Dilma flerta com o perigo | Fábio Campana

Dilma flerta com o perigo

Merval Pereira

Em busca de apoio político, a presidente Dilma deu mais um passo em falso ontem ao ir ao encontro do líder do MST José Pedro Stédile, aquele cujo exército Lula ameaçou convocar caso a situação política o exija.

Diante do incômodo que a expressão causou entre os cidadãos comuns, e, sobretudo, entre os militares, que fizeram chegar ao ministro da Defesa Jacques Wagner o desconforto com a alegada metáfora, fora de hora por belicosa e por colocar-se em contraponto ao Exército brasileiro, a presidente Dilma não poderia ter lugar mais polêmico para ir do que o assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, sua terra.

E ainda por cima ouviu de Stédile, mais que conselhos, orientações de como deve governar. É bem verdade que a chamou de “quase uma santa”, e prometeu defendê-la dos “golpistas” que falam em impeachment. Mas para tal deu sua receita: disse que nenhum ministro deve “se sentir superior ao povo”, e recomendou que eles sejam “mais humildes” para ouvir “o povo, as nossas organizações, para saber onde tem problema”.

“Por que o seu (Joaquim) Levy não vem discutir conosco? Não é só cortar e cortar”. Stédile chegou a propor a Dilma que chame o povo “para baixar a taxa de juros”. Também criticou a “classe média reacionária” que foi às ruas no dia 15 de março para protestar contra o governo, e anunciou uma manifestação do MST no dia 7 de abril para defender o governo.
Aproveitou para conclamar a presidente da República para sair do Palácio do Planalto e ir também para as ruas. Como da outra vez, dias antes de uma manifestação que já está sendo convocada contra o governo Dilma para o dia 12 de abril. Se havia dúvidas sobre a viabilidade dessa manifestação entre os que a organizam pelas redes sociais, a marcha do MST deve indicar que ela se torna necessária.
Dilma, em entrevista depois dos atos do MST, defendeu o direito de Stédile dizer o que acha, e preferiu criticar os que se manifestaram contra ela nas ruas do país. “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.
Esse naturalmente é mais um equívoco de Dilma, em busca de apoio fora do jogo político tradicional, mesmo que tenha afirmado que não concorda com tudo o que Stédile disse. Essa é mais uma característica dessa crise: a presidente da República é minoritária dentro de seu campo político.
Ela depende do PMDB, do PT, do ex-presidente Lula, e até mesmo do MST, se levarmos em conta que foi atrás dele num momento especialmente delicado da vida nacional, quando as ruas passaram a ser o palco da ação política a favor e contra seu governo e o PT.
A manifestação dos chamados “movimentos sociais” – MST, CUT, UNE – na sexta-feira que antecedeu o grande protesto que colocou mais de 2 milhões de pessoas nas ruas do país contra o governo Dilma, revelou uma fragilização desses movimentos que frustrou o objetivo de demonstrar força contra a “elite de mierda”, como Stédile se referiu à oposição em comício recente na Venezuela em favor de Maduro.
Nada disso impedirá, e ao contrário aumentará a pressão, para uma reforma ministerial desejada, por razões distintas, por todas as forças que fazem parte do grupo político que a sustenta. Dilma terá que resistir entrincheirada no Palácio do Planalto onde acolhe um grupo de apoiadores minoritários entre as diversas facções do PT.
A reforma que a esquerda petista quer não é a mesma do PMDB, e o que o MST quer não combina com o que o governo pretende para o agronegócio brasileiro. Neste momento, o arroubo de negar uma reforma ministerial mais ampla é mais uma tentativa de firmar sua liderança, e deixar de ser vista como um fantoche do Lula.
Mas é uma tentativa que tem pouca chance de vingar, pois ela não tem força política para esse tipo de arroubo. Corre o risco de queimar a língua mais cedo do que se pensa.


12 comentários

  1. Cajucy Cajuman
    sábado, 21 de março de 2015 – 11:24 hs

    Pergunta que não quer calar: este Stédile por que ainda não está na cadeia? Motivos não faltam e também do seu ajuntamento de homens-bomba contra os direitos dos cidadãos decentes garantidos pela Constituição Federal.

  2. Palpiteiro
    sábado, 21 de março de 2015 – 11:35 hs

    Dilma obedece ao seu amo e senhor e foi açular as falanges de assalto do lulopetismo e honrar seu líder, o Reichsfuhrer da roça.

