Guerra declarada | Fábio Campana

Guerra declarada

Artigo de Luiz Geraldo Mazza na Folha de Londrina

O pacote de restrições fiscais é indispensável e funciona como penitência para o governo abusivo. Aliás, isso vem de longe e a responsabilidade cabe a mais personagens do que Beto Richa, afinal herdeiro de situações anômalas desde Lerner e que se agravaram nos dois períodos de Requião.

Embora com lastro na maioria parlamentar, disciplinada na obediência, não poderá evitar conflitos como as greves, uma delas já cogitada pela APP-Sindicato, e alguns choques no Judiciário em relação a algumas dessas medidas que agridem direitos adquiridos e princípios constitucionais.

O contigenciamento de 25% do orçamento, cerca de R$ 13 bilhões, isso é submetido a bloqueio e o melhor remédio para conter a sanha da gastança, dá uma noção da gravidade do diagnóstico e da agudeza do remédio. Dureza e menos concessão para devedores com programas de recuperação fiscal que assegurem que sonegadores responderão patrimonialmente pela omissão. A Dívida Ativa de meio orçamento é, de fato, uma patologia incômoda no cenário recessivo.

Pela primeira vez em nossa história, cuja tradição é de triunfalismo e oba-oba por causa de nossa inesgotável capacidade de recuperação, na verdade do mercado, do trabalho das pessoas e não do Estado imprudente que gigoloteia o esforço social comum. Tanto é que ele, além de ineficiente, tem sido um ator autofágico entretido nas artes de deglutir a arrecadação e ainda ficar devendo como se dá há tanto tempo. Falava-se que carecíamos de uma ideia-força: está aí uma que faz do sacrifício uma obra de reconstrução. Aliás, etimologicamente sacrifício é o sagrado ofício, agora o de defender a austeridade, a discrição, o de em lugar das havaianas usar as sandálias franciscanas.

Riscos
É, por isso, que o governo não pode continuar dando recursos que não tem no subsídio do transporte coletivo metropolitano colocado sob ameaça com as armas da chantagem do prefeito Gustavo Fruet. Derrotas políticas – em greves e atos públicos, passeatas – serão comuns para os dois governos e que se tiverem um mínimo de sensibilidade não transferirão suas responsabilidades.

Ontem, no TRT, nova rodada sobre aumento de cobradores e motoristas, com a greve imaginada para jogar a autoridade, outra vez, na parede.


11 comentários

  1. Roberto
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 12:44 hs

    O Fruet tem dinheiro em caixa… Não podemos acreditar neste “papo” furado de “rombo” sem uma auditoria externa…

    Cadê as prestações de contas ao TC?

    E se houve rombo, cadê as providencias judiciais contra os “arrombadores”?

  2. COMANDO
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 12:44 hs

    Governantes infiéis…

  3. Sergio Silvestre
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 13:03 hs

    Se o estado vem em situação difícil a anos vamos derrubar o prédio do tribunal de contas que todo ano aprova as contas destes governos.
    Com todo respeito ao grande Mazza,mas os políticos matam a mãe para pegar essa herança maldita,imaginem se ela fosse bendita.
    O grande problema é a corrupçã,hoje cada real investido outro vai para os bolsos de alguem

  4. Ferando
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 14:16 hs

    Muito bom o texto do Geraldo Mazza, somente um equivoco, o grave problema de finanças do Parana não decorre das duas gestões de Requião, mas sim das três, pois da primeira administração que se originou todo o percurso precário financeiro do Estado, dentre outros erros, mas principalmente da previdência que numa tacada, requiao acabou gerando um rombo de mais de 10 bilhões que se avoluma ate hoje.

  5. Sergio Silvestre
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 14:41 hs

    Impressionante o comentário muar do ferando,quer dizer que lá tráz o Requião ferrou o Lerner e depois do Lerner o Requião voltou e ferrou os dois mandatos do Beto Richa.
    Cara,olhe como eu espanto de tão grande idiotice essa sua,os caras se matam para ser governo e põe a culpa nos outros,era emprestimos,agora é herança,vai te catar cara.

  6. Zangado
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 14:57 hs

    Silvestre tem razão.
    Há tempos, diria décadas, não temos um gestor governamental, tivemos meros carreiristas que sempre deixaram suas “heranças malditas” para os sucessores ou para si mesmos, como agora.
    Aponte as obras ou os serviços desses governadores que ficaram para a posteridade? Ficaram os imbróglios com pesados ônus à sociedade.
    Existe um compadrio escabroso entre os poderes públicos no Paraná que não permite controle e responsavilizaçao dos malfeitos dos governantes e de do alto escalão de governo.
    Só a sociedade pelos meios a sua disposição pode pôr cobro a esse estado de coisas.
    Responsabilização é a palavra que não existe no Estado – The king can do no wrong – está é a lei superior vigente.

  7. Xerpajr
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 14:57 hs

    Sergio Silvestre?

    Acho que você é SERGIO SILVESTRE REQUIÃO

  8. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 15:26 hs

    Concordo com o L.G. Mazza, claro.Sou leitor dele desde quando correspondente da Folha de Londrina em Santa Isabel do Ivaí, fins dos anos sessenta. (thamos véios, hein, véio?) E com o Ferando (não seria Fernando?).
    Falta, portanto, ao governo BR, comunicação.
    Para os seus defensores – eu no meio, fica difícil explicar as razões que o levaram a tomar atitudes tão antipáticas quanto inaceitáveis, tanto para o magistério, quando para o barnabé ocupante do último degrau do quadro geral do funcionalismo público.
    Da decisão dele, duas certezas: Ou deixa o governo coroado como Estadista, ou deixa o Governo estigmatizado como Estraguista.

  9. Observador
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 15:27 hs

    Eu só não consigo entender porque essa crise financeira não atinge o Judiciário, Ministério Público, Assembleia, pois quanto mais tem arrocho, mais eles se locupletam com aumentos salariais, auxílios alimentação e moradia -mesmo para quem tem casa- sem contar que se o casal for da carreira, são dois auxílios moradia, isso PODE ARNALDO?

  10. sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 18:17 hs

    O que a APP(CUT) faz além de greves para mostrar serviço??
    Enquanto tiver que sustente os sindicatos petistas será sempre assim, armar confusão, aparecer na mídia e conseguir novas verbas e continuar o círculo vicioso

  11. Jack
    sábado, 7 de fevereiro de 2015 – 0:07 hs

    A questão é que o Beto não teve nenhuma medida de austeridade no primeiro mandato, só gastou, gastou e gastou, tudo pra se reeleger. Se tivesse sido mais comedido, talvez essas medidas não fossem necessárias agora. Se tivesse aumentado os impostos no primeiro governo e gastado menos, certamente não chegaríamos a esse ponto. Mas a questão é que havia um projeto de poder em curso, e isso foi muito bem camuflado.

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