritos do meu esforço, às vezes quase solitário, foi de ter colocado na pauta de discussão nacional a necessidade de um sistema de financiamento.

E o resultado?
Esse esforço não se reflete no Projeto de Lei Orçamentária. Estando eu à frente do Ministério da Saúde, ou qualquer outro gestor público, com mais ou menos experiência, com mais ou menos compromisso, se aponta uma situação inadministrável. Eu me sinto na responsabilidade de alertar. Fiz isso no Conselho Nacional de Saúde, na Comissão Intergestores Bipartite. Não posso ser omisso. Os problemas vão aparecer a partir de outubro do ano que vem.

Vai ser possível ter o Mais Especialidades, que foi uma promessa de campanha?
Nessas circunstâncias, não. Nenhum serviço ambulatorial especializado vai funcionar no País por três meses. Nesse cenário orçamentário, não há espaço para Mais Especialidades.


12 comentários

  1. COMANDO
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 13:16 hs

    Por isso e mais isso que sou contra reeleição só dá … .

  2. Francisco Foltrani Freire
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 14:11 hs

    Enquanto os dirigentes Lula, Dilma, Sarney & Cia. quando necessitam de assistência médica CORREM para o “SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE” em São Paulo, HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS. Embora tenha o mesmo tratamento no SUS os ex e atuais governantes preferem o Sírio Libanês por ser um HOSPITAL TOP no Brasil. A diferença é pequena, pois quem o frequenta tem RECURSOS, especialmente do ERÁRIO PÚBLICO, enquanto a patuleia aguarda meses e meses por uma consulta no INSS. Essa é a diferença de CRASSES (COM r MESMO) que o filósofo Lula tanto propaga, Nós, Lula , Dilma e Caterva (os atendidos pelo Hospital Sírio Libanês) e eles ( a ZELITE (com Z) a outra CRASSE, que são BENEFICIADOS pelo SUS. Devido a isso, que, jamais poderemos pedir o impeachment da Presidente e que os Petistas, Pepistas, Peemedebistas e políticos de outras outras siglas de menor importância sejam investigados e indiciados como autores de MALFEITOS, beneficiados por PIXULECOS Pobrezinhos todos inocentes.A hora que terminar a LAVA JATO vai faltar cela nos Presídios existentes.

  3. M.E.J.
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 14:46 hs

    Então, estamos DOBRANDO a META?

    De “MODELO” como disse o LULA ( o SUS é ótimo), para o COLÁPSO.

    Em pouco mais de 8 anos.

  4. ZORRO&TONTO
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 15:21 hs

    Uma parte da solução é fiscalizar duramente o excesso de velocidade e embriaguez no trânsito, que causa grande despesa com acidentes. É sabido que esses traumas (lesões por acidente), geram altas despesas com cirurgia, internamento, uti, recuperação, inss, etc.
    E também o contrabando de cigarros, medicamentos, e tudo o mais que afeta a saúde humana.
    É uma parte da solução o rigor nessa fiscalização. Sem deixar de fora os chefões…

  5. OLHO VIVO.
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 15:25 hs

    COLAPSO QUE,SEM DUVIDA NENHUMA FOI GERADO POR ESSA QUADRILHA PTRALHA E SEUS OTARIOS.

  6. Strapasson
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 16:03 hs

    Então, é simples assim: 13 anos no poder, sabem fazer tudo, conhecem tudo e agora….”Saúde caminha para um colapso”!

    É muita falta de vergonha na cara!

    Culpa da “crise externa”, decerto!

    AFF!

  7. segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 16:06 hs

    ele está mais feliz que pinto no lixo de ter que entregar o “cargo” !

  8. ferreira
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 16:25 hs

    Quando se tem incomPTentes para gerir políticas públicas, sem projetos sustentáveis com receitas e orçamentos definidos e um sistema de controle deficiente tipo “não dá nada”, só poderemos ter os resultados desastrosos que esse governo de canalhas e ladrões alcançaram.

  9. antonio carlos
    segunda-feira, 28 de setembro de 2015 – 20:24 hs

    Mas que ousadia e cara de pau deste ministro, ele está demolindo todo o discurso que o pestismo construiu a respeito da Saúde Pública de Pindorama, O Brahma da Silva chegou ao ponto de afirmar que o nosso Sistema Único de Saúde é o melhor do mundo, com certeza ele se referia aos sistemas de saúde do terceiro mundo. Mas isto ele não falou.

  10. Juca
    terça-feira, 29 de setembro de 2015 – 4:20 hs

    É isso aí Arthur, não tem choro!

  11. NA CORDA BAMBA
    terça-feira, 29 de setembro de 2015 – 5:52 hs

    Este Chioro foi sempre um idiota travestido de Ministro. Não
    entende absolutamente nada de saúde, não sabe fazer política
    e agora que vai mesmo sair do Ministério da Saúde já vem jo-
    gando “M” no ventilador. A saúde do povo brasileiro está sucatea-
    da há décadas independente do PT (sejamos honestos), porem
    o PT terminou de enterrar bem fundo e jogou por cima uma tone-
    lada de cal. Um país que não atende a saúde e educação é um
    país do quinto mundo !!!

  12. QUESTIONADOR
    terça-feira, 29 de setembro de 2015 – 11:20 hs

    -A saúde não caminha para um colapso…ela já está um colapso há muito tempo e piorou muito quando o partido da estrela assumiu o poder….

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