Francischini vai disputar prefeitura de Curitiba | Fábio Campana

Francischini vai disputar prefeitura de Curitiba

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Bem Paraná

Em alta nas pesquisas e pronto para aproveitar a péssima situação do prefeito Gustavo Fruet, o deputado federal Fernando Francischini na primeira entrevista exclusiva concedida desde que pediu demissão da Secretaria de Segurança, após o confronto de 29 de abril, no Centro Cívico, entre professores e policiais, garante não só que pretende disputar a prefeitura de Curitiba no ano que vem, como quer usar a campanha justamente para explicar sua versão do episódio. Francischini acusa o PT e a CUT de infiltrar um grupo de militantes na manifestação legítima dos professores para insuflar o conflito por motivação política, provocando o início do confronto, para depois fugirem do local. E relata que o confronto foi encerrado após o pedido dele para que o procurador-Geral de Justiça, Gilberto Giacóia, intervisse junto aos dirigentes sindicais e ele junto à tropa.

Ao Bem Paraná, Francischini critica ainda o atual prefeito, Gustavo Fruet (PDT) de falta de capacidade de decisão, e prevê que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) é só uma questão de tempo.

A entrevista completa está no Leia Mais.

Bem Paraná – O senhor mantém a intenção de disputar a prefeitura de Curitiba no ano que vem?
Fernando Francischini – Mantenho. A Executiva Nacional do partido pediu para eu colocar minha pré-candidatura à prefeito da cidade. Porque só quem tem amor pela cidade e coragem de decidir é que vai poder fazer essa cidade a voltar a ter inovação, ousadia, que vira referência nacional. Nós estamos vivendo de vinte anos atrás em Curitiba. Por mais criticado que seja o Jaime Lerner, nós ainda vivemos as coisas boas e as grandes inovações que ele fez pela cidade. Depois do Lerner, nós tivemos bons projetos na área social no governo do Beto (Richa) e depois praticamente nada. Me diga, qual a obra que o Fruet fez? Qual o legado? O que o prefeito fez foi aumentar a passagem de ônibus.

BP – Como o senhor vê a gestão Fruet?
Francischini – Falta coragem para tomar decisões. É um governo medíocre, sem inovações nenhuma. Não acerta e não erra porque ele não toma decisões. Muitas vezes são decisões que podem te colocar em situação difícil perante a mídia, a opinião pública, mas são importantes para a cidade. Que podem não ser compreendidas em um primeiro momento, mas lá na frente vai se ver que são importantes para o setor público. A gente viu há dois meses uma mulher que morreu por falta de atendimento na frente da UPA Fazendinha, e lá dentro uma estrutura toda de atendimento dizendo que não podiam fazer o atendimento. A gente nunca viu em nenhuma das gestões nesses 40 anos que eu moro em Curitiba tantos moradores de rua, ao relento, pelos abrigos não terem mais a estruturação da ação social da prefeitura. Então piorou muito. Curitiba há muito tempo precisa de um novo planejamento em muitas áreas. Perdeu a capacidade de ousadia. É mais um gerente lá que está sentado. É o feijão com arroz e muito mal feito. Em todas as áreas: saúde, educação, segurança, transporte coletivo. Se o prefeito não tiver coragem de tomar decisões difíceis, que possa ser criticado, que possa até vir a causar desgaste, não é um bom prefeito.

Daí fica como está hoje: meia sola. Não faz nem coisa boa, nem coisa ruim, porque não tem coragem de decidir.

29 de abril

“CUT e o PT insuflaram o confronto”

Bem Paraná – Após o episódio do confronto entre professores em greve e policiais, em 29 de abril, que levou à sua saída da Secretaria de Segurança, muitos davam o senhor como fora do páreo na eleição para prefeito. Teme que esse episódio possa lhe prejudicar na campanha?
Fernando Francischini – Quem foi ferido em todo esse episódio do Centro Cívico foram os professores e policiais. Não podemos aceitar em uma cidade ordeira como Curitiba que a CUT e o PT venham insuflar um confronto, promover uma balbúrdia e depois fugiram do miolo do confronto e deixaram os professores inocentes em confronto com a polícia, que estava lá cumprindo o seu dever. Eu não acredito que um professor, que educa nossos filhos, iria entrar em confronto com a polícia.Atirar pedras. Um pequeno grupo infiltrado provocou esse confronto. Infelizmente, muitos professores saíram feridos, por mais que tenha conversado pessoalmente com a direção da APP e a CUT. Então nós vamos ter nos próximos dias o momento adequado – que até hoje eu não pude falar em nenhuma instância, nem no Ministério Público, nem na Justiça – em que nós vamos demonstrar que isso não é uma decisão do secretário de Segurança. A decisão dessa situação foi uma decisão do governo, que moveu vários secretários de Estado, não só o secretário de Segurança.

