PT colhe o que plantou | Fábio Campana

PT colhe o que plantou

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Editorial, Estadão

Um recurso de retórica de que Lula lança mão desde os tempos de militância sindical é a demonização das “elites”, também referida como “eles” em suas diatribes contra os “inimigos do povo”. “Eles” são a encarnação do mal, eternamente conspirando para perpetuar seus privilégios e manter a servidão dos pobres. Há 35 anos Lula & Cia. batem nessa tecla. Como não é possível enganar a todos todo o tempo, esse discurso populista, tendo a ajuda da incompetência demonstrada por Dilma Rousseff em seu primeiro mandato, acaba se esgotando. E o PT, que sempre fez oposição e chegou ao poder disseminando o ódio, começa a colher o que plantou.

Entre outras figuras destacadas do petismo, Guido Mantega, Alexandre Padilha e, no último fim de semana, Fernando Haddad, foram vaiados em lugares públicos onde se encontravam como cidadãos comuns. É lamentável. Manifestações de protesto e repúdio, como saudável exercício democrático, têm hora e lugares apropriados, que certamente não eram aqueles em que se encontravam os referidos cidadãos. A agressão verbal pode ser tão deplorável quanto a agressão física – que, felizmente, não chegou a ocorrer em nenhum desses casos –, pois ambas atentam contra a dignidade do agredido.

Mas eis que um petista de alto escalão – o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Edinho Silva – assume ares de pacificador e vem a público condenar exatamente a prática que seu partido consagrou. Declarou o ministro em entrevista ao Globo: “Vejo amigos brigando, famílias se dividindo, não é só a intolerância contra políticos. Temo que esteja mudando a cultura brasileira, sempre apaziguadora. Há lideranças importantes se manifestando com ódio”.

Sendo ele um líder petista com longa folha de serviços prestados a seu partido com a marca de um notável, digamos, aguerrimento, a atitude do chefe da Secom é, no mínimo, cínica. Poucos dias antes de se tornar ministro pacificador, Edinho Silva deu uma mostra da até então característica agressividade de seu discurso, ao tentar refutar as acusações de envolvimento do PT no escândalo da Petrobrás: “Nunca na nossa história assimilamos com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista”. É possível que o ex-deputado estadual paulista tenha pesadelos com o propinoduto do petrolão, porque em 2014 foi o tesoureiro da campanha reeleitoral de Dilma Rousseff.

No momento, porém, a preocupação do chefe da Secom é com as ameaças que enxerga à “cultura de paz” dos brasileiros. E, para enfatizar essa percepção tardia, recorre ao surrealismo que povoa o imaginário popular: “Tem um monstro sendo alimentado dentro de uma lagoa toda vez que se dissemina o ódio. Esse monstro já colocou a cabeça para fora algumas vezes e, se sair por completo, vai ser incontrolável”. Só Deus sabe o que se passa pela cabeça do ministro quando fala em cabeças de monstros.

O fato é que, usando o poder de que dispõe, Edinho Silva determinou à Caixa e ao Banco do Brasil que promovam campanhas destinadas a “estimular a tolerância” entre os brasileiros. Explicou o ministro que campanhas institucionais com esse conteúdo não podem ser veiculadas pela Secom, que só trabalha com assuntos de utilidade pública. Por isso, “orientou” os bancos oficiais a assumirem essa tarefa.

O Banco do Brasil está com uma campanha aprovada que será veiculada brevemente e a Caixa colocou no ar a sua em meados de maio, na qual aparece um menino usando uma camiseta com as cores de todos os times de futebol que a instituição patrocina, com a mensagem “todo brasileiro já nasce sabendo conviver com as diferenças”. Assim, Edinho faz com a mão esquerda o que não pode fazer com a direita.

Além dos objetivos altruístas de levar aos lares brasileiros o sentimento de paz e fraternidade que o PT sempre procurou destruir como meio de alcançar e se manter no poder, a iniciativa de Edinho Silva revela a falta de cerimônia com que os governos petistas contornam os obstáculos legais que encontram pelo caminho: se o governo não pode gastar dinheiro diretamente com propaganda que não seja de “utilidade pública”, as ricas empresas financeiras do Estado estão aí para quebrar o galho. E depois não querem que o povo fique com raiva.


3 comentários

  1. Do Interior.....
    quinta-feira, 4 de junho de 2015 – 23:26 hs

    A demonização pregada pelo PT é mais abrangente. Alcança, principalmente, os trabalhadores da classe média e o agronegócio. O PT nunca trabalhou e tem raiva de quem trabalha. Como disse o grão mestre petista Stédile, o agronegócio é “criminoso”. Na mesma ocasião, no Rio Grande do Sul, a Presidente Dilma ressaltou a importãncia dos assentamentos rurais do MST e não desdisse Stédile. Marilena Chauí disse “odiar” a classe média (aquela que mais trabalha e paga impostos).
    Logo, o próprio PT cultua o ódio, apesar de jurar que são os outros que odeiam. O PT também odeia os trabalhadores pois estes não dão votos. Por fim, odeia o agronegócio por achar que são os agricultores são todos marginais, bandidos ou criminosos. Dilma não participou em nenhum evento do agronegócio no Brasil embora seja este que impediu uma maior queda no PIB, pois foi o ramo que mais teve alta e pesou na balança comercial.
    Como disse uma cidadã: “tudo que o PT põe o dedo dá errado”. E, nas atitudes de seus seguidores se vê porque.
    Fora PT
    Fora MST
    Fora Vermelhos comunistas!

  2. JÁ ERA ...
    sexta-feira, 5 de junho de 2015 – 6:15 hs

    Em uma democracia verdadeira e sadia poderia ser condenado a prática
    de vaia ou agressão em locais públicos, porem estas atitudes são demons-
    trações de repúdio que o povo está sentindo do PT. Ninguem aguenta mais
    e o pior, a certeza de que fomos enganados o tempo todo e que praticamen-
    te roubaram a esperança definitivamente é que transforma em agressão
    contra os ladrões do PT. Infelizmente chegamos no fim do poço !!!

  3. FUI !!!
    sexta-feira, 5 de junho de 2015 – 6:17 hs

    Os ladrões do PT precisam saber e sentir na carne que a época em que
    se roubava descaradamente e continuavam mentindo já foi. Hoje as infor-
    mações chegam muito rápidas e o povão burro diminuiu bastante…

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