Escândalos entram na rotina do Congresso | Fábio Campana

Escândalos entram na rotina do Congresso

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Escândalos de corrupção envolvendo deputados e senadores não são propriamente novidade na crônica política brasileira. Do esquema que em 1993 ficou conhecido com máfia dos anões do Orçamento à Operação Lava Jato, passando pela violação do painel do Senado e o mensalão, o Legislativo brasileiro tem sido um campo fértil para a aparição de toda sorte de denúncias de práticas ilícitas que têm parlamentares como protagonistas. As informações são do Estadão.

Esta é a primeira vez, entretanto, que os presidentes do Senado e da Câmara, filiados ao mesmo partido, o PMDB, são investigados no mesmo caso. Tanto o senador Renan Calheiros (AL) quanto o deputado Eduardo Cunha (RJ) foram citados na Operação Lava Jato, que investiga entre outras coisas, a cobrança de propina por políticos para que empreiteiras tivessem acesso privilegiado a contratos da Petrobras.

Ambos já viram seus nomes envolvidos em denúncias anteriores. Cunha, por exemplo, ainda é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por improbidade administrativa referente ao período (anos de 1999 e 2000) em que ele ocupou a presidência da Cehab (Central de Habitação e Crédito), autarquia responsável pelo controle de verbas destinadas à construção de casas populares no Rio de Janeiro. A acusação é de favorecimento de empreiteira vencedora de concorrências consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O processo é antigo e estava arquivado no STF desde 2005. Em maio deste ano, no entanto, a pedido da Procuradoria-Geral da República, o Supremo o desarquivou. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, então pediu vista ao processo, que corre em segredo de Justiça.

Renan já foi apeado em 2007 da cadeira que hoje ocupa na presidência do Senado em meio a acusações de ter suas contas pessoas pagas por um lobista ligado à empreiteira Mendes Júnior. Entre as despesas estavam o aluguel de um apartamento e a pensão alimentícia da filha que o senador tem fruto de uma relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso.

Ao deixar a presidência, Renan escapou do processo de cassação do mandato. Em seus três mandatos como senador, o peemedebista já teve seu nome envolvido em denúncias de uso de atos secretos, irregularidades na compra de emissoras e de uma fábrica de cerveja em Alagoas. As denúncias lhe renderam quatro processos no Conselho de Ética – todos arquivados.

O cientista político José Álvaro Moisés, da USP, vê o momento atual no Legislativo como um desafio do ponto de vista democrático em função da relevância dos envolvidos. Segundo Moisés, os desdobramentos da Lava Jato dentro do Congresso vão depender muito das atitudes que Renan e Cunha vão ter no decorrer dos acontecimentos. “São figuras absolutamente centrais e estratégicos na coalizão entre PMDB e PT”, disse.


3 comentários

  1. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 20 de julho de 2015 – 12:11 hs

    -Acho que passou da hora da população exigir e impor mudanças políticas para tentar inibir as falcatruas em moda.
    -A classe política brasileira se beneficia do “cheque em branco” que a população emite para os políticos. Não há fiscalização e muito menos punição para os atos ilícitos!!!

  2. taderu rocha
    segunda-feira, 20 de julho de 2015 – 12:24 hs

    eu acho que só tem uma palavra …….PARA ISSO É UMA VERGONHA PARA OS BRASILEIROS, ACORDA BRASIL…

  3. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 20 de julho de 2015 – 16:34 hs

    Dois podres,por isso a mão na boca,

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