Dilma, em queda livre, procura tábua de salvação | Fábio Campana

Dilma, em queda livre, procura tábua de salvação

O governo procura uma bússola e uma tábua de salvação. A avaliação sobre o governo cai vertiginosamente

Gaudêncio Torquato

A viabilidade do segundo mandato – Um bom governante, como um bom estrategista, não pode empreender qualquer movimento ou plano que deteriore seu vetor de peso. A lição é do professor Carlos Matus, que mostra, em seu livro Estratégias Políticas, como os gestores governamentais devem agir para viabilizar suas administrações e fortalecer seu capital político.

O sociólogo aponta quatro variáveis que balizam o sucesso ou o fracasso de um governante: a viabilidade política, a viabilidade econômica, a viabilidade cognitiva e a viabilidade organizativa. Tentemos puxar esse conjunto de possibilidades para uma avaliação, mesmo passageira, da presidente Dilma Roussef, na decolagem de seu segundo mandato.

De início, vale registrar que a mandatária terá pela frente quase quatro anos no comando do governo, tendo condições, portanto, de resgatar prestígio e credibilidade, à medida que o país volte a crescer e, por consequência, o Produto Bruto da Felicidade Nacional (PNBF) expanda sua taxa junto aos segmentos da pirâmide social. Mas a pergunta está no ar: quando isso vai ocorrer?

A hipótese mais corriqueira é a de que o país entrará em prolongado ciclo de baixo crescimento, com nuvens sombrias pairando sobre os horizontes da economia e da política, com reflexos impactando o ânimo social. Sob essa moldura, podemos fazer o exercício analítico usando as variáveis do ex-ministro chileno do governo Allende.

Na frente política, o segundo mandato da presidente Dilma começa com um revés, a eleição do deputado Eduardo Cunha, transformado por inabilidade da articulação política do governo, no ícone das oposições, quando seu partido, o PMDB, faz parte da base governista e o vice-presidente da República, Michel Temer, é o comandante do partido.

O mais provável é que Michel, por sua habilidade, consiga aparar arestas, mas o novo presidente da Câmara não perderá a oportunidade para fustigar os costados do governo. O Parlamento deverá abrir mais um inferno astral, nas próximas semanas, quando cerca de 30 a 40 nomes de políticos aparecerão na lista de propinas da Petrobras.

Infere-se, portanto, que o corpo parlamentar das duas Casas congressuais estará mergulhado na lama suja que jorrará da ex-empresa orgulho do Brasil. Some-se isso às demandas reprimidas da base governista e ao grito estridente dos oposicionistas para se chegar à hipótese de que a relação entre Executivo e Legislativo será cheia de percalços. Pelo menos, no curto prazo. Se o clima ambiental piorar, a partir do bolso mais apertado das classes médias e cesta básica menor nas margens, é razoável aduzir que a presidente Dilma prolongará seu calvário.

A nomeação de Aldemar Bendini para dirigir a Petrobras não estanca a sangria na empresa. Sua imagem não é boa. Portanto, a viabilidade política da presidente tende a entrar em curto circuito, ainda mais quando o PT, ente que está no centro do poder há 12 anos, enfrenta a maior crise de sua história. Comemora 35 anos sob pedradas e com o cofrinho cheio: US$ 200 milhões de dólares de propina em 10 anos, segundo o delator Pedro Barusco. Desce o despenhadeiro, rachado em bandas e seu líder e guru, Lula, amarga dias de Sibéria, afastado pelo novo núcleo duro que dá plantão no Palácio do Planalto, Aloizio Mercadante à frente.

Na frente econômica, Joaquim Levy suga verbas de todos os lados, na crença de que a ortodoxia – leia-se cortar despesas e aumentar receitas – será a salvação da Pátria. Pode ser. Mas sua mão de tesoura apertará bolsos e estômagos das margens sociais, inclusive os grupamentos já assistidos pelo Bolsa Família, além do contingente que ascendeu à classe C.

A insatisfação social funcionará como rolo compressor junto à área política. Os gogós das ruas gritarão contra o sufoco dos bolsos, fazendo emergir a hipótese: antes de ser salva pelo “Deus economicus”, a presidente passará boa temporada no fundo do poço da imagem.

