Os professores e o senso de urgência | Fábio Campana

Os professores e o senso de urgência

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Ao marcar sua assembleia apenas para a quarta-feira, o comando de greve parece demonstrar pouca pressa para resolver a situação

Editorial, Gazeta do Povo

Apesar de professores e governo estadual estarem a caminho de um entendimento que coloque fim à greve iniciada em 9 de fevereiro, a categoria resolveu realizar apenas na manhã da próxima quarta-feira, 4 de março, a assembleia que definirá se a categoria volta ao trabalho ou se a paralisação continuará. Enquanto isso, 1 milhão de estudantes da rede estadual, bem como suas famílias, aguardam pelo desfecho e pela retomada das aulas.

Grande parte da pauta de reivindicações foi atendida nas negociações com os secretários da Educação, Fernando Xavier Ferreira, e da Casa Civil, Eduardo Sciarra. Foram resolvidos, por exemplo, o depósito da rescisão dos professores temporários (embora haja reclamações de casos pontuais em que o dinheiro não chegou) e o pagamento integral, até 31 de março, do terço de férias referente ao fim de 2014, o equivalente a R$ 144 milhões. Mas a APP Sindicato, que representa os professores, se queixa de compromissos assumidos e ainda não formalizados, como a convocação de cerca de 5 mil docentes aprovados em concurso, ou a garantia do governo de que o chamado “porte escolar” (o tamanho máximo de turmas e o número de professores e funcionários em cada escola) seria mantido. O maior impasse que ainda parece persistir diz respeito às promoções e à progressão de carreira dos professores. O governo afirma que os funcionários administrativos serão contemplados em maio e os docentes, em junho. No entanto, a APP alega que essas promoções deveriam ter ocorrido no ano passado, o que exigiria pagamento de retroativos, um item que ainda terá de ser negociado.

A nota emitida pelo sindicato na quinta-feira (26), depois da última rodada de negociações e de uma reunião interna para avaliar as propostas, pede “resistência em relação às atitudes do governo” e diz que “é necessária a reabertura das negociações, uma vez que as propostas apresentadas são insuficientes para reverter o caos instalado no pior início do ano letivo de nossa história”. É aqui que surgem as dificuldades para que se chegue a um desfecho satisfatório para a paralisação. O tom do texto, assinado pelo comando de greve, parece refletir uma disposição para o confronto, o que é preocupante. A linguagem, sabemos, é importante para não deixar um grupo esmorecer em suas reivindicações, mas o ideal não seria aguardar que a categoria fosse consultada sobre a oferta do governo, antes de usar um palavreado que pode destruir pontes que estão em construção? Quem deveria definir se “as propostas apresentadas são insuficientes” são os professores reunidos em assembleia; o comando de greve certamente tem sua avaliação e é seu direito apresentá-la aos trabalhadores que representa, mas o tom impositivo faz parecer que a decisão já está tomada antes mesmo do evento convocado para deliberar sobre o assunto.

O regimento da APP determina que assembleias só podem ocorrer 48 horas depois da publicação de uma convocação em jornal de circulação estadual. Como a última reunião entre governo e docentes ocorreu na quarta-feira, dia 25, e no dia seguinte o Palácio Iguaçu encaminhou documento à APP com a oficialização dos compromissos assumidos, em tese haveria tempo hábil para realizar a assembleia já na segunda-feira, ou até mesmo no domingo, sem desrespeitar o regimento. Compreende-se que reunir uma categoria com representantes em todo o estado exige tempo e logística (para isso há o prazo de 48 horas definido nas regras internas da APP), mas ao mesmo tempo é difícil entender por que o sindicato aparenta não ter tanta urgência em definir se seus filiados aceitam ou não a proposta do governo. Não surpreende, portanto, que o Palácio Iguaçu tenha recorrido à Justiça para que a greve seja declarada ilegal e o ano letivo possa começar o quanto antes – uma ação que poderia ter sido evitada se a APP demonstrasse disposição em realizar rapidamente sua assembleia. Enquanto a disputa vai para os tribunais, os estudantes continuam a ter negado seu direito à educação. E, para quem está em casa, sem aula, dois ou três dias fazem uma grande diferença.


13 comentários

  1. LUIZ
    domingo, 1 de março de 2015 – 10:13 hs

    PELAS ” BANDEIRAS ” PRESENTES,DA PRA VER QUE TIPO DE ” PROFESSORES ” ELES SÃO.

  2. Antonio Alvaro Rosar
    domingo, 1 de março de 2015 – 10:41 hs

    Apesar de apoiar a greve com algumas restrições acho que tem que voltar imediatamente, pois se o governo baixou a guarda e deixou levar a pancada agora cabe a APP através de seus dirigentes conformarem-se com a meia vitória que para o Governo foi um nocaute. Se o juiz da vitória a alguém quem somos nós para contestar, principalmente no primeiro momentos, peça revanche, mas acatem as leis até para dar bom exemplo de como são as coisa e quais são os direitos de cada um, pois os alunos estão no fogo cruzado e muitos poderão sofrer com balas perdidas por parte de alguns atiradores despreparados, recolha as armas e se possível use-as após longo tempo ou mesmo deixem enferrujar e usem a munição do dialogo e sem egoísmo de cada lado, prudência, prudência é o que falta para alguns.

