Após fazer a sucessora, Lula é desfeito por ela | Fábio Campana

Após fazer a sucessora, Lula é desfeito por ela

unnamed

Josias de Souza

Na sua mais recente passagem pelo Palácio da Alvorada, na noite de quinta-feira, Lula encontrou uma Dilma aturdida, às voltas com o risco de perder as duas muletas de sua presidência. Horas antes, ela havia toureado a insatisfação de Joaquim Levy, seu apoio econômico, que flertava com a porta da rua. Na véspera, ela tomara um toco de Michel Temer, sua escora política, que se negou a reassumir a articulação do Planalto com o Congresso.

Vendeu-se a versão de que Lula voara a Brasília para socorrer sua afilhada política. Falso. O mentor de Dilma foi à Capital para tentar salvar a si mesmo. Sua pupila realiza um governo caótico. O enredo da campanha perdeu a validade. E nem o marketing de João Santana foi capaz de colocar uma narrativa nova no lugar. Disso resultou um fenômeno político raro: depois de fazer a sucessora, Lula está sendo desfeito por ela. E tenta brecar o processo de desconstrução.

Enquanto o criador dava conselhos à criatura em Brasília, Temer fugia do seu comedimento usual para dizer a um grupo de empresários o que só era balbuciado em privado: “Hoje, realmente, o índice [de aprovação do governo] é muito baixo. Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo. […] Se continuar assim, eu vou dizer a você, 7%, 8% de popularidade, de fato, fica difícil.”

Temer soou raso e inepto. Foi raso porque insinuou o risco de impeachment com uma leveza incompatível com a gravidade do tema. Foi inepto porque bem sabe, como professor de direito constitucional, que impopularidade não é motivo para a cassação de um mandato presidencial. Exige-se a prática de um crime de responsabilidade. Algo que, por ora, não se encontra sobre a mesa.

Seja como for, a impopularidade evocada por Temer é real. E ajuda a explicar a inquietação de Lula. Graças a Dilma, o animador de massas do PT está perdendo seu capital político mais valioso: as ruas. Pior: Lula já não dispõe de um FHC para chutar. Dilma colhe o que plantou sozinha: juros, inflação, contas públicas escangalhadas e desemprego. O fiasco da gerentona converteu a legitimidade das urnas recém-abertas em falta de credibilidade.


4 comentários

  1. Pompeu
    sábado, 5 de setembro de 2015 – 13:56 hs

    Para esses caras não é crime de responsabilidade demolir completamente as finanças nacionais. Não é crime de responsabilidade sugar a maior empresa brasileira a ponto de colocá- na lona, à beira da insolvência! O que esse pessoal quer?
    Uma confissão registrada em cartório em dez vias?!

  2. Luiz dernizo Caron
    sábado, 5 de setembro de 2015 – 16:06 hs

    GERENTONA???? Quem quebra uma loja de R$1,99 não pode gerenciar nem uma banca de revista, quanto mais ser Ministra, ou pior, ser Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, por mais incompetente que seja seu corpo de gestores. Presidente do Brasil então !!!!!! Vai quebrar … QUEBROU todos … o Ministério, a Casa Civil, a Petrobrás e o Brasil. Fim da História.

  3. JÁ ERA...
    domingo, 6 de setembro de 2015 – 7:46 hs

    Lula e Dilma, mentores de toda as roubalheiras que devastou o Brasil e
    deixou o povão na miséria. E a maior miséria humana não é a fome e sim,
    a falta de esperança e a incerteza que tomou conta do país. Se ontem eu
    acusava os eleitores acéfalos por nos ter enfiado “goela abaixo” esta gangue
    de ladrões e corruptos, hoje lamento o fato de não termos mais centenas
    de SÉRGIO MORO no país. Estes canalhas como o Lula, Dilma e curriola
    merecem apodrecer na cadeia !!’

  4. Marco Aurélio
    domingo, 6 de setembro de 2015 – 14:36 hs

    Professor, com todo respeito, o que o professor Michel Temer disse em nada se coaduna com suas afirmações nos dois últimos parágrafos do seu texto. Parece que o senhor, como alguns fizeram, pinçaram a frase fora do contexto.

    Impopularidade não é motivo para impedimento, qualquer um entende e um catedrático constitucionalista da estatura do Prof. Temer não se daria à tamanha tacanhice.

    Suas afirmativas eram em função de fatos que ele e o senhor conhecem bem e sabem sim, que seriam motivos suficientes não só para impedimento, como também para medidas outras, como a reprovação das contas e seus desdobramentos, até a renúncia.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*