Juros do cheque especial têm maior alta desde 1995 | Fábio Campana

Juros do cheque especial têm maior alta desde 1995

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Segundo Banco Central, taxa da modalidade já chega a 241,3% ao ano

De O Globo

Quem está com as finanças apertadas e precisa recorrer ao cheque especial para pagar as contas tem de arcar com os maiores juros dos últimos 20 anos. De acordo com o Banco Central, a taxa dessa modalidade de crédito chegou a nada menos que 241,3% ao ano. É a mais alta desde 1995. Com o custo do dinheiro crescente por causa dos seguidos aumentos de juros básicos feitos pelo BC para conter a inflação, os bancos reajustam as taxas cobradas dos clientes. No entanto, aqui há ainda um outro componente: cobrar caro e lucrar pelo risco que assume com saque a descoberto.

Somente no mês passado, houve um salto de nada menos que 9,3 pontos percentuais na taxa média cobrada pelas instituições sobre dívidas no cheque especial. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 69,6 pontos percentuais.

Apesar de serem juros proibitivos – segundo classificação do próprio BC – as taxas do cheque especial não são as maiores do país. Se ficar no rotativo do cartão de crédito, o brasileiro paga ainda mais caro. Segundo a autoridade monetária, as operadoras cobram, em média, 372% ao ano para quem usa apenas o mínimo do cartão: uma alta de 11,5 pontos percentuais no mês passado e de 63,7 ponto percentual nos últimos 12 meses. É o maior patamar já registrado pelo Banco Central, desde quando começou a registrar os dados em 2011.

Na média, a taxa de juros cobradas pelos bancos às pessoas físicas – com créditos livres, aqueles que as instituições podem escolher como emprestar – subiu de 57,3% ao ano para 58,6% ao ano. É : o maior patamar já registrado desde quando o BC passou a registrar os dados em 2011. E com o aumento da taxa básica, a tendência é que os juros continuem a aumentar.

Esse é um dos desdobramentos da desaceleração da economia, promovida pelo BC para conter a inflação. A recessão econômica é evidenciada também em outros dados, divulgados nesta quinta-feira pela autoridade monetária. Um dos exemplos é a desaceleração do crédito do BNDES. O saldo de crédito com recursos direcionados para empresas ficou estagnado no mês passado e R$ 832,7 bilhões.

— Há uma desaceleração do crédito bem nítida do crédito do BNDES. As taxas do setor mudaram e houve variação das condições em diversos programas. Nesse primeiro semestre, isso (a desaceleração) ficou bastante caracterizado — friso o chefe do departamento de estudo econômico do BC, Túlio Maciel.

Uma das surpresas do relatório divulgado pelo Banco Central é o desempenho da inadimplência. No geral (dados de créditos direcionados e livres), o nível de calote de empresas e famílias chegou a recuar de 3% para 2,9%. A queda foi causada pela organização das contas das pessoas físicas.

Somente em contratos das famílias com bancos com recursos direcionados, a inadimplência caiu de 2% para 1,7%. Empréstimos com esse tipo de crédito são, na maioria, financiamento da casa própria.

— A despeito da maior taxa de juros mostra-se bem comportada. Houve uma mudança de comportamento. As iniciativas de educação financeira aumentaram e a consciência do tomador de crédito aumentaram — argumentou Maciel.

O técnico do BC disse ainda que o financiamento imobiliário pode ter começado a refletir as medidas adotadas em maio para suprir a falta de dinheiro para a compra da casa própria. As concessões de novos empréstimos aumentaram 4,2% no mês passado, após meses de queda.

— Pode estar refletindo essa mudança. Acredito que sim.

Para o BC, a compra da casa própria é um importante componente do endividamento das famílias. Isso porque mostra que as pessoas trocam o pagamento do aluguel pela prestação de um imóvel e começam a formar um patrimônio. Segundo os dados — com uma defasagem maior — da autoridade monetária, o endividamento das famílias cresceu de 46,4% para 46,3%. Esse é o percentual de todos os financiamentos de pessoas físicas com o sistema financeiro e também o valor da dívida no rotativo do cartão de crédito e divide sobre a renda da família em um ano.

Quando não é levado em consideração o financiamento habitacional, o endividamento caiu de 27,6% para 27,5%, o que mostra que o aumento é causado, sim, pela compra da casa própria.


4 comentários

  1. ZOLIVRE
    quinta-feira, 30 de julho de 2015 – 13:43 hs

    E AINDA TEM GENTE QUE NÃO SABE QUEM GOVERNA O PAÍS, IMAGINEM SÓ..
    PAIS DOS CARTÉIS, LOBISTAS, EMPREITEIROS. UMA PODRIDÃO SÓ..

  2. Sergio Silvestre
    quinta-feira, 30 de julho de 2015 – 14:03 hs

    Ai está,o Capital especulativo está vencendo.Bem feito para esses golpistas que muitos ainda não conhecem o estilo de governos ligados a mídia golpista e o capital;.

  3. MANOEL BOCUDO.
    quinta-feira, 30 de julho de 2015 – 14:06 hs

    A NOSSA SENADORA FALOU QUE NO BETO CARRERO NÃO TEM CRISE,
    TUDO INVENÇÃO, DESEMPREGO, JUROS ALTOS, IMPOSTOS, QUEBRADEIRA DE EMPRESAS, OBRAS ATRASADAS POR FALTA DE PAGAMENTOS, FILAS
    NAS AGENCIAS DOS TRABALHADORES, EM BUSCA DE EMPREGO
    E RECEBER SEGURO DESEMPREGO. BEM, MAS ELA FALOU, ITAPEMA
    DEVE SER OUTRO PAÍS, DONA BARBY DAS ARAUCÁRIAS NÃO ACORDOU AINDA.

  4. Cesar
    quinta-feira, 30 de julho de 2015 – 17:59 hs

    É a política de juros estratosféricos do Levy/Dilma está funcionando maravilhosamente.Só o Bradesco(do Levy) lucrou 4,5 bilhões no primeiro trimestre.Por isso que o Levy fica pressionando o Banco Central para subir os juros.Quem paga a conta disso são os trabalhadores,que são massacrados com esses juros escorchantes.
    Juros altíssimos,inflação alta,redução dos salários,terceirização,essa é a política econômica do governo Dilma/Levy.

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