No reino da incoerência | Fábio Campana

No reino da incoerência

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O fato é que, quando o governo finge que é oposição e a oposição parece ser governo, as coisas vão muito mal

Editorial de O Estado de S. Paulo

É nos momentos de crise política mais aguda, como a atual, que se exige, mais do que nunca, coerência por parte das forças políticas que se digladiam na disputa pelo poder. Este não pode ser um fim em si mesmo, pois é apenas o instrumento para a promoção do bem comum. E é em função desse objetivo maior que as forças políticas, organizadas em partidos, atuam no Poder Legislativo tentando aprovar propostas que reflitam sua visão de mundo. E nesse embate os partidos se dividem, para efeitos práticos e tendo por referência o governo, em situação e oposição. Essa é a teoria, que na prática nem sempre funciona, especialmente em sistemas democráticos que ainda carecem de amadurecimento.

De fato, só mesmo a falta de amadurecimento político consegue explicar a incoerência de haver hoje no Brasil um partido que foi eleito para ser governo – o PT –, mas prefere, por conveniências eleitorais colocadas acima do interesse público, agir como oposição; e uma oposição, representada pelo PSDB, que deixa de lado seus princípios programáticos para, pelas mesmíssimas razões, tentar provocar um pouco efetivo desgaste no governo. Esse é o enredo da novela da tramitação no Congresso das medidas propostas pelo Planalto para promover o necessário ajuste fiscal.

É claro que fazer oposição implica necessariamente explorar as fragilidades do governo. Mas há duas maneiras óbvias de fazer oposição: a responsável e a irresponsável. A oposição é responsável quando capaz de estabelecer, nas situações-limite, o equilíbrio entre seus legítimos interesses partidários e o bem comum – ou o interesse público. No caso do ajuste fiscal, é óbvio que as medidas propostas pelo governo – que significam a admissão de graves erros que cometeu –, embora impopulares, são indispensáveis para o saneamento das contas públicas. E o próprio PSDB, se tivesse vencido a eleição presidencial, estaria hoje propondo ao Congresso providências semelhantes. Assim, sob qualquer ponto de vista, tais medidas correspondem ao interesse público.


4 comentários

  1. Palpiteiro
    sábado, 9 de maio de 2015 – 23:54 hs

    O editorial que fala do indicado de Dila ao STF está bem mais interessante. Nunca vi um jornal da importância do Estadão levantar tantas questões sobre um candidato a ministro do Supremo. O Paraná trilha uma senda lamentável ao apoiar cegamente qualquer um que seja do estado, somente por paroquialismo e provincianismo barato.

  2. Homero Marchese
    domingo, 10 de maio de 2015 – 10:19 hs

    Prezado Fábio, fui aluno de Fachin. Veja o que deveria ser perguntado a ele em sua sabatina:
    http://homeromarchese.com.br/2015/05/10/pergunte-ao-fachin/

  3. Beatrix Kiddo
    domingo, 10 de maio de 2015 – 15:20 hs

    O editorial pede que os tucanos apoiem o ajuste fiscal proposto pelo Governo pe$ti$ta, isto seria normal se vivêssemos em uma democracia normal. Mas não vivemos. Se deputado fosse votaria contra o Governo, não porque sou contra o pacote fiscal, ele é necessário, porém dando frutos logo, é o que esperamos, este Governo pe$ti$ta não terá a vergonha de dizer que foi ele que pôs as coisas no lugar. Assim pensando agem os tucanos, sabem eles que pouca desgraça é bobagem, este desgoverno só vai aprender no dia em que não tiver de onde mais tirar recursos.

  4. Johan
    domingo, 10 de maio de 2015 – 15:54 hs

    Caro FÁBIO, as manifestações dos agentes políticos TUCANOS devem ser entendidas com ressalvas, visto as dificuldades que estão encontrando e demonstrando para assumir que são OPOSIÇÃO aos membros do governo federal da ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA PETISTA. Senão vejamos as dificuldades do governo BETO e seus coligados na ALEP. Atenciosamente.

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