BP – Como foi a preparação da operação?
Francischini – Meu planejamento era evitar a concentração de manifestantes e policiais num único ponto. Isso é um protocolo internacional.Minha ideia era fazer barreiras em vários lugares do Centro Cívico. Com menos pessoas e policiais o risco de confronto é bem menor. Mas este meu planejamento foi mudado na última hora. Mas a minha missão eu cumpri ao extremo, que era evitar a todo custo o confronto com uma grande quantidade de policiais. Chamei a CUT e a APP-Sindicato no meu gabinete uma semana antes. Reuni todos os comandantes da polícia – isso é inédito, não contei para ninguém – no quartel da PM, os coronéis, com os dirigentes sindicais para combinarem as coisas. Mas infelizmente a CUT e o PT, radicais, queriam realmente estimular esse confronto político PT-PSDB que se repete em todo o Brasil. E quem acabou vítima de tudo isso foram principalmente os professores e os policiais, mas principalmente os professores. Porque se você analisar os vídeos vai ver que quem começou o confronto foi uma linha de pessoas mascaradas, com escudos nos braços e que depois sumiram. Sumiram no meio da confusão que estava instaurada e infelizmente aconteceu isso. Não eram professores. Eu tenho certeza. Eu fui um dos primeiros a pedir a apuração rigorosa. Eu mesmo pedi que o Ministério Público fizesse uma investigação de quaisquer excessos. Mas continuo defendendo a tropa da Polícia Militar. E defendendo também a atuação dos professores que estavam lá exercendo o legítimo direito de se manifestar. A CUT é totalmente vinculada ao PT, é um braço sindical não, vou mais longe, braço de confronto. Infelizmente o que aconteceu foi isso no dia 29. Infelizmente. Eu não temo porque eu sinto que vou poder contar essa história toda, em detalhes, dar nome aos bois de quem participou de tudo isso e como foi a posição de cada um. Vai ser na campanha eleitoral que eu vou poder fazer isso.

BP – O MP entrou com ação na Justiça responsabilizando o senhor, o governador e os comandantes da PM por improbidade, apontando excesso do uso de força e gastos indevidos. Como o senhor vê essa ação?
Francischini – Eu achei ótimo porque a gente pode agora na Justiça levar os dados corretos, sem os exageros de ambos os lados desse embate político que ocorreu. Os policiais e principalmente professores ficaram no meio de um embate político. Tenho certeza, a Justiça agora vai fazer uma avaliação técnica, não política. Muito tranquilo. Tenho certeza de que em relação ao trabalho da polícia e até posição legítima dos professores, nós vamos ter uma posição positiva do Judiciário. Eles tinham o direito de se manifestar e os policiais estavam no estrito cumprimento de seu dever. Ninguém estava lá porque quis. Estavam cumprindo uma ordem judicial pedida pelo presidente da Assembleia.

