"A Dilma é apenas uma trapalhona", diz Delfim Netto | Fábio Campana

“A Dilma é apenas uma trapalhona”, diz Delfim Netto

deelfim
Josias de Souza

Em entrevista à repórter Eliane Cantanhêde, veiculada no Estadão, o ex-ministro e ex-deputado federal Delfim Netto, 87, emitiu opiniões corrosivas sobre Dilma Rousseff. Admitiu ter votado nela. Mas disse que não repetiria o gesto. Considera a presidente “absolutamente honesta”. Mas fulmina o mito da gerentona: “…Ela é simplesmente uma trapalhona.”

Delfim referiu-se à decisão do governo de enviar ao Congresso um orçamento deficitário para 2016 como “a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil”. No Leia Mais, algumas das declarações do economista Delfim Netto:

— Dilma X Ex-Dilma: […] As pessoas sabem que a presidente é uma mulher com espírito muito forte, com vontades muito duras, e ela nunca explicou porque ela deu aquela conversão na estrada de Damasco. Ela deveria ter ido à televisão, já no primeiro momento, e dizer: “Errei. Achei que o modelo que nós tínhamos ia dar certo e não deu”. Mas, não. Ela mudou sem avisar e sem explicar nada para ninguém. Como confiar?
— Direção do vento: Ela mudou um programa econômico extremamente defeituoso, que foi usado para se reeleger. Em 2011, a Dilma fez um ajuste importante, aprovou a previdência do funcionalismo público, o PIB cresceu praticamente no nível do Lula. Mas o vento que era de cauda e que ajudou muito o Lula tinha mudado e virado um vento de frente. […] Então, ela foi confrontada em 2012 com essa mudança e com a expectativa de que a inflação ia aumentar e o crescimento ia diminuir e ela alterou tudo. Passou para uma política voluntarista, intervencionista, foi pondo a mão numa coisa, noutra, noutra, noutra… Aquilo tudo foi minando a confiança do mundo empresarial e, de 2012 a 2014, o crescimento vai diminuindo, murchando.
— Efeito urna: A tragédia, na verdade, foi 2014, porque ela [Dilma] usou um axioma da política, que diz que ‘o primeiro dever do poder é continuar poder’. No momento em que ela assumiu isso, ela passou a insistir nos seus equívocos. Aliás, contra o seu ministro da Fazenda, o Guido Mantega, que tinha preparado a mudança, tanto que as primeiras medidas anunciadas pelo Joaquim Levy já estavam prontas, tinham sido feitas pelo Guido. […] O Guido não tem culpa nenhuma. E, para falar a verdade, nenhum ministro da Fazenda da Dilma tem culpa nenhuma, porque o ministro da Fazenda é a Dilma, é ela. E o custo da eleição é o grande desequilíbrio de 2014.
— Déficit de credibilidade: Como a credibilidade do governo é muito baixa, o ajuste que ele [Joaquim Levy] fez encontrou muitas dificuldades, não teve sucesso porque não foi possível dizer que o ajuste era simplesmente uma ponte.
— Barbeiragem histórica: O primeiro equívoco mortal foi encaminhar para o Congresso uma proposta de Orçamento com déficit. Foi a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil. A interpretação do mercado foi a seguinte: o governo jogou a toalha, abriu mão de sua responsabilidade, é impotente, então, seja o que Deus quiser, o Congresso que se vire aí.
— Governo Frankenstein: A briga interna ocorre em qualquer governo, mas o presidente tem de ter uma coisa muito clara: ele opta por um e manda o outro embora. Um governo não pode ter dentro de si essas contradições, senão vira um Frankenstein. […] Quem tem de sair [Levy, Nelson Barbosa ou Aloizio Mercadante?] é problema da Dilma, mas quem assessorou isso do Orçamento com déficit levou o governo a uma decisão extremamente perigosa e desmoralizadora. E isso produziu um efeito devastador.
— Corte na carne dos outros: O aumento da Cide seria infinitamente melhor. CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre mesmo. Ele está sendo usado porque o programa do governo é uma fraude, um truque, uma decepção – não tem corte nenhum, só substituição de uma despesa por outra e o que parece corte é verba cortada do outro. Dizem que vão usar a verba do sistema S. Ora, meu Deus do céu! R$ 1 do sistema S produz infinitamente mais do que R$ 1 na mão do governo. Alguém duvida de que o governo é ineficiente?
— Cobra mordendo o rabo: Eles vão ter de negociar [o pacote fiscal] com a CUT e com o PT, que é o verdadeiro sindicato do funcionalismo público. Então, é quase inconcebível e vai ter uma greve geral que vai reduzir ainda mais a receita. É uma cobra que mordeu o rabo. O aumento de imposto é 55% do programa; o corte, se você acreditar que há corte, é de 19%; e a substituição interna representa 26%. Ou seja, para cada real que o governo finge que vai economizar com salários, ele quer receber R$ 3 com as transferências e o aumento de imposto. No fundo, o esforço é nulo.
— Em quem votou? Na Dilma. Mas acho que o Aécio era perfeitamente ‘servível’. Teria as mesmas dificuldades que a Dilma enfrenta, porque consertar esse negócio que está aí não é uma coisa simples para ninguém, mas ele entraria com uma outra concepção de mundo, faria um ajuste com muito menos custo e a recuperação do crescimento teria sido muito mais rápida.
— Votaria de novo? Não, primeiro porque ela não pode ser candidata. É preciso dizer que eu acho a Dilma absolutamente honesta, com absoluta honestidade de propósito, e que ela é simplesmente uma trapalhona.
— Michel Temer seguraria o rojão? Acho que sim. Nós somos muito amigos. O Temer tem qualidades, é uma pessoa extraordinária, um gentleman e um sujeito ponderado, tem tudo, mas eu refugo essa hipótese enquanto não houver provas [contra Dilma], e vou te dizer: ele também.


