Em 2013, Gleisi convidou empreiteiros da Lava Jato para reunião na Casa Civil | Fábio Campana

Em 2013, Gleisi convidou empreiteiros da Lava Jato para reunião na Casa Civil

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A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) voltou a aparecer nas investigações da Operação Lava Jato. Na análise dos e-mails apreendidos pela Polícia Federal na Odebrecht, o nome da senadora aparece em uma troca de mensagens entre executivos da empresa. Trata-se de um convite da Casa Civil para uma reunião na qual estariam presentes representantes de outras quatro empresas investigadas na operação. As informações são de Kelli Kadunus na Gazeta do Povo.

Na troca de e-mails, a secretária do presidente da Odebrecht informa que Marcelo Odebrecht teria sido convidado para uma reunião no dia 10 de abril de 2013. “Ligaram da Casa Civil [Min. Gleisi] lhe convidando para uma reunião no dia 10/04, quarta-feira, às 9h00. Assunto: seguro de obras, concessões e similares”, diz um trecho do e-mail enviado à Odebrecht.

De acordo com o e-mail, também foram convidados para a reunião os presidentes da Camargo Correa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez – todas empresas investigadas na Operação Lava Jato por suspeita de formação de cartel para concorrer a obras públicas no país.

Em resposta, Odebrecht pede que a secretária verifique se o executivo Benedicto Barbosa da Silva Junior pode ir em seu lugar. Segundo o presidente da empreiteira, “Ele mesmo [Benedicto] fala na Casa Civil”. Barbosa afirma que se organizaria para participar do encontro.

Marcelo Odebrecht está preso no Complexo Médico Penal, em Pinhais, desde junho desse ano, quando a PF deflagrou a 14ª fase da Operação Lava Jato. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por participar do esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.

Investigações

Essa não é a primeira vez que o nome da senadora Gleisi Hoffmann aparece vinculado às investigações da Lava Jato. No Supremo Tribunal Federal (STF) há um inquérito que investiga a participação de Gleisi no esquema. Em depoimentos em regime de colaboração premiada o doleiro Alberto Youssef, disse que teria doado R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi ao Senado, em 2010, por intermédio de um empresário, dono de um shopping center em Curitiba.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também disse em delação premiada que, em 2010, recebeu pedido “para ajudar a campanha” de Gleisi. Segundo ele, a solicitação foi feita por Paulo Bernardo.

Mais recentemente, o juiz federal Sergio Moro encaminhou ao STF outros indícios de envolvimento da senadora na Lava Jato. Segundo o despacho, parte do dinheiro repassado da Consist – empresa investigada por irregularidades em contratos no âmbito do Ministério do Planejamento – ao escritório do advogado Guilherme Gonçalves – que trabalhou em campanhas de Gleisi – foi usado para pagar despesas da senadora. Um dos exemplos citados no despacho de Moro é o pagamento do salário de um motorista de Gleisi.

De acordo com os investigadores, a Consist teria iniciado pagamentos de vantagens indevidas depois da celebração de um acordo de cooperação entre o Ministério do Planejamento, a Associação Brasileira dos Bancos (ABBC) e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (Sinapp). O objetivo do acordo era a disponibilização, pela internet, de serviços e sistema informatizado de gestão de margem consignável em folha de pagamento.

Na semana passada, o STF aprovou o fatiamento das investigações referentes ao caso. A senadora será investigada no Supremo, mas o relator do caso não será o ministro Teori Zavascki, que atua nos casos da Lava Jato. Já os demais envolvidos, que não possuem prerrogativa de foro, serão investigados em São Paulo, e não mais no Paraná, onde atua a força-tarefa da Lava Jato.


2 comentários

  1. Francisco Foltrani Freire
    quinta-feira, 1 de outubro de 2015 – 1:30 hs

    Aqui, ali, lá ou acolpa ELA NÃO ESCAPARÁ.

  2. COMANDO
    quinta-feira, 1 de outubro de 2015 – 10:06 hs

    Essa é outra…

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