BP – Em termos estratégicos, o senhor acha que o governo não poderia ter adiado a votação do projeto para evitar o confronto?
Francischini – A minha função era evitar o confronto. Eu era secretário de Segurança. Evitar pessoas feridas. E nós tentamos fazer o máximo. Inclusive eu acionei duas vezes o Ministério Público, por escrito. Pedindo que o procurador-geral nos ajudasse a negociar. Pouca gente sabe que foi através de uma negociação minha pessoal, pelo meu telefone, diretamente com o procurador (Gilberto) Giacóia que terminou essa confusão. . Nunca revelei isso para ninguém. Depois de uma ligação para o dr. Giacóia dentro do Palácio Iguaçu, fui procurá-lo e pedi: “vamos nós dois tentar acabar com isso. Eu sei que você é a pessoa que pode me ajudar”. Ele foi até os professores e exigiu da CUT que parassem as agressões à polícia – jogar pedras. Eu na mesma hora intervi na polícia e pedi para recuar e parar. Foi assim que terminou. Do meu celular pessoal para o celular pessoal do dr. Giacóia que se expôs e foi corajoso. Ele entrou no meio daquele confronto, foi até a CUT e exigiu do presidente da APP que terminasse. A verdade é que quem terminou todo o confronto fui eu e o dr. Giacoia. Não cabia mim essa decisão (de adiar a votação). Eu era a pessoa que executava a ordem de segurança atendendo a determinação judicial. Cabia à área política do governo, que eu não fazia parte. A minha função era tentar conter o que infelizmente aconteceu, parecia que tinha pessoas lá que queriam confronto. Que queriam o sangue nas ruas. Eu fiquei indignado também com pessoas feridas, que eram inocentes. Achei terríveis as imagens. Até hoje essas imagens…Mas também achei terrível um assessor de um deputado do PT jogando um vaso do oitavo andar da Assembleia sobre os policiais.

BP – O senhor chegou a ter quase 10% das intenções de voto para prefeito, na pesquisa de março, mas em julho caiu para 5,4%. Acha que essa queda foi motivada por esse episódio?
Francischini – Isso foi algo momentâneo. As pesquisas têm margem de erro de três pontos porcentuais para mais e para menos. Hoje nós já temos outras pesquisas que indicam de 9% a 12%.

BP – E como o senhor vê o cenário para a eleição em Curitiba?
Francischini – É com certeza um cenário de muita disputa, e de uma eleição de segundo turno. Tenho certeza que a população não vai olhar o político, mas o melhor gestor. Aquele que ela sentir que pode fazer as transformações que a cidade precisa.

Tolerância zero

“Bandido bom é bandido preso”

Bem Paraná – Quando era secretário de segurança o senhor foi questionado sobre o aumento do número de mortes em confronto com policiais. Na época o acusaram de estimular a política do “bandido bom é bandido morto”. Como vê essas críticas?
Fernando Francischini – Não é o “bandido bom é bandido morto”. Na verdade o bandido bom é o bandido preso. Mas se entra em confronto com a polícia, antes que morra o bandido do que o policial. Se for assaltar o cidadão de bem, antes que morra o bandido do que o cidadão de bem. O período em que eu estive à frente da secretaria nós tivemos a maior redução de homicídios e assaltos dos últimos nove anos em Curitiba. Isso é um resultado histórico. Isso foi porque os policiais confiaram no secretário, de que eles podiam ir para a rua. Foi a grande quantidade de policiais nas ruas que aumentou os confrontos. Assaltantes que antes não cruzavam com uma viatura policial começaram a encontrar. Porque eu mudei a política de acionamento das unidades de operações especiais, o Cope, o Bope, o COI, o Tigre foram para as ruas trabalhar como unidades normais de policiamento, para enfrentar as explosões de caixas eletrônicos e assaltos em Curitiba e região metropolitana.Com certeza o aumento das mortes de bandidos, por mais polêmico seja, acaba diminuindo muito a quantidade de crimes, porque eles sabem que a polícia é firme, mas é uma polícia legalista. Tanto que você não vê na minha gestão nenhum caso de policial acusado de participar de execuções ou chacinas nesse período. ´Tínhamos em média 60 ataques a caixas eletrônicos por mês quando eu assumi a secretaria. Deixei com nove em média por mês. Os curitibanos sentiram os reflexos do trabalho da polícia quando fui secretário. Só em Curitiba a redução foi de 30% nos homicídios.

BP – A polícia brasileira é apontada como uma das mais letais do mundo, mesmo assim temos altos índices de criminalidade. Não é um contrassenso?
Francischini – Mas se você pegar São Paulo, nos últimos dez anos os índices de homicídio baixaram para quase 10 por cem mil habitantes. Porque lá nos temos a polícia em grande quantidade nas ruas. Unidades de operações especiais fazendo o controle dos assaltos. A quantidade de mortes em confronto com polícia no Brasil é muito maior que em outros países porque aqui a criminalidade é astronômicamente maior. Não tem como comparar o Brasil com a Inglaterra e dizer que aqui se mata mais. Aqui se mata mais porque tem muito mais bandidos e criminosos nas ruas.

