'Pau que dá em Chico dá em Francisco', diz Janot em sabatina | Fábio Campana

‘Pau que dá em Chico dá em Francisco’, diz Janot em sabatina

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Diante de vários investigados na Lava-Jato, procurador-geral da República tenta ser aprovado para segundo mandato

Corre neste momento a sabatina de Ricardo Janot no Senado, parte do ritual para que ele seja reconduzido ao cargo. Muito discurso, salamaleques e pouca contundência. Mesmo assim, Janot respondeu a uma insinuação de acordo político para baixar os teores das denúncias da Lava Jato, Ele negou: “Se quisesse fazer acordão, teria que combinar com os russos antes,” afirmou. “A essa altura, não deixaria os trilhos técnicos do MP para me embrenhar na política. Eu penso, ajo e atuo como Ministério Público. Não há qualquer possibilidade de acordão. Nego veementemente a possibilidade de qualquer acordo que possa interferir nas investigações”, concluiu.

Janot afirmou que o escândalo da Petrobras é o maior esquema de corrupção com o qual se deparou e que roubou o “orgulho” dos brasileiros. A declaração de Janot foi em resposta ao senador Aloysio Nunes. “Concordo com o senhor que a Petrobras foi e é alvo de um megaesquema de corrupção, um enorme esquema de corrupção. Eu, com 31 anos de Ministério Público, jamais vi algo precedente. Esse esquema de corrupção chegou a roubar nosso orgulho. Por isso que a gente investiga a fundo isso” – afirmou o procurador-geral.

O senador do PSDB questionou Janot sobre a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema. Cobrou do procurador-geral a aplicação a Lula da teoria do domínio do fato. Janot respondeu em tese, afirmando que a teoria do domínio do fato não dispensa a apresentação de provas.

— A teoria do domínio do fato não dispensa prova. Ela permite se alcançar a pessoa que não é o executor, que é o mentor do delito. Mas tem que haver prova. Não pode haver prova transitiva. A investigação está seguindo. Os processos no Supremo Tribunal Federal (STF) começaram em março. A Lava-Jato dura cerca de 500 dias. Inúmeras denúncias foram oferecidas. A teoria do domínio do fato, como ideia geral, é sobre uma pessoa que pode comandar um esquema criminoso ou pode impedir a realização do crime. Depende de prova, e não é de aplicação meramente transitiva — disse.

Rodrigo Janot também respondeu sobre as críticas à delação premiada: “Delator não é dedo duro, nem X9, nem alcaguete. Ele tem que reconhecer a prática do crime, confessa e diz quais são as pessoas que também estavam envolvidas na prática daquele delito. A lei diz que mero depoimento do delator não é suporte para denúncia. Ele ajuda na coleta de provas e torna mais célere o processo.”

Aloysio Nunes Ferreira foi duro na sabatina de Rodrigo Janot. Perguntou o morivo de Janot ainda não ter enviado a representação da oposição contra Dilma Rousseff ao STF, o senador ouviu a seguinte resposta: “Existem prazos para apurações de representações que chegam à PGR. Emitimos pedimos de informações às autoridades envolvidas e estamos aguardando informações da Presidência da República. Representação está em tramitação. Investigação é técnica e não se deixa contaminar por nenhum aspecto político.”


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*