  3. Juca
    sábado, 21 de março de 2015 – 12:51 hs

    Essa acéfala está procurando a forca. E esse sujeiro chamado Stédile está atacando a Dilma porque provavelmente não está recebendo dinheiro ou secou a fonte da Petrobrás (por enquanto). Tanto é verdade que até agora estava quieto.

  4. sábado, 21 de março de 2015 – 13:00 hs

    MST, e composto por vadios e vagabundos,que andam em busca de terras desapropriadas,pelo,governo,já anteriormente combinadas,com o proprietário do terreno com o setor do governo Federal,acampam nas estradas nem todos,mas tem que ter uma barraca no local,nao morar nesta barraca nao necessariamente,após a desapropriação,decidem entre eles, nao plantam nada,porque a Dilma manda um sesta de 90 jilós para cada um,ninguém planta nada e já poen a venda.ISTO E MST

  5. Paolo
    sábado, 21 de março de 2015 – 13:28 hs

    Na verdade, acho que Dilma também está “cagando e andando” para o que pensa a parte honesta do povo brasileiro!!! Por quê falo em “parte honesta do povo”? É porque, como é sabido, só desonestos votam no PT!!!

  6. Edson
    sábado, 21 de março de 2015 – 13:47 hs

    Onde será que fica o pedaço de terra em que o Stédile puxa o cabo do guatambú, para produzir arroz, feijão ou qualquer outro cereal para alimentar a população? Pelo jeito fica na Venezuela. Também pelo jeito, seu cabo de guatambú deve ser invisível, pois ninguém consegue ver calos em suas mãos! A tia Dilma está recebendo o que merece e, vem mais por aí! Nem Napoleão após Waterloo se sentiu tão só e tão perdido. O Reino de SaPTanás está mesmo dividido. Não subsistirá!

  7. daniel
    sábado, 21 de março de 2015 – 16:52 hs

    CUIDADO DILMANTA, LULANTA E STEDLANTA. ESTÃO CUTUCANDO ONÇA COM VARA CURTA! PORQUE NÃO VÃO EMBORA DESTE PAÍS! PEGUEM O SEU “EXÉRCITO” VERMELHO DE ARAQUE E VÃO MORAR EM CUBA DESGRAÇAS! APROVEITEM A PASSAGEM SÓ DE IDA E LEVEM OS DESTRUIDORES DA PETROBRÁS (LADRÕES DO DINHEIRO PÚBLICO)!

  8. sábado, 21 de março de 2015 – 17:58 hs

    Neste MST,nao tem um trabalhador rural,sao malandrao protegidos,pelo vagabundo,do lula e dilma

  9. Do Interior....
    sábado, 21 de março de 2015 – 20:45 hs

    Movimentos sociais para o PT é MST e CUT e não os movimentos de 15 de março. Movimento social é quem apoia o socialismo petista. Manifestações como as de 15 de março são reacionárias. Claro, fazem oposição a idéia de que MST e CUT devem orientar o governo e as pessoas.

    Como disse padre Paulo, o socialismo e o Marxismo é o mal da humanidade.

    Fora PT
    Fora Stédile
    Fora MST
    Fora bolivarianismo bandido.

  10. JÁ ERA...
    domingo, 22 de março de 2015 – 5:31 hs

    A Dilma está queimando um a um as chances de permanecer no
    governo. Quando o país inteiro trabalha contra ela, a própria sai de
    encontro logo com quem !? Stedile, o malfeitor que infecta este país
    orientando contra os bons costumes. Invasor de propriedades parti-
    culares e até do centro de pesquisas. Baderneiro de marca maior
    É apoiando estes caras que a Dilma quer continuar no poder !?

  11. Ricardo Cauduro
    domingo, 22 de março de 2015 – 10:34 hs

    Esta dilma, não é Gaúcha!

  12. Flávius
    domingo, 22 de março de 2015 – 14:40 hs

    A Presidente Dilma realmente está sem noção do perigo. Essa participação junto a Stédile, essa marcha convocada para o dia 07 de abril em “apoio” ao governo (esse tiro vai sair pela culatra), essa visão que quem foi as ruas dia 15 de março é a “classe média reacionária” (Stédile), a afirmação dela que “tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”. Uma governante que afirma que “o que querem não me interessa” não pode querer que acreditem que é uma democrata, que está aberta ao diálogo, que está disposta a compor, mudar, reformar. Outra coisa, se as pessoas estão na rua se manifestando é porque são a favor do Brasil e não contra. A favor, só a favor, como são a favor da Petrobrás e contra sim aos malfeitos nela realizados.
    Sou contra qualquer golpe, como sou contra o atual PT, mas sou e sempre serei a favor da Democracia! Não vamos confundir as coisas!

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