BP – E por que isso?
Francischini – É desigualdade social enorme, fruto de falta de acompanhamento de projetos de reinserção social, qualificação profissional. Os governos acabam investindo em alguns programas sociais que escravizem a pessoa, ao invés de dar a vara para ensinar a pescar. Eles entregam o peixe mas não ensinam porque preferem que ele permaneça em um programa social a vida inteira. Do que ter uma qualificação profissional. E essa diferença, essa desigualdade, aonde ocorrem os crimes, nos bolsões de pobreza.

BP – Na área de segurança, o que o prefeito pode fazer, já que pela Constituição é uma responsabilidade do governo do Estado?
Francischini – A segurança pública de Curitiba vai ser a bandeira principal da minha campanha. Nós estamos com um grande projeto em parceria com o governo do Estado que estou desenvolvendo para apresentar assim que a gente tiver a campanha deferida pela Justiça Eleitoral. De integração total da Guarda Municipal com as polícias militar e civil. A ideia é colocar a Guarda nas ruas para atender ocorrências. A Guarda Municipal é uma das mais bem preparadas do Brasil. Aqui tem treinamento, estrutura. E o efetivo dela é quase igual ao da PM em Curitiba. Se a gente fizer uma integração – e eu tenho o sinal verde do Estado – começar a atender ocorrências de menor vulto com a Guarda Municipal e liberar a PM para atender os grandes crimes. Vai ter uma viatura muito mais rápido. Eu fui o relator do projeto na Câmara que deu poder de polícia à guarda municipal, mas nunca foi implantado. Quero transformar em um projeto piloto, uma guarda próxima da população, porque o guarda conhece o vizinho, o comércio. Que ele não fique restrito a cuidar do patrimônio, da escola, do posto de saúde. Para que ele possa atender uma ocorrência de tráfico na porta da escola. Esses pequenos detalhes que vão fazer a diferença. A gente quase duplicando o efetivo de policiais, integrados, com sistema de comunicação. Eu iniciei um projeto que foi a integração das câmeras de segurança. Fui pessoalmente no gabinete do Fruet pedir que ele repassasse as imagens de monitoramento de trânsito para a secretaria de segurança. Ele consentiu, e isso é um ponto positivo. Nós inauguramos recentemente pelo dr Mesquita, que está no meu lugar na secretaria.

Impeachment

“Não tenho dúvida da abertura do processo”

Bem Paraná – Como o senhor vê o desfecho da atual crise política? Haverá impeachment?
Fernando Francischini – Não tenho dúvida da abertura do processo de impeachment. A Dilma perdeu as condições de governabilidade, a sustentação no Congresso. A economia do País, o PT perdeu a mão. Perdeu a credibilidade internacional. Para o empresariado que gera emprego, a saída dela é a criação de mais impostos. E para o povo é a diminuição dos direitos trabalhistas. É uma fórmula totalmente contrário do PT, dos partidos de esquerda que dão sustentação a ela, pregaram. Chegara ao poder com a defesa dos direitos trabalhistas, diminuição de impostos e combate à corrupção. Hoje eles são a antítese do que os levou ao poder. São os partidos vinculados à corrupção, querem aumentar impostos e cortando direitos trabalhistas. Essa fórmula leva à perda de sustentação e ao início do processo de impeachment. Não vejo muita saída.

BP – A estratégia é a de levar o pedido ao plenário através de recurso à Presidência?
Francischini – O presidente Eduardo Cunha (PMDB/RJ) quer respaldo do plenário da Câmara para poder iniciar esse processo. Provavelmente deve levar ao plenário nas próximas semanas.

BP – Quantos votos teriam hoje em favor da abertura do processo de impeachment?
Francischini – Já estamos beirando os 300 votos para abrir o processo.

BP – Quantos são necessários?
Francischini – Para a admissibilidade do processo, 257 votos (maioria simples). Para o impeachment em si, dois terços ou 342 votos.

