Morto em 2010, Janene sobrevive nos processos de corrupção | Fábio Campana

Morto em 2010, Janene sobrevive nos processos de corrupção

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Felipe Bächtold, Folha de S. Paulo

Figura central no escândalo da Petrobras, o ex-deputado paranaense José Janene ainda é alvo de uma série de ações na Justiça quase cinco anos após sua morte.

Processos cobram do espólio do ex-congressista do PP a devolução de dinheiro supostamente obtido com irregularidades na Prefeitura de Londrina, onde era a sua base eleitoral, e no mensalão.

Em 2014, por exemplo, o espólio de Janene foi condenado, junto com outras pessoas, a ressarcir em cerca de R$ 800 mil os cofres do município – o caso agora está no Tribunal de Justiça paranaense.

Agora a Procuradoria-Geral da República dá destaque ao papel de Janene no esquema de corrupção na Petrobras. Foi ele quem patrocinou a indicação de Paulo Roberto Costa a uma diretoria da estatal em 2004. Em delação, Costa e o doleiro Alberto Youssef descrevem Janene como o artífice do esquema.

Suspeitas sobre o patrimônio de Janene estão no embrião da Lava Jato, deflagrada há um ano. Em um dos processos da operação, a filha dele Danielle e o irmão Assad são réus acusados de lavagem de dinheiro, proveniente do mensalão, com a ajuda de Youssef.

Youssef disse que, após a morte de Janene, deputados do PP combinaram de repassar à família dinheiro vindo de projetos da Petrobras por “consideração por tudo que ele havia feito pelo partido”.

Na Justiça, ações o acusam de desvios em Londrina durante a gestão de Antonio Belinati (PP), no fim dos anos 90. O Ministério Público os acusou de fraudar licitações para abastecer campanhas.

Os desvios, diz o órgão, foram principalmente na firma local de urbanização, em pagamentos como a compra de equipamentos – lixeiras, por exemplo– e de serviços.

Em quatro das ações, os valores corrigidos cobrados dos réus chegam a R$ 4,5 milhões.

A morte de Janene aos 55 anos, em setembro de 2010, ocorreu antes do julgamento do mensalão. Ainda assim, uma ação de improbidade cobra do espólio e de outros envolvidos o ressarcimento dos danos ao erário. Janene foi deputado entre 1995 e 2007.

A defesa de Danielle Kemmer Janene, filha de Janene, disse que não poderia se manifestar a respeito dos processos relacionados ao espólio.

À Justiça, Danielle negou as acusações da ação ligada à Lava Jato e afirmou que não há detalhes na ação sobre de que maneira ela teria participado dos crimes apontados.

A defesa de Belinati diz que ele não teve participação nas irregularidades apontadas.

No Supremo, a defesa de Janene negou as acusações do mensalão. Disse que ele não votava sempre com o governo e que o dinheiro tinha origem legal.


2 comentários

  1. Johan
    sexta-feira, 3 de abril de 2015 – 15:13 hs

    Caro FÁBIO, há necessidade de acalmar a viúva e os filhos herdeiros na linha de que nada ocorrerá, haja visto, que por ISONOMIA o caso do DEPUTADO ESTADUAL NELSON JUSTUS, reeleito novamente em 2014, praticou em favor próprio desvios de recursos no mandato anterior, e os juízes TJPR indicaram que não podem fazer nada, pois toda a roubalheira praticada por ele, ocorreu em mandato anterior, portanto o judiciário, a magistratura não podem alcançá-lo e cassar o mandato, pois nesse mandato ele não praticou nenhum delito. Parabéns aos desembargadores do TJPR. Defendo a liberdade de opinião, liberdade de imprensa e liberdade de investigação. Apoio a mobilização dos CAMINHONEIROS e proponho a RENÚNCIA JÁ, da DILMA, agora no poder, para evitar a pratica de maiores VEXAMES e VERGONHAS, praticadas contra a sociedade brasileira. Atenciosamente.

  2. Luis Antonio de Sá BArreto
    sexta-feira, 3 de abril de 2015 – 22:26 hs

    Janene, mesmo morto continua sendo BANDIDO como continua sendo BANDIDO o Yussef et caterva. Sim ou não Sr. Moro?

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