  3. XERETA
    domingo, 1 de março de 2015 – 11:37 hs

    Os renitentes são os barbudos, notem..

  4. Zé Venancio
    domingo, 1 de março de 2015 – 12:34 hs

    Gato escaldado tem medo de água fria, seu Campana…

  5. Mírian Waleska
    domingo, 1 de março de 2015 – 13:47 hs

    Tem que meter um CPI em cima dessa APP-Sindicato.

  6. Juca
    domingo, 1 de março de 2015 – 15:38 hs

    Na verdade a greve está politizada e o PT não tem interesse em acabar com a greve. Aquele tal de Leãozinho está a serviço do PT para dificultar as coisas para o Governo do Paraná.

  7. esperto
    domingo, 1 de março de 2015 – 18:17 hs

    estudantes e pais… he he he o pete vaite…

  8. Selbach
    domingo, 1 de março de 2015 – 18:27 hs

    A questão não é resolver o problema dos professores e sim levar o sexta feira 13, numa tentativa de colar o protesto nos demais movimentos anunciados em defesa da Petrobrás, Tudo na tentativa de somar valores que possam serem medidos com o pedido de afastamento da presidente que ocorrerá no domingo.Faço uma pergunta aos leitores deste blog: olhem com atenção as bandeiras que estão na foto acima e comparem com as camisas do comandantes deste movimento. Salvo um erro de cálculo, em cada 10 manifestantes no máximo três são professores, o resto são baderneiros profissionais que passam o dia nas barracas comendo lanches de boa qualidade bancados pelos deputados do PT. Ou vão me dizer que eles estão lá sacrificando seus empregos e pagando do próprio bolso a sua alimentação?

  9. mana
    domingo, 1 de março de 2015 – 21:47 hs

    Se o funcionamento de uma escola fosse conhecido por todos que gostam de dar palpite e chamar professor de ” classe de vagabundos” com certeza estariam solidarios a manifestacao….

  10. EDNA D
    domingo, 1 de março de 2015 – 22:23 hs

    Em relação à greve do Professores, na qualidade de pai de aluno matriculado na rede publica de Ensino, entendo e sou favor da maioria das reivindicações do magistério e dos funcionários publico em geral do estado do Paraná, no entanto, no meu ponto de vista a qualidade do ensino vai alem de bons salários e boa estrutura escolar, temos que debruçar em cima do tema para descobrir a real causa do fraco desempenho dos alunos, não precisamos ter visão muito aguçada para enxergar aberrações que nada contribuem para melhor, vejamos:
    – Eleição para diretores escolar, onde o voto dos professores e funcionários das escolas tem peso maior do que dos alunos e dos pais dos alunos, é lógico que se pudéssemos escolher o chefe/diretor, iríamos escolher o chefe bonzinho, aquele que não vai cobrar desempenho.
    – Qual a razão da maioria dos Professores matriculam seus filhos em escolas particulares, demonstrando dessa forma não acreditam em sua própria instituição.
    O interessante é que as escolas particulares com raras exceções tem estrutura inferior as das escolas publica e seu corpo docente é composto pelos mesmos professores que atuam na rede publica, qual o motivo da qualidade do ensino ser superior?
    Não será em razão das escolas particulares terem quem mandam?

  11. Indignada
    domingo, 1 de março de 2015 – 23:42 hs

    o que nos indigna é a ingenuidade de alguns que ao invés de acompanhar o andamento da escola, observar o que acontece pra se certificar das mentiras destes políticos, ainda acreditam nestas mentiras propagadas por eles. Minha escola vem adiando pagtos aos fornecedores desde agosto/2014 á espera do fundo rotativo. A educação é muito mais do que depositar alunos dentro de uma escola esperando que os professores se virem como podem pra tentar ensinar alguma coisa, sem condições estruturais minimas para que este ensino aprendizagem aconteça. Governador MENTIROSO! Assume suas responsabilidades ao invés de ficar neste jogo de empurra, empurra!…até parece que a situação fosse como ele coloca teríamos 100 % das escolas aderindo a este movimento e ainda as Universidades! Aonde mesmo que está falta do bom senso?????

  12. COELHO RICOCHETE
    segunda-feira, 2 de março de 2015 – 8:49 hs

    Cobradores e motoristas de ônibus voltam ao trabalho meia hora depois de fechado o acordo quando tem uma greve.

    Os professores tão fazendo doce pra ensinar o quê?

  13. henry
    segunda-feira, 2 de março de 2015 – 9:27 hs

    POUCA PRESSA??? ESTES “vagabas petistas”, NÃO QUEREM É TRABALHAR. QUEREM AUMENTO E RECEBER SEUS SALÁRIOS SEM O DEVIDO TRABALHO. SEGUEM O EXEMPLO DO SEU líder MÁXIMO, E QUE NUNCA NA VIDA TRABALHOU, O TAL lula 51.

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