Mandato de Dilma chega ao ocaso em 6 meses | Fábio Campana

Mandato de Dilma chega ao ocaso em 6 meses

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Josias de Souza

Um presidente da República é um cotidiano de poses. Faz pose da hora em que escova os dentes ao momento em que se enfia sob o cobertor. Ainda que não controle nem os quatro andares do Palácio do Planalto, precisa passar a ideia de que faz e acontece. Mas é indispensável que exista uma noção qualquer de honra e direção por trás das poses. Com a popularidade no volume morto de um dígito e com a base congressual estilhaçada, Dilma Rousseff já não consegue projetar as aparências mínimas do poder.

O segundo mandato de Dilma acaba de fazer aniversário de seis meses. É um bebe disforme e malcheiroso. Tem cara de pão dormido. E cheira a naftalina. A ficha da presidente ainda não lhe caiu. Quem esteve com Dilma nas últimas horas espantou-se com o grau de alheamento da personagem. Mas a realidade acaba se impondo. Dilma logo perceberá que preside um governo em apuros. E talvez constate que terá de se dar por satisfeita se conseguir alcançar dois objetivos: não cair e continuar passando a impressão de que manda.

A margem de manobra de Dilma estreita-se rapidamente. O vice-presidente Michel Temer manteve-se na articulação política por responsabilidade, não por gosto. Tenta retardar a precipitação de um movimento que o governo parece fraco demais para evitar. Setores do PMDB de Temer conversam com a oposição abaixo da linha d’água. Discute-se a hipótese de construir uma saída política para a crise. Sem arranhões institucionais. E sem Dilma.

O PT já não exibe a capacidade de reação que ostentava em 2005, ano em que Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador. Isolado, o partido arrasta no Congresso a bola de ferro de 13 anos de perversão. Depois de usufruírem de todas as benesses que o poder compartilhado pode oferecer, alguns aliados tramam desembarcar da parceria com o PT em grande estilo, como navios que abandonam os ratos.

Já não há no governo tantos apologistas de Dilma. Quem consegue manter a cabeça no lugar enquanto todos ao redor perdem as suas, provavelmente está mal informado. Movimentos como os que ocorrem em Brasília evoluem no ritmo dos transatlânticos, não na velocidade dos carros de Fórmula 1. Mas os prazos de Dilma encurtam-se à medida que o governo dela vai penetrando o caos.

No momento, conspira contra a celeridade das embrionárias articulações a falta de unidade. Há, por ora, duas fórmulas na praça. Numa Dilma é substituída por Temer. Noutra, Temer vai de roldão e convocam-se novas eleições. Se as articulações chegarem a algum lugar, Dilma vai mais cedo para casa. Se fracassarem, a presidente viverá um ocaso do tamanho dos 1.275 dias que faltam para ela ir embora.


7 comentários

  1. Intruso
    sábado, 4 de julho de 2015 – 15:45 hs

    Quem duvidava que ela era esquizofr..agora já pode ter uma idéia..

  2. Paolo
    sábado, 4 de julho de 2015 – 17:44 hs

    E esse negócio Richa-Lava Jato, sabes de alguma coisa, Campana? Só faltava isso para detonar o moço!!!!

  3. antonio carlos
    sábado, 4 de julho de 2015 – 18:06 hs

    A camarada presidanta caiu no mesmo erro do Betinho Banana, mentiu, ai ninguém perdoou. Ambos fizeram o povo de bobo, nos enganaram, fomos vítimas todos nós, eleitores ou não da dupla de mentirosos, de um tremendo estelionato eleitoral. Difícil vai ser aguentarmos o ocaso destes dois desgovernos, menos pior o do governo federal, porque a camarada presidanta está sem poder, virou uma mera figurante. Duro vai ser aqui na província, temos um governador que só pensa em ser senador, e vai fazer o possível e o impossível para conseguir isto.

  4. Carlos-Cajuru
    domingo, 5 de julho de 2015 – 0:07 hs

    Muito bem escrito esse titulo.
    Mandato de Dilma chega ao “OCASO” em 6 meses.

    A saber:

    OCASO

    1.o aparente declínio de um astro no horizonte, do lado oeste; pôr, poente
    2.o lado do horizonte onde o Sol parece esconder-se; ocidente, oeste, poente
    3.Derivação: sentido figurado.
    fim, final, limite
    4.Derivação: sentido figurado.
    que se encaminha para a ruína; queda, decadência

    Fonte: Dicionário Houaiss

  5. FUI !!!
    domingo, 5 de julho de 2015 – 5:04 hs

    A minha maior tristeza não é ver a “Presidanta” naufragando e
    se isolando, mas sentir que ao contrário de um brasileiro que sen-
    tiu um dia que o controle da inflação havia chegado, hoje sentimos
    que o país mergulhou novamente no inferno político e que na mi-
    nha geração não terei mais tempo de ver um país com progresso…

  6. Jair Pedro
    domingo, 5 de julho de 2015 – 15:40 hs

    Em setembro de 2012, em um artigo, FHC criticou o ex-presidente Lula dizendo: “A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF RECEBEU UMA HERANÇA PESADA DE SEU ANTECESSOR”.
    Dilma, em nota oficial, defendeu Lula e atacou o governo de FHC dizendo: “RECEBI DO EX-PRESIDENTE LULA UMA HERANÇA BENDITA. NÃO RECEBI UM PAÍS SOB INTERVENÇÃO DO FMI OU SOB A AMEAÇA DE APAGÃO”.
    Se recebeu uma herança bendita, segundo ela, por que estamos nessa situação? Por que ajuste fiscal? Por que juros tão altos? Por que aumento de impostos que estão falindo empresas e causando tanto desemprego? E a inflação?
    A mim ela nunca enganou. Já escrevi, em um dia do passado
    que o sr. Luiz Inácio Lula da Silva ainda vai ser lembrado como o coveiro que enterrou esse país chamado Brasil, tanto pela sua demagogia barata e mentiras, como o criador da cupim que acabou de arrasar nossa economia.
    E o que mais me deixa estarrecido é de ainda existirem uns
    calças-frouxas que vivem enganando a si próprios, louvando esses dois engôdos.

  7. Juca
    segunda-feira, 6 de julho de 2015 – 19:07 hs

    E aí Calça Frouxa, não diz nada?

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