Temer sai | Fábio Campana

Temer sai

Mercado Pereira

A saída do vice-presidente Michel Temer da coordenação política do governo, já decidida mas não concretizada, marcará o afastamento político do PMDB do governo petista cujo enredo tem um final previsível, embora não certo: o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e a assunção de Temer ao cargo de presidente do país.

Assim como em relação a Eduardo Cunha, contra quem o governo Dilma resolveu disputar a presidência da Câmara, sem nenhuma necessidade ou possibilidade de vitória, também no caso do vice-presidente áulicos petistas anteciparam-se aos fatos e começaram a desestabilizá-lo na tarefa de coordenação política, mesmo quando não havia no horizonte a ideia do impeachment.

A mera disputa política por espaços no poder central fez com que o PMDB se convencesse de que não havia futuro nessa relação com o PT, a não ser que se satisfizesse com o papel secundário que os petistas reservam a seus parceiros políticos, mesmo os do campo da esquerda partidária.
O espírito do mensalão e do petrolão rege a relação do PT com seus aliados, isto é, verbas, ministérios e postos de segundo escalão podem ser divididos, mas não o Poder político, que fica restrito aos de casa. Como o PMDB já anunciava a disposição de partir para um vôo solo em 2018, a relação seria apenas formal até o final do mandato se não tivesse aparecido no meio do caminho a possibilidade do impeachment, que desestruturou a relação institucional entre os dois partidos.
A desconfiança mútua sobre as intenções do outro parceiro envenenou a convivência, mesmo que o vice-presidente tenha assumido o papel de coordenador político para acalmar a base aliada e suprir deficiências da coordenação petista. Michel Temer nunca conseguiu realizar a contento sua tarefa, e o PMDB passou a jogar junto com a oposição em diversas ocasiões.
Muito também por que as promessas de Temer não eram cumpridas, em grande parte devido a um boicote silencioso dos próprios assessores palacianos, que queriam ver o líder peemedebista pelas costas. O caldo entornou quando Michel Temer, premido pelas circunstâncias daquele momento, proferiu a frase fatídica: “Alguém tem que unir esse país”.
A interpretação de que estaria se apresentando como o salvador da Pátria prevaleceu, mesmo que Temer tenha tentado explicar-se seguidamente, inclusive junto à própria presidente Dilma. Tantas foram as explicações que o gesto de Temer passou a ser tratado dentro do Palácio do Planalto posteriormente como fraqueza de um traidor que não aguentou a pressão.
A situação do PMDB é interessante, peculiar mesmo na política brasileira. Por sua força partidária – é o partido que tem maior número de vereadores e prefeitos no país, dirige as duas Casas do Congresso – tem o vice—presidente da República e alguns ministros, mas não a lealdade do PT, que não pode governar sem ele, mas o considera indigno de uma aliança política mais densa.
Da mesma maneira, também o PSDB depende do PMDB para ter força no Congresso, e especialmente neste caso específico do impeachment, depende do PMDB para viabilizá-lo, mas receia apoiar um governo peemedebista devido à fama de fisiológico do partido e, sobretudo, por temer que as investigações da Operação Lava-Jato chegarão ao núcleo principal do PMDB, atingindo não apenas os presidentes da Câmara e do Senado, mas diversos ministros de Estado. Um governo peemedebista para substituir a presidente Dilma poderia ficar desmoralizado no curso desse processo, alimentando novas crises políticas.
A realidade política, no entanto, está levando os tucanos a uma aproximação com o PMDB, aceitando o risco político de apoiar um eventual governo Michel Temer. O abandono da coordenação política, dando por encerrada sua missão com a aprovação do pacote de ajuste fiscal do governo, colocará o partido mais solto para as articulações sobre seu futuro político.
A partir do momento em que passou a ser menosprezado como ator político de primeira grandeza, Temer decidiu sair de cena nesse papel de conciliador, e brevemente assumirá o papel de negociador em busca de uma saída democrática para a crise.


4 comentários

  1. carlos-cajuru
    sábado, 22 de agosto de 2015 – 23:51 hs

    È assim mesmo, quando o navio está afundando os ratos são os primeiros a pular fora.

  2. AMO
    domingo, 23 de agosto de 2015 – 10:50 hs

    Demorou. No PT so tem traíra.

  3. clarice franze
    segunda-feira, 24 de agosto de 2015 – 10:25 hs

    TEMER É UM NOTÓRIO COVARDE.

    O PMDB, NÃO QUER LARGAR A TÊTA, ACHA QUE VAI ACONTECER O QUE?

    JUNTANDO A FOME COM A VONTADE DE COMER……VAI TER UM MOMENTO QUE ALGUM LADO VAI ENTALAR.

    COMO POIDEM OS PRÓXIMOS CONFIAR NUM CARA(TEMER) QUE NÃO CONFIA EM SI PRÓPRIO?

    BOM, CONTNUO NAQUELA, SOU COMO SÃO TOMÉ, SÓ ACREDITO VENDO………..

  4. marcello
    segunda-feira, 24 de agosto de 2015 – 10:56 hs

    Dilma ou com o Conde Drácula tanto faz. O barco vai continuar afundando. É fato.

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