Michel Temer planeja 'desembarque' da articulação política | Fábio Campana

Michel Temer planeja ‘desembarque’ da articulação política

Josias de Souza

Aprovada na noite desta quarta-feira no Senado, a proposta que reonera a folha salarial das empresas era a última peça do ajuste fiscal do governo ainda pendente de apreciação no Congresso. Com isso, afirmam amigos do vice-presidente Michel Temer, encerra-se o compromisso que ele havia firmado com Dilma Rousseff ao assumir a missão de articulador político do governo. Temer estaria agora liberado para preparar o seu desembarque da função. Coisa negociada, sem estresse.

Considera-se que está esgotada também a missão de Temer na distribuição de cargos e verbas orçamentárias para parlamentares aliados. Com o auxílio do ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), Temer redefiniu o mapa dos cargos federais e acertou o pagamento de emendas orçamentárias. As pendências já não dependeriam de articulação, mas de decisões da Casa Civil e do Ministério da Fazenda.

Se confirmado, o distanciamento de Temer da articulação coincidirá com a vontade do pedaço do PMDB que defende a providência há meses. Expoente desse grupo, o ex-ministro Geddel Vieira Lima disse, em entrevista ao blog:

“O Michel vive um momento em que terá de tomar a decisão de exercer a sua função institucional de vice-presidente da República. Ele tem que entender que não cabe ao vice-presidente ficar discutindo nomeação para delegacia do INSS nos Estados. Esse modelo faliu. Ele é o vice-presidente da República. Essa é a função institucional dele. Precisa se colocar cada vez mais como o doutor Ulysses Guimarães, exercendo o papel de guia. Como dizia o doutor Ulysses, tem de guiar o PMDB rumo ao Sol, que é dia, não em direção à Lua, que é noite. Não dá para ele participar de artimanhas.”

Ainda de acordo com os amigos do vice-presidente, sua contribuição como articulador já não parece tão essencial aos olhos da presidente. Menciona-se como exemplo o fato de Temer não ter sido convidado para a reunião em que Dilma avaliou no Palácio da Alvorada, na noite de domingo (16), os efeitos dos mais recentes protestos de rua.


3 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 20 de agosto de 2015 – 16:32 hs

    Na verdade, madama presidenta não perdoou as declarações de Temer. Ela é bem conhecida por não deixar que o tempo ou as circunstâncias esmaeçam seus rancores das pessoas. Ao contrário de Lula que é essencialmente pragmático ela guarda seus ressentimentos com carinho. Como todo capitão de navio pirata, vai acabar na prancha para ser jogada aos tubarões, pelos seus próprios marinheiros.

  2. clarice franze
    quinta-feira, 20 de agosto de 2015 – 16:55 hs

    Está dificil largar a têta, e mais ainda aguentar o truculento do Requião, ele, só, não move o PMDB.

    TEMER, DEIXE DE SER EGOCÊNTRICO, E PENSE BRASIL.

    QUEREMOS UM FIM DE ANO EM ÁGUAS TRÂNQUILAS.
    QUEREMOS UM FIM DE ANO DE PAZ, E CERTEZA QUE 2016 ESTARÁ LIVRE DESTAS PRAGAS, DAS QUAIS VC FAZ PARTE.

  3. antonio carlos
    quinta-feira, 20 de agosto de 2015 – 21:50 hs

    O Temer não está desembarcando da articulação política, ele está jogando a Mulher Sapiens na fogueira. Como é tido lá fora, aonde as coisas que nos dizem respeito são decididas, como medíocre, o cara quer sair do foco. Aí quando a Mulher Sapiens começar a por as mãos pelos pés, e todo se convencer que “com ela não dá mesmo”, o cara reaparece. Talvez aí os lá de fora botem um pouco mais de fé no cara.

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