Nada de novo no front | Fábio Campana

Nada de novo no front

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Nem chegamos ao carnaval e Cunha já fez o seguinte: aprovou o Orçamento Impositivo, criou a CPI da Petrobras, “demitiu” Pepe Vargas, acelerou a Reforma Política

Murillo de Aragão

Em que pese o estardalhaço das manchetes, a sequência de derrotas e corretivos que a Câmara dos Deputados impõe ao Palácio do Planalto não surpreende.

Há pelos menos três anos, sabe-se que a situação da relação entre parlamentares e governo ia de mal a pior. A boa vontade, de ambos os lados, que existia nos tempos de Lula simplesmente desapareceu.

Entre as várias agendas negativas dos últimos tempos, destaca-se a decisão do Executivo em restringir a execução das emendas de parlamentares ao Orçamento.

Nos tempos de Lula, existia uma regra “não escrita” que estabelecia a execução escalonada de quase 100% das emendas orçamentárias de aliados. E, cerca de 50% do valor das emendas da oposição.

O governo empurrava com a barriga a execução das emendas e modulava a liberação de acordo com as votações importantes. O que sobrava no final do ano atendia emendas de bancadas e pedidos emergenciais. E todo mundo fica mais ou menos feliz.

No governo Dilma, a lógica foi outra. Passaram a “morrinhar” as emendas dos parlamentares. Os “top guns” eram atendidos e o baixo clero ia ficando para trás. Entre outros desencontros.

A consequência foi a crescente insatisfação que resultou, entre outras coisas, no fortalecimento de Eduardo Cunha como líder supra-partidário.

Com um passivo enorme de descontentamento e sem estratégia política adequada, o governo resolveu derrotar Cunha. Era uma derrota mais do que aguardada. Uma canoa furada. Nada de novo. Já que a vitória de Cunha não é novidade, o que é então?

A forma como está governando a Câmara após a vitória.

Com um menu intenso de medidas de autonomia e independência de grande impacto. Surpreende, também, o “timing” de implantação das mesmas.

Nem chegamos ao carnaval e Cunha já fez o seguinte: aprovou o Orçamento Impositivo, criou a nova CPI da Petrobras, “demitiu” Pepe Vargas da coordenação política, acelerou o debate da Reforma Política contra os interesses do PT, anunciou o “convite” semanal dos ministros ao Congresso (com a ameaça velada de virar convocação mandatória caso não compareçam), entre outras.

O governo, pelo seu lado, está atordoado. Tanto pela perda de popularidade quanto pelos problemas com o Congresso. Apela para a criação de uma nova estratégia de comunicação.

No fundo, parece não saber como reagir. Talvez seja mais simples e adequado revitalizar os interlocutores na esfera política e dialogar regular e consistentemente.

Sobretudo, reconhecer que temos um governo de coalizão e que a participação e a pluralidade são princípios básicos. Caso contrário, o baile que está levando da Câmara pode continuar por um bom tempo.


Um comentário

  1. Beatrix Kiddo
    quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 – 20:00 hs

    O presidente da Câmara começou com tudo o seu ” reinado de terror, passou o “trator” por cima do desgoverno da camarada Dilma. Agora deputado federal não precisa ir com o pires na mão bater na porta do gabinete do Mercadante, implorando à camarada Dilma pelas verbas que solicitou. Será que a camarada Dilma vai aceitar o “orçamento impositivo” sem espernear bastante? Tem todo o Carnaval para por os nervos em dia.

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