BP – O processo de impeachment é complexo e demorado. Isso não agravará ainda mais a crise econômica e política?
Francischini – É o único caminho que a população brasileira – as pesquisas indica que 60%, quase 70% dos brasileiros já apóiam um pedido de afastamento do PT do poder, seja pela corrupção, pela má gestão, pena ineficiência do governo. Acho que o afastamento dela com a abertura do processo de impeachment, na verdade, traria uma sensação de estabilidade à própria economia, de ver novos gestores, podendo assumir o lugar daqueles que conseguiram levar o País praticamente à bancarrota. A perda de credibilidade internacional é o que mais está levando à nossa economia capenga. Fuga de investimentos, pessoal vendendo as ações nas bolsas, o dólar a quase R$ 4. Não há crise internacional que justifique. Se você olhar os outros países da América do Sul, poucos passam por crises. O Brasil é o principal país em crise. Crise econômica em função da crise política de um governo totalmente corrompido.

BP – E o senhor já pensa no cenário pós-impeachment, com a ascensão do vice-presidente Michel Temer (PMDB/SP)?
Francischini – A gente tem assistido o vice-presidente Michel Temer se movimentando pelo País. Visitou a federação das indústrias de São Paulo, Rio de Janeiro. Eu tenho certeza, ele está buscando uma coalizão nacional em torno de alguém que pode reunificar as forças políticas do Congresso, para dar sustentação a esse governo que surja do impeachment.

BP – A oposição tende a participar dessa coalizão?
Francischini – O indicativo é que sim. Que todos os partidos de oposição, em função do agravamento da crise, tenderiam a participar dessa coalizão para tirar o Brasil do buraco em que o PT colocou.

Crise política

“Lava Jato vai trazer uma limpeza”

Bem Paraná – A operação Lava Jato ainda deve implicar muitos políticos, inclusive de outros partidos que não o PT, como PMDB e PP, lideranças do Congresso. Quais as consequências disso?
Fernando Francischini – Eu vejo como salutar a Lava Jato. Inclusive fui o autor da CPI da Petrobrás no Congresso Nacional. Espero que ao final do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, vai trazer uma limpeza dos quadros políticos do País. Temos assistido inéditas prisões de autoridades, que antes eram tidas como intocáveis. A Lava Jato tem que continuar. Sou um dos grandes defensores, entusiastas do juiz Sérgio Moro. Já trabalhei como delegado em várias operações da Polícia Federal com ele e sei que ele tem o pulso firme para levar até o final essa operação.

BP – Mas como fica o cenário político se as denúncias contra o presidente da Câmara e do Congresso (Renan Calheiros, PMDB) forem aceitas pelo STF?
Francischini – É uma situação inédita em que a Câmara e o Senado terão que se reunir para tomar decisões. Pela primeira vez teremos os dois presidentes em situações como essa. Nós próximos dias a gente deve ter também decisões importantes em relação à própria presidente e ao Lula dentro da Lava Jato. É a cúpula onde estava o crime organizado. Todos os indícios chegam ao Lula e às campanhas da Dilma e do Lula. Vamos ter uma crise institucional nos próximos dias. Por isso nós defendemos que precisamos de uma ruptura política com o processo de impeachment. Para que um novo grupo político possa, com um governo de coalizão, possa tentar retomar a economia do País. Porque assistir todos os dias essa disputa política, mas não ver o resultado prático – pessoas desempregadas, saúde e segurança ruim. Só muda com uma nova ordem política no comando do País.

BP – Se o STF aceitar a denúncia contra o presidente da Câmara, o senhor acha ele deve se afastar do cargo?
Francischini – Acho que em relação a todas essas autoridades, nós vamos ter que tomar decisões difíceis. E essas decisões partem de aguardar o julgamento de todos os casos. Eu sou defensor do final do julgamento. Já vimos um caso que eu conheci do ex-deputado Ibsen Pinheiro, que foi praticamente linchado e depois absolvido.

