'O governo não cabe no PIB' | Fábio Campana

‘O governo não
cabe no PIB’

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Editorial, Estadão

“Ao governo, cabe abandonar o mantra obsessivo de mais e piores impostos e operar uma reforma profunda do Estado, reduzindo Ministérios, cargos comissionados, e revendo contratos. Agora é a hora da verdade. O governo não cabe mais no PIB brasileiro e precisa reavaliar todos os seus programas e conferir prioridade aos que devem ser mantidos.” Estas palavras, surpreendentemente saídas da boca do senador Renan Calheiros, são irretocáveis. Se estivesse disposta a cumpri-­las, Dilma Rousseff realmente daria um primeiro passo decisivo para superar o impasse orçamentário, implementar um verdadeiro reajuste fiscal e abrir, finalmente, a perspectiva de uma ação governamental comprometida com a criação de condições para a retomada do crescimento econômico. Infelizmente, as convicções estatistas de Dilma e do PT apontam na direção oposta. O País pode se preparar, portanto, para uma dose pesada de aumentos “de emergência” na carga tributária, provavelmente “compensados” por cortes de despesas tão inócuos quanto possível.

O comportamento do governo na questão do orçamento para 2016 é bem do estilo do gênio político que Lula colocou na Presidência da República. Dilma Rousseff sempre foi mais estatista do que o próprio PT – que, na verdade, é muito mais “poderista” do que qualquer outra coisa –, mas para o segundo mandato ela cedeu à sugestão de seu mestre de colocar no comando da equipe econômica um “liberal” que pelo menos não fizesse o mercado perder o sono. Nomeou para a Fazenda um nome indicado pelo presidente do Bradesco. Mas jamais teve a intenção de levar a sério o caráter austero da proposta de reajuste fiscal que se poderia esperar de Joaquim Levy. E, para garantir que não precisaria ela própria ficar regulando cada passo do estranho no ninho, tratou de colocar no Planejamento um genuíno adepto da “nova matriz econômica”, Nelson Barbosa.

A tragicomédia do Orçamento comprova que o apito que toca na área econômica é, inquestionavelmente, o de Dilma e de seu escudeiro que responde pelo Planejamento. Nelson Barbosa tem desempenhado em relação a Joaquim Levy – a quem só os ingênuos podem ter acreditado que Dilma “delegou” o comando da área econômica – o mesmo papel que Aloizio Mercadante, da Casa Civil, sempre desempenhou em relação a Michel Temer – a quem só os ingênuos podem ter acreditado que Dilma “delegou” o comando das articulações políticas do governo. A presidente da República não gosta de política, mas gosta de mandar, por isso erra sempre.

Dilma frita Joaquim Levy nos bastidores e prestigia­-o em cena aberta. Com isso consegue não agradar a ninguém, nem mesmo seu próprio partido. E as entidades e organizações sociais filopetistas, que por natureza são pouco chegadas às sutilezas da política, botam para quebrar com um ostensivo “Fora Levy” que significa exatamente o seguinte: o governo pode tudo, só não faz o que não quer, portanto pode gastar e tem que continuar gastando e mandando a conta para “as elites”. Simples assim. E quando pensam em elite colocam na lista as centenas de milhares de brasileiros, predominantemente de classe média, que se tem manifestado contra o governo nas ruas e nos panelaços. Dessa perspectiva, resulta inevitável a conclusão de que o lulopetismo tem contribuído substancialmente para fortalecer as elites.

Está coberto de razão o ilustre Renan Calheiros, portanto, quando sentencia que o governo do PT “não cabe mais no PIB brasileiro” e está obcecado pelo mantra de “mais e piores impostos”. É claro que seria muito melhor se o próprio Calheiros acreditasse no que afirma ou pelo menos se importasse sinceramente com as mazelas do lulopetismo no poder, das quais sempre fez o possível para se beneficiar. Ele certamente imagina que estar bem com o poder central pode ser útil quando a Operação Lava Jato chegar mais perto e que sua Alagoas precisa da boa vontade do Planalto, mas sabe também que muita proximidade com um governo cuja popularidade está ao rés do chão pode ser contraproducente para sua carreira política. Daí o movimento pendular que o leva de herói da Agenda Brasil a crítico severo da política de Dilma. Como ele próprio diria, a política é a arte da sobrevivência.


7 comentários

  1. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 7 de setembro de 2015 – 13:11 hs

    Essa mídia golpista deveria pensar um pouco no Brasil e não ficar dia e noite atormentando a presidente.Estão dando guarida para algum aventureiro tomar o poder como nos tempos do Getulio e desgraçar o Pais por 50 anos de novo.

  2. jorge Hardt Filho
    segunda-feira, 7 de setembro de 2015 – 13:28 hs

    O inchaço da folha de salários de funcionários públicos ( nas três esferas)na era PT arruinaram o país. Dilma não tem competência pra reverter a situação.

  3. Pablito
    segunda-feira, 7 de setembro de 2015 – 17:45 hs

    Se o Brasil voltar a crescer, OS LADRÕES DO PT NÃO SAIRÃO MAIS DO PODER!!!! Logo, quem for PATRIOTA não consome além do estritamente necessário e NÃO INVESTE!!!!
    Lembrem-se: O POVO NÃO LIGA PARA CORRUPÇÃO (se ligasse não teria reeleito Dilma em 2014)! O POVO SÓ LIGA PARA DESEMPREGO!!!!

  4. Do Interior...
    segunda-feira, 7 de setembro de 2015 – 20:30 hs

    Imagina o Lulismo com o PIB de FHC, herdado de do cumpanhero Sarney.

    FHC foi um herói governar com o pibinho que tínhamos por causa da inflação de regimes anteriores.

    O lulismo durou até que durou o dinheiro da colheita plantada por FHC. Agora que depende do PT para fazer PIB a coisa complicou. A única coisa que o PT não faz é cortar o bolsa família porque sabe que cortarão também os votos de cabresto. Isso é o populismo que nunca deu certo em lugar algum do mundo porque não há dinheiro que chegue para sustentar tanta bolsa, o PT e o PMDB.

    A petezada não sabe fazer PIB porque não sabe o que é trabalhar e pagar impostos. Não sabe o que é ser empresário. Nem empregado pois só faziam parte de sindicatos.

    Viramos um país de sindicalistas e movimentos ditos “sociais”, mas que não representam a sociedade.

  5. NA CORDA BAMBA
    terça-feira, 8 de setembro de 2015 – 7:39 hs

    Comunismo é o povo não poder decidir o seu destino e usufruir
    apenas das “benesses” negativas que os supostos governantes
    proporcionam. Pensando assim estamos vivendo a era do comunis-
    mo porque o governo rouba, mente e impõe um aumento abusivo
    dos impostos de todo que é jeito. Isso não é comunismo !?

  6. JÁ ERA ...
    terça-feira, 8 de setembro de 2015 – 7:43 hs

    Se o brasileiro já paga o imposto mais abusivo e alto do planeta,
    agora então é só assinar a sentença de morte porque se trabalha-
    mos quatro meses do ano para pagar impostos significa que já
    somos “sócios” deste governo maldito. Se o aumento de mais im-
    postos chegarem chego à conclusão:- para quê trabalhar !?

  7. zeoreia
    terça-feira, 8 de setembro de 2015 – 9:08 hs

    Dilma não tem saída …só privatizando a Petrobras..os Correios..o Banco do Brasil ..o BNDES ….dinheiro seria suficiente pra fazer caixa..diminuir a corrupção e ganhar credibilidade internacional !!

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