Fruet: "É o pior momento para ser prefeito" | Fábio Campana

Fruet: “É o pior momento para ser prefeito”

Foto: Henry Milleo – Gazeta do Povo fruet - henry milleo - gazeta

de André Gonçalves, Conexão Brasília, Gazeta do Povo:

O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), passou a quarta e quinta-feira passadas em Brasília. Foi uma das raras viagens à capital federal desde que encerrou o terceiro mandato como deputado federal, em 2010. “Olha, eu me desconectei completamente disso aqui”, confessou, em entrevista logo após se reunir para tratar do metrô com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab.

Fruet não mencionou saudades dos tempos de Câmara, quando foi apontado por oito anos consecutivos como um dos 100 nomes mais influentes do Congresso Nacional, em avaliação do Diap. Preferiu frisar o “orgulho” de administrar Curitiba, mesmo cercado de baixos índices de aprovação e em dificuldades nas pesquisas sobre a sucessão municipal, que acontece em 18 meses.

“Fico muito feliz de ser prefeito. Nunca consegui ter tanto equilíbrio e responsabilidade para saber absorver provocações de toda natureza. É uma honra, mas também tenho clareza: esse é o pior momento para estar no cargo”, disse.

O “pior momento”, segundo Fruet, não é um diagnóstico apenas individual da própria situação. É uma visão compartilhada por todos os colegas prefeitos de grandes capitais. “Depois de conversar com gente experiente como o Marcio Lacerda [prefeito de Belo Horizonte] e o Fortunati [prefeito de Porto Alegre], chegamos à conclusão de que a soma de crise política com econômica jogou todo mundo no cenário mais difícil dos últimos 20 anos, ainda pior para os municípios.”

Fruet incorporou a reivindicação municipalista por mudanças na distribuição de recursos e atribuições dos entes da federação. “Não existe nenhum lugar do mundo esse modelo de concentração das obrigações com as prefeituras.” A perspectiva, no entanto, seria ainda mais negativa: ele não vê qualquer possibilidade de aprovação de uma reforma do pacto federativo.

Especificamente sobre Curitiba, disse que o debate de 2016 precisa ser calcado em termos de responsabilidade financeira. Apontou que, se não tivesse optado por segurar as contas ao máximo, possivelmente o município entraria em uma espiral similar à da gestão estadual e não teria recursos para pagar as despesas básicas, como os salários dos servidores.

“Quem assumir a prefeitura, independentemente de eu ser reeleito ou não, terá de lidar com uma tendência sem volta em Curitiba: ou mantém um controle brutal de receitas e despesas ou a cidade se inviabiliza.” Fruet sabe, no entanto, que esse discurso contrasta com outra realidade atual – a onda de descontentamento generalizado da sociedade, que cobra cada vez mais eficiência do serviço público.

“A crítica é desproporcional à capacidade de resposta do poder público”, diz. Nesse aspecto, dá a batalha quase como perdida. “Temos uma relação de dependência enorme do poder público, o que é um processo cultural, da nossa visão de cidadania. É aquilo de esperar que venha tudo do poder público.”

Para ele, a questão desemboca em um processo de generalização negativa da vida pública. Que, finalmente, tornou-se em outro problema sem alternativa a curto prazo. “Talvez seja o diálogo, mas o que eu vejo em muitos casos é só intolerância. Vivemos um período de transferência de responsabilidades, em que a culpa é sempre do outro.”


9 comentários

  1. francisco
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 12:23 hs

    Isso que é auto avaliação, o pobrezinho do Fruet é ruim de doer como prefeito, antes tivesse continuado na câmara federal fazendo discursos e perturbando a vida dos colegas ladrões do congresso

  2. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 12:43 hs

    Tem aprovação quintuplicada do governador ,ué.

  3. Dosel Jr.
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 12:52 hs

    Ao se fazer um comentário sobre a administração Fruet, devemos levar em consideração os erros cometidos à conselho de Brasília, para formar um governo municipal tendo ao seu lado atores do PT que vinham de fracasso político e moral. Estes fatos, mais a realidade econômica que o Brasil vive e que Dilma escondeu e mentiu aos brasileiros durante a campanha para presidente, fez encolher de forma brutal as possibilidades de qualquer governante administrar uma cidade de forma que agradasse a todos. Ao lado de Fruet estão os representantes políticos do PT local da pior qualidade. É claro que Fruet podia se negar a trabalhar com esta gente. Talvez resida neste ponto o seu lado fraco: foi bonzinho e não meteu o pé na bunda destes vermelhos desprovidos de qualquer qualificação. Ainda tem tempo para mudar o jogo, tudo vai depender mais da cabeça de Fruet do que da cabeça de seus assessores.

  4. segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 14:12 hs

    ESSA É NOVA!!!MAIS UMA DESCULPA….

  5. Renato Britto Barros
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 14:58 hs

    Esse choro todos que conhecem o FRUET já sabiam que iria acontecer mais cedo ou mais tarde..
    Sempre foi um ótimo dep. Federal pois, lá só se fala e não se trabalha e agora o FRUET tem de trabalhar e como nunca trabalhou……só chora.

  6. JCS
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 18:43 hs

    Não estava pronto? falar é mais fácil que fazer, ganhou as eleições falando mal dos outros e não consegue fazer o dever de casa, em 2016 vai continuar dizendo que a culpa é da gestão passada…mas tem de lembrar que o PT já abandonou a campanha e vai lançar candidato.

  7. Beatrix Kiddo
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 21:00 hs

    Pois é Guguinha, você não está sozinho nesta parada, o teu amigo de infância, o Betinho também está. Na verdade não acredito que haja um só chefe de poder executivo hoje em Pindorama que esteja numa boa, nadando de braçada , a salvo da crise.

  8. Carlos Bahia
    segunda-feira, 13 de abril de 2015 – 23:08 hs

    Fruet está pagando o preço de sua vaidade. Não tem competência administrativa e conta com uma equipe de assessores inexperientes sem criatividade e preparo técnico. Os assessores gratificados, são as sobras que o Beto Richa deixou prá trás. Dos comissionados, mais esperto da turma um ex-prefeito de uma cidadezinha do interior o resto….. só ocupa espaço.
    Resta apenas chorar! Chora Fruet, que teus dias estão contados.

  9. FUI !!!
    terça-feira, 14 de abril de 2015 – 4:19 hs

    Desculpa desfarrapada, pois se o cara candidatou a Prefeito e venceu,
    não existe maré boa para nenhum político. Curitiba precisava de um Pre-
    feito que fosse político influente (e honesto, coisa difícil hoje em dia…) e
    que continuasse as obras tão necessárias para esta cidade. O cara pulou
    de galho em galho escolhendo partido político para vencer e hoje o macaco
    caiu do galho juntamente com o PT. Coincidencia !?

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