Cora Ronai responde às almas parvas | Fábio Campana

Cora Ronai responde
às almas parvas

Cora Ronai

“Todos os governistas da minha TL demonstram, sem exceção, o seu horror pelos cartazes asquerosos que apareceram nas manifestações. Estão certos. Ainda que alguns sejam apenas cômicos, outros são mesmo nojentos e assustadores.

Mas eles estão redondamente enganados se acham que as pessoas que escreveram e carregaram essas aberrações representam qualquer coisa além das suas próprias almas nefastas. Minimizar o protesto legítimo de centenas de milhares de cidadãos porque meia dúzia de idiotas sinistros saiu de casa é repetir mais uma vez a arrogância petista que nos trouxe até aqui. É reaproveitar, numa outra embalagem, a cantilena odiosa do Lula, dividindo o país numa metade boa e bacana, que vota PT, e outra metade obscurantista e má, que não vota.

O que me chamou a atenção nos posts que condenam as manifestações e fazem pouco dos manifestantes foi a repetição, em todos eles, das mesmíssimas fotos dos mesmíssimos cartazes: as senhoras grotescas que perguntam por que não mataram todos em 64, o maluco que pede a volta do Sarney, o analfabeto que não “foje á luta”…

Nem por acaso encontrei uma coletânea diferente, um flagrante único, uma variante qualquer.

Convenhamos que, para a quantidade de gente que foi às ruas, isso é muito pouco. Não é menos pior por causa disso, mas gente ruim e de maus bofes existe em toda a parte, imagino até que entre as hostes hipsters e angelicais da esquerda.

Confesso que acreditaria mais na sinceridade da preocupação dos governistas com o bem estar da nação se tivesse visto uma fração da indignação que manifestaram hoje contra os protestos sendo dirigida, há alguns dias, ao presidente da CUT — que teve o descaramento irresponsável de propor, no Alvorada ainda por cima, que brasileiros peguem em armas contra brasileiros.

Ou isso pode?”


2 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 17 de agosto de 2015 – 12:26 hs

    Que diferença há nos cartazes de lunáticos que pregam a intervenção militar e o discurso aloprado do presidente da CUT? A diferença é muito simples: o primeiro foi exibido no meio da rua, entre milhares de outros cartazes, e criticado por muitos na mesma rua; já, o segundo, foi proferido dentro do palácio do Planalto, diante da mais alta dignitária do país e seus ministros, sob aplausos dos ouvintes e sem uma única palavra dissonante.

  2. Luigi
    segunda-feira, 17 de agosto de 2015 – 12:41 hs

    Concordo com quase tudo, menos com o trecho que alude à ‘cantilena odiosa do Lula, dividindo o país numa metade boa e bacana, que vota PT, e outra metade obscurantista e má, que não vota’. A frase, seja lá de quem for, exagera na proporção de adeptos do “nóis”, que certamente não ultrapassa minguados 10%, coisa bem diferente de metade, ou seja, 50%.

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