Ideologia é só desculpa | Fábio Campana

Ideologia é só desculpa

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Mary Zaidan

Uma estranha identidade que associa a redenção dos pobres a práticas nada dignificantes: partidarização e ocupação do Estado, corrupção, enriquecimento ilícito, mutretas

Com truques, mentiras e hostilidade, o governo da Venezuela impediu que senadores brasileiros entrassem em Caracas. Uma besteira sem igual para Nicolás Maduro, um déspota despreparado, cada dia mais agonizante e aflito frente à profunda crise em que seu padrinho Hugo Chávez e ele próprio meteram o país.

Não bastasse, o governo brasileiro aumentou a lambança: o embaixador Rui Pereira recebeu, mas não acompanhou a comitiva; o Itamaraty tardou a se pronunciar e o fez de forma tímida, meramente protocolar. E a presidente Dilma Rousseff não deu um pio.

Em uma visita que poderia ser corriqueira, desprovida de charme, os dois governos ficaram na berlinda.

Mas por que raios ambos se expuseram tanto?

Não há como negar os laços do PT com o bolivarianismo e tudo que essa corrente autodeclarada de esquerda representa. Uma estranha identidade que associa a redenção dos pobres a práticas nada dignificantes: partidarização e ocupação do Estado, corrupção, enriquecimento ilícito, mutretas. Gente disposta a fazer o diabo para se manter no poder.

Fora o público cativo, os militantes cegos que a tudo dizem amém, é difícil crer que o ideário seja o principal elo.

As recentes descobertas da Polícia Federal apontando o envolvimento da petroleira estatal venezuelana com lavagem de dinheiro no Brasil que o digam.

Tudo indica que há muita linha para se desembaraçar no novelo. E que os nós são mais mundanos, monetários e pragmáticos do que ideológicos.

No auge de sua popularidade, o todo-poderoso Lula fazia mesuras a Chávez, cedendo-lhe mais do que o máximo. Celebrou com fogos de artifício a parceria da Petrobras com a PDVSA para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Mas Chávez não colocou um tostão. Orçada em US$ 2 bilhões, a obra bateu na casa dos US$ 20 bilhões, 100% bancada pela estatal brasileira, que hoje amarga o prejuízo.

Sabe-se pouco ainda das transações de Lula-Chávez-Odebrecht, empreiteira que na última sexta-feira teve seu presidente preso na Operação Lava Jato, suspeito de envolvimento direto na roubalheira que correu solta na Petrobrás.

Reportagem da revista Época, publicada em abril, informa que em um encontro com Chávez em Salvador, em 2009, Lula acertou, pessoalmente, o financiamento de US$ 747 milhões do BNDES para que a Odebrecht tocasse as obras do metrô de Caracas. Hoje, o valor do financiamento teria ultrapassado a casa de US$ 1,6 bilhão.

Já era muito, mas não parou por aí. À Venezuela ceder tudo virou mantra.

Durante o primeiro mandato de Dilma, Chávez conseguiu entrar no Mercosul depois de o Brasil apoiar e convencer seus pares a suspender temporariamente o Paraguai, único país que ameaçava a presença da Venezuela no bloco.

E João Santana, marqueteiro responsável pela vitória da pupila de Lula, desembarcou em Caracas para coordenar a campanha de Maduro. Com vídeos do metalúrgico que chegou à Presidência do Brasil e a repetição da fórmula de críticas às elites, Santana venceu apertado. Mas chegou lá.

Difícil apostar que a proximidade ideológica tenha orientado toda essa cooperação nada convencional entre os dois governos e provocado o clima de barata tonta na visita frustrada dos senadores a Caracas.

Na política não há espaço para ingênuos. E é ingenuidade crer no inverso.


6 comentários

  1. RR
    domingo, 21 de junho de 2015 – 14:08 hs

    UM JÁ ESTA NO LIMBO,VAMOS TORCER E ORAR PRA QUE O OUTRO NÃO DEMORE A DESCER.

  2. Jair Pedro
    domingo, 21 de junho de 2015 – 16:24 hs

    Pobre para esses crápulas, é só massa de manobra.
    Será lula homem com caráter suficiente para levar, no verão, pobres para desfrutarem de seu triplex na praia paulista?
    Alguém tem alguma foto do malandro acompanhado por algum
    pobre almoçando ou jantando em um fino restaurante?
    Lulinha, o homem que seu pai o classificou de “Ronaldinho dos negócios” é capaz de explicar de onde veio a fortuna que amealhou?
    E o sítio em Jundiaí com piscina e tudo mais?
    O calça frouxa sabe-tudo é capaz de sair da merda e explicar
    ou tem medo e continuar enterrado na merda?
    Fala lombriga londrinense!

  3. MANOEL BOCUDO.
    segunda-feira, 22 de junho de 2015 – 9:17 hs

    DOIS DOIDOS, JUNTOS PELO BEM DA DEMOCRACIA DA AMERICA DO SUL.
    NÃO É ATOA QUE A VENEZUELA ESTÁ NO CAOS. ATÉ SEM COMIDA PARA COMPRAR E O POVO APOIA UM LOUCO COMO O SUCESSOR DO CHAVES.

  4. Paulo
    segunda-feira, 22 de junho de 2015 – 9:35 hs

    O que esse bando foi faze na Venezuela o maduro deveria ter mandado prender e Dilma deixado porque não vem vê o que acontece no Paraná onde seus pares fazem pior que a Venezuela

  5. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 22 de junho de 2015 – 13:52 hs

    O une as esquerdas latrino-americanas é La Grana, La Bufunfa, Las Verdes, La Plata. De preferência, arrancada del pueblo…

  6. antonio carlos
    segunda-feira, 22 de junho de 2015 – 16:42 hs

    Estamos pagando o preço da teimosia, pedimos mais do mesmo e agora estamos tendo só o que pedimos. Mas no ano que vem vamos insistir no mais do mesmo? Guga não-faz-nada vai pagar o preço? Ou vamos continuar com o mais do mesmo? O nosso destino somos nós que escolhemos. Depois não adianta nada desfilar de coxinha reclamando da roubalheira pestista.

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