A viabilidade organizativa deriva das anteriores. Como poderia o governo ter um bom desempenho em um ano de vacas magras, de cortes e ajustes? Difícil. Fazer mais com menos é difícil, quando se sabe que a deterioração de serviços públicos vem de longe. Não se pode esperar por melhoria quando as estruturas estão de pires na mão. A organicidade governativa está à deriva, esperando a tormenta passar. A gestão passa por congestão. Chegamos à viabilidade cognitiva, que é pequena. A imagem do governo é negativa. Corroída por escândalos. Com dificuldade de suportar o tiroteio do Legislativo.

O governo procura uma bússola e uma tábua de salvação. A avaliação sobre o governo cai vertiginosamente.

Não há passagem do mar vermelho à vista. E ninguém com jeito de Moisés para levar o povo à terra prometida. Lula? Deixou de ser profeta, está calado e com receio.


6 comentários

  1. OPINIÁTICO
    domingo, 8 de fevereiro de 2015 – 20:07 hs

    Srs Internautas,
    Com todo o respeito eu acho que os governtes não sabem nem em qual continente se localiza o Brasil: falta qualificação técnica aos jovens (especialmente nos pequenas cidades do interior), impostos altíssimos, mercados comerciais/industriais dominados pelas oligarquias ( redes supermercadistas), juros exorbitantes, pedágio mais caro do planeta, emolumentos judiciários/cartórios com preço nas alturas, Altíssimas taxas de trânsito. Enormes latifúndios.
    É NECESSÁRIO INSTITUIR-SE TÁBULA RASA PARA A SALVAÇÃO DO POVO OPRIMIDO..

  2. Paolo
    domingo, 8 de fevereiro de 2015 – 20:43 hs

    Eu andei pensando (putz, como dói) e conclui que é melhor que ela fique, pelo menos por mais um ano e onze meses, pois ao contrário o “Demônio de Garanhuns” volta todo pimpão, nos braços do ESTÚPIDO POVO, apesar de ter sido no governo dele que o Brasil foi assaltado pela SOC, da qual ele é CHEFE eterno e honorário!!!!!!!

  3. Sergio Silvestre
    domingo, 8 de fevereiro de 2015 – 22:16 hs

    Cada uma,é claro que se seguir essa manjada explanação sua popularidade sobe,mas o problema é como.
    Tem uma quase metade da população que resolveu deixar de lado sua boa vida,idas em Miami e Paris e achar que tudo para eles está mal,querem um Iate,uma lha particular e até um jatinho para as viagens serem mais comodas.
    É o jeito megalomaníaco dos ricos e da classe media que habita os escalões de governo de onde sai a corrupção.
    Só que isso pode ser um tiro no pé,caso um aventureiro pegue o poder e feche o congresso e judiciário,ai salve-se quem puder,

  4. FUI !!!
    segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 – 6:05 hs

    Hoje não existe tábua de salvação para este governo. Todas as “viabilida-
    des” citadas acima são teóricas e o PT teve tempo para se recompor e não
    o fez. Para este bando de acéfalos que estão no poder não importa o que
    o povo está sentindo ou vivendo, o que importa mesmo o quanto enfiaram
    nos seus bolsos. Afinal fora do Brasil existe uma imensidão de lugares para
    torrar toda esta grana. Triste realidade porque quase nada volta aos nossos
    cofres mesmo que os caras sejam condenados. Assim, o justo seria os ca-
    ras permanecerem na cadeia até devolverem tudo mas isto é uma UTOPIA.

  5. Beatrix Kiddo
    segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 – 9:05 hs

    A escolha deste ministério de “notáveis”, a demissão “na marra” da amiga do comando da estatal do petróleo, a maior empresa nacional. E a nomeação de um amigo de fidelidade canina à chefa, mostram que a camarada Dilma não quer saber de mudança alguma. Quem muda para que fique tudo igual, não muda nada. Mudarmos critérios de avaliação como, por exemplo para este PNBF é querer achar chifre em cabeça de cavalo. E se a camarada Dilma enfiar esta ideia na cabeça, ela perde o mandato mas não renúncia á ideia.

  6. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 – 10:28 hs

    Tábua de salvação é a prancha do navio pirata. Joguem-na aos tubarões!!!!. Coitadinhos dos bichos…

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