Gastam-se bilhões, cortam-se centavos | Fábio Campana

Gastam-se bilhões, cortam-se centavos

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A um governo e uma presidente rejeitada por 64% dos brasileiros, não bastarão gestos tímidos como a retirada do privilégio de aviões da FAB para o ir e vir de ministros

Mary Zaidan

O Planalto nega. Talvez não aconteça. Mas parece que após conseguir adiar a votação do novo indicador da dívida dos estados – a primeira vitória de Dilma Rousseff no Congresso depois de reempossada -, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, aventura-se a falar em cortes. De custeio, de cargos e de ministérios, parte dos 39 que, na campanha, Dilma insistiu em dizer que não pesam nas contas públicas.

Ainda que mais uma vez o governo fique a reboque do PMDB, autor da ideia de reduzir para 20 o número de pastas, Levy admite uma reforma administrativa e o enxugamento na máquina, mesmo que seja apenas pelo caráter simbólico.

Símbolo para lá de necessário. Especialmente quando se pretende aprovar uma proposta de ajuste fiscal que, mesmo imprescindível, joga a conta inteira sobre os ombros dos pagadores de impostos.

Se feita com rigor, pode ser mais do que uma simples alegoria.

Exemplos recentes nos mostram isso. Em 1995, frente a um Estado falido, o então governador Mario Covas renegociou dívidas com terceiros, extinguiu quase três mil cargos de livre nomeação e cortou um terço da execução orçamentária. Quitou dívidas e obteve R$ 2,2 bilhões de economia para os cofres paulistas em menos de seis meses.

Sob a égide do petismo, faz-se o inverso. Os gastos só aumentam ano a ano.

Nada menos de 4,5 mil cargos de livre provimento foram criados nos 12 anos de governo do PT. E, ainda que boa parte seja atribuída a funcionários concursados, engordou-se a folha. E muito.

De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal e Informações Organizacionais do Ministério do Planejamento, o número de servidores da União saltou de 485,7 mil em 2002, último ano de Fernando Henrique Cardoso, para 613,6 mil em 2014.

Nas autarquias e fundações, onde é mais fácil alocar cupinchas, a proporção é ainda mais estarrecedora. Em 2002, o custo de pessoal nas autarquias era de R$ 13 bilhões e de R$ 4,2 bilhões nas fundações. Mais do que triplicaram: foram, respectivamente, para R$ 48 bilhões e R$ 14,9 bilhões.

Traduzindo em reais, a folha Dilma (servidores civis e militares) bateu em R$ 185,8 bilhões em 2014, R$ 126,3 bilhões a mais do que os R$ 59,5 bilhões de 2002.

Mais grave: os gastos maiores e crescentes estão entre os servidores ativos e não com aposentados e pensionistas, como poderia se imaginar. Ou seja: trata-se de multiplicação exponencial da máquina sem que isso se reverta em serviços ao cidadão.

A um governo e uma presidente rejeitada por 64% dos brasileiros, não bastarão gestos tímidos como a retirada do privilégio de aviões da FAB para o ir e vir de ministros aos seus lares. Ou a fala de Levy sobre uma futura e incerta reforma administrativa.

O país que foi às ruas em 15 de março e que se prepara para reocupá-las no próximo domingo quer muito mais do que símbolos.


7 comentários

  1. domingo, 5 de abril de 2015 – 19:12 hs

    Eleitores do Brasil,votaram em um analfabeto,que nunca estudou e trabalhou.Depois os Eleitores do Brasil votaram duas vezes em uma mulher que nao conseguiu administrar uma loja de 1.99,eleigerampara o Maior Empreza que a PRESIDENCIA da Republica. Vergonha para quem nao sabe votar!!

  2. A CULPA É DO FHC
    domingo, 5 de abril de 2015 – 20:12 hs

    O PODER REALMENTE EMBRIAGA.

    OS PETISTAS ESTÃO TOTALMENTE DISTANTES DA REALIDADE, AO ENTENDER QUE TODOS OS PROBLEMAS DO BRASIL SERÃO RESOLVIDOS SE OS JATOS DA FAB DEIXAREM DE ATENDER AS AUTORIDADES NACIONAIS.

    É COMO SE ESTIVÉSSEMOS PREOCUPADOS COM O CUSTO DOS “PALITOS DE DENTES” NO ORÇAMENTO DA BANQUETE.

    A COISA É MUITO MAIS GRAVE. VEJA-SE O QUE OCORREU NA PETROBRAS: 81 BILHÕES DE DESVIOS. O CARF – QUE ANALISA OS RECURSOS ADMINISTRATIVOS DE INFRAÇÕES FISCAIS APROXIMADAMENTE 19 BILHÕES.

    SENDO QUE NOS DOIS CASOS O GOVERNO TEM GERENCIA E CONTROLE SOBRE OS ATOS ALI PRATICADOS. ENTÃO TOLERA-SE 100 BILHÕES DE DESVIOS – ROUBOS AOS COFRES PÚBLICOS – E O GOVERNO SE INTERESSA COM GASTOS COM TRANSPORTES DE AUTORIDADES. FRANCAMENTE É UM GOVERNO DESAJUSTADO COM A REALIDADE!!!

  3. Strapasson
    domingo, 5 de abril de 2015 – 21:30 hs

    Irrefutável! Excelente texto.

  4. FUI !!!
    segunda-feira, 6 de abril de 2015 – 6:06 hs

    Eu acredito que mesmo com o impeachment da Dilma, as punições aos
    Petroleiros, Mensaleiros… já deixamos ir longe demais. Equivale a uma
    doença que avança e devasta tudo pela frente. No meio desta bagunça
    estamos todos nós que somos os contribuintes e povão que mal sabem
    de finanças mas que elegeram esta anta para Presidente. Infelizmente não
    vejo uma pequena luz que seja no final do túnel…

  5. NA CORDA BAMBA
    segunda-feira, 6 de abril de 2015 – 6:08 hs

    Hoje os babacas de políticos discutem ao “aumento” do salário mínimo
    e dos aposentados com a maior cara de pau. Isto porque o deles já estão
    garantidos sempre !!!

  6. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 6 de abril de 2015 – 10:29 hs

    O Brasil gasta bilhões financiando obras de vagabundos cucarachos pelo BNDES (com fundos do Tesouro Nacional, abocanhados do populacho infeliz pagador de impostos), como parte de um plano muitíssimo suspeito de ajuda à safardanagem bolivariana. Cortem-lhe os fundos.

  7. PIMENTA PURA
    terça-feira, 7 de abril de 2015 – 4:35 hs

    Este é o Brasil que não queremos para os nosso filhos e netos. O Brasil
    da desonestidade e sem rumo. Espero que todos os envolvidos nestas
    roubalheiras apodreçam na cadeia !!!

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