BP – Mas aí não há uma contradição? Porque no caso da Dilma vocês querem o afastamento antes do julgamento e em relação ao Cunha não?
Francischini – O impeachment é um processo político. Ela não tem mais condições políticas de comandar o país. Não tem mais representatividade no Congresso para aprovar os projetos. De dar sustentação ao Orçamento, encaminhado com um déficit de R$ 30 bilhões. Ela está com o PIB negativo. Não é uma questão criminal o processo de impeachment e sim um julgamento político de que ela não tem mais condições de continuar à frente do País. A própria sustentação popular que ela teve pelo voto não existe mais. Por isso é absurdo vermos falarem em golpe. Sendo que o impeachment é uma ferramenta constitucional. Isso é a população brasileira tirando do poder um grupo que está totalmente envolvido em corrupção. E ineficiente para fazer a gestão da economia do País.

BP– O envolvimento do ex-deputado Luiz Argôlo na Lava Jato não compromete o seu partido, o Solidariedade?
Francischini – O partido demorou, mas eu pedi o afastamento, a expulsão dele do partido. O partido preferiu esperar o momento em que ele foi preso, e daí pediu o afastamento. Os partidos passam por crises tremendas, mas eu não me furtei de tomar uma posição. Apesar dele não ser do Solidariedade quando cometeu as irregularidades. Ele era do PP. Todos os partidos têm problemas, não só o PT, o PP, ou o PSDB.

BP – Como ficou a questão da citação do seu nome em uma mensagem entre Argôlo e o doleiro Alberto Youssef?
Francischini – Da mesma forma eu processei criminalmente tanto o Argôlo quanto o Youssef, no STF, mostrando que como líder do partido não aceitava o uso do meu nome em conversa entre eles. Tanto que fui o primeiro a pedir a expulsão dele e fui o autor do pedido de criação da CPI da Petrobras.

BP – A oposição acusa o governo Dilma de mentir durante a campanha sobre a situação da economia e gastar demais para se reeleger. Mas os partidos de oposição não fizeram o mesmo nos estados, para reeleger seus governadores?
Francischini – Cada governante propagou, na campanha, a situação econômica que ele vivia no momento. Infelizmente, essas crises que ocorreram em todos os estados, como ocorreu no Paraná, de falta de dinheiro, de repasses de recursos federais, acabaram tendo que fazer com que o orçamento de outras pastas cubrissem áreas fundamentais. Isso prejudicou muito o governo do Estado e acabou colocando o governador em uma situação difícil após a eleição, como a presidente Dilma. Uma situação delicada, de durante a campanha, a economia estava em outro momento. A gente vê a necessidade de termos cuidado, em todos os níveis, quem é candidato a prefeito, governador ou presidente, quando se fala de economia, da saúde financeira.


8 comentários

  1. Renato Britto Barros
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 8:05 hs

    Vai ser difícil esse cara se eleger.
    Não terá o apoio dos professores tanto estaduais, municipais e federais.
    Não terá o apoio dos policiais militares e também civis.
    Sem esses apoiadores ( são formadores de opinião ) será difícil ele chagar em 5º lugar.

  2. Gaúcho Véio
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 9:56 hs

    Será que os Professores (parentes e amigos) Irão apoiar ?

  3. Anônimo
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 10:22 hs

    Não vamos assassinar o português. Portanto, merece correção o ” intervisse” .

  4. Pedro
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 13:36 hs

    Pior de tudo é que muita gente tem caca na cabeça o suficiente pra votar nesse sujeitinho podre.

  5. lika
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 14:21 hs

    se tiver 10 candidatos vai ficar em 11º, tudo balela, não tem a menor chance, candidato pode ser mais!,,,, se eleger aí ja é outro papo, ta mais sujo que pau de galinheiro por aki. colocou o beto no mato, ficou mal com a policia militar, ficou mal com os professores e com a população curitibana, aquela frase de coragem tem sobrenome caiu por terra ao ser filmando correndo de um cidadão, quando saia do camburão.

  6. julio
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 15:01 hs

    Quem vai votar neste louco

  7. julio
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 15:06 hs

    Quem vai votar nele os professores

  8. Newton Pina
    quarta-feira, 16 de setembro de 2015 – 16:44 hs

    O eleitor que vota no Dr. Francischini é aquele pai e mãe desesperado, cujo filho está aprisionado no vício das drogas ilícitas, fontes principal dos problemas da sociedade. O Prefeito das Famílias Paranaenses.

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