Novo promotor do caso Amia pede indiciamento de Cristina Kirchner | Fábio Campana

Novo promotor do caso Amia pede indiciamento de Cristina Kirchner

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BUENOS AIRES – O novo responsável pelas acusações apresentadas pelo promotor Alberto Nisman, morto com um tiro na cabeça em 18 de janeiro, assinou nesta sexta-feira um requerimento para indiciar a presidente, o chanceler Héctor Timerman e outros envolvidos no relatório de 300 páginas escrito pelo promotor. Gerardo Pollicita investigará o grupo de encobrir acusados do atentado de 1994 à Associação Mutual Israelita Argentina. Chefiado pelo juiz Daniel Rafecas, o promotor não deve pedir ainda um depoimento da presidente.

Pollicita começou nesta sexta-feira a tomar medidas para tentar comprovar as afirmações que Nisman fez ao longo de sua denúncia. Para isso, ele oficialmente confirmaria que o teor das acusações nasceu de fatos comprováveis, e não inventados — versão na qual o governo tem insistido. Ele pediu indiciamento formal de Cristina, Timerman, o líder sindical Luis D’Elia e o deputado Andrés Larroque.

Entre os principais pontos da acusação, estão um suposto esforço da presidente e de líderes sindicais para negociar com membro de alto escalão do Irã que mantinham relações com os acusados do atentado a carro-bomba que matou 85 pessoas em Buenos Aires. Até mesmo o então embaixador venezuelano em Buenos Aires foi citado por Nisman, que morreu um dia antes de apresentar formalmente os termos da denúncia no Congresso.

O “Clarín” apurou que o juiz Rabecas planeja centrar as investigações nas motivações e nas fontes do promotor para realizar a denúncia. Nisman tinha como foco a quebra de sigilo de informações do ministério das Relações Exteriores, já que acusava o chanceler Timerman de ser interlocutor da Argentina com o Irã no suposto encobrimento. Nisman chegou a cogitar a prisão de Cristina e do chanceler.

O governo acusou uma tentativa de desestabilização democrática com um possível indiciamento.

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— Indiciar não tem qualquer valor nem importância em questões judiciais. Apenas provocaria estrépito na sociedade — condenou Aníbal Fernández, secretário-geral da presidência.

Alguns dos temas centrais da acusação de Nisman apontam que os membros do governo de Cristina fizeram uma aproximação secreta com o alto escalão iraniano em 2011, condicionando negociações sobre petróleo e energia ao apoio a acusados vinculados ao governo e ao Hezbollah. Em 2012, os dois países assinaram um memorando de entendimento para investigar o caso Amia, com apoio das famílias das vítimas. O promotor garantia que os termos do acordo estavam pré-definidos muitos meses antes entre a chancelaria argentina e interlocutores dos acusados.

De acordo com o promotor, durante o governo de seu falecido marido, Néstor Kirchner, a Argentina mantinha linha dura no caso, e não negociava com o Irã.


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