10 comentários

  1. Sergio Silvestre
    domingo, 20 de setembro de 2015 – 15:29 hs

    Quer dizer,se fosse outro presidente,Aécio por exemplo,ia mentir para o brasileiro sobre o orçamento deficitário.
    Agora,experimente governar ou fazer qualquer tarefa com a imprensa e os golpistas de plantão te enchendo o saco dia e noite.
    Mas ela não vai sair não e tomara que entre o Ciro na disputa em 2018 ai voces vão ver que é bom para a tosse.

  2. VERDADE
    domingo, 20 de setembro de 2015 – 17:16 hs

    Como tem cara de pau neste país! Quem não conhece este sujeito…compra!

  3. ferreira
    domingo, 20 de setembro de 2015 – 17:21 hs

    Ela não é trapalhona, ela é desonesta e o gordo continua um b….ão !

  4. Palpiteiro
    domingo, 20 de setembro de 2015 – 19:27 hs

    Delfim é um sábio, mas, é sabujo de Lula. Escreve para a torcida lulopetista. Tem dente de coelho no artigo.

  5. Do Interior.....
    domingo, 20 de setembro de 2015 – 20:01 hs

    O PT e PMDB todo é trabalhão.

  6. JÁ ERA ...
    segunda-feira, 21 de setembro de 2015 – 7:44 hs

    Trapalhona só se fosse no país do São Nunca. Honesta jamais.
    Este Delfim tambem já era !!!

  7. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 21 de setembro de 2015 – 11:16 hs

    Este artigo foi escrito a quatro mãos, ou melhor, a dezenove dedos.

  8. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 21 de setembro de 2015 – 12:00 hs

    -Este senhor ainda não se aposentou????
    -Ainda tem crédito para emitir opinões, depois de grande endividamento brasileiro que ele mesmo conduziu na década de 60/70????

  9. zangado
    segunda-feira, 21 de setembro de 2015 – 14:18 hs

    Cadê o sorvete na testa do Delfin ?

  10. Helena
    segunda-feira, 21 de setembro de 2015 – 17:23 hs

    …tanto quanto ela, este sobretaxou até água mineral e bola de futebol dizendo que ambos eram supérfluo. Água é essencial à vida de todo ser vivo, bola é o objeto de lazer mais popular do Brasil onde maioria dos pobres podem adquirir. E daí Senhor da alta inflação o que fez para acabar com ela em sua época de Ministro ? Nada, nada!!!
    Precisa de provas para responsabilizar a roubalheira dos governo petista? É como olhar no horizonte a olho nu e procurar a prova da existência do Oxigênio que nos permite respirarmos.

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