Dilma, a breve? | Fábio Campana

Dilma, a breve?

DILMA/POSSE
A presidente imaginou (ingenuamente) que a vitória obtida nas urnas era mérito seu

De Marco Antonio Villa, em O Globo

O governo Dilma acabou. É caso único na história republicana brasileira. Vitorioso nas urnas, duas semanas depois do pleito já dava sinais de exaustão. De um lado, a forma como obteve a vitória (usando da calúnia e da difamação) enfraqueceu a petista; de outro, o péssimo cenário econômico e as gravíssimas acusações de corrupção emparedaram o governo. Esperava-se que Dilma aproveitasse os louros da vitória para recompor a base política e organizasse um ministério sintonizado com o que tinha prometido na campanha eleitoral. Não foi o que aconteceu. Acabou se sujeitando ao fisiologismo descarado e montou um ministério medíocre, entre os piores já vistos em Pindorama.

A presidente imaginou (ingenuamente) que a vitória obtida nas urnas era mérito seu. Pobre Dilma. Especialmente no segundo turno, quem venceu foi Lula. Sem a participação direta do ex-presidente, ela teria sido derrotada. Vale sempre lembrar que, em vários comícios da campanha, a candidata foi “representada” por Lula. Mas ela entendeu que a vitória daria uma espécie de salvo-conduto para organizar a seu bel-prazer o Ministério e as articulações políticas com o Congresso Nacional. Ledo engano. Em um mês de governo, já gastou o crédito dado a qualquer presidente em início de mandato.

Isolada no Palácio do Planalto, a presidente perdeu a capacidade de iniciativa política. E pior: se cercou de auxiliares ruins, beirando o pusilânime. Nenhum governo sério pode ter na coordenação política Aloizio Mercadante. Na primeira presidência Dilma, ele ocupou três ministérios distintos e não deixou sequer uma simples marca administrativa. Foi um gestor de soma zero. Lula, espertamente, nunca o designou para nenhuma função executiva. Conhece profundamente as limitações do ex-senador e sabe o potencial desagregador do petista. Não satisfeita com a ruinosa escolha, Dilma nomeou para a coordenação política o inexpressivo e desconhecido Pepe Vargas. Não é a primeira vez que a presidente mete os pés pelas mãos ao formar sua equipe política. É inesquecível a dupla Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, mas naquele momento a conjuntura política e o cenário econômico eram distintos.

Assolada pelo petrolão — que pode colocar em risco o seu mandato —, Dilma passou um mês escondida dos brasileiros. Compareceu à posse — que era o mínimo que se poderia esperar dela —, discursou e sumiu. Reapareceu na ridícula reunião ministerial, discursou sobre um país imaginário, brigou com um funcionário e só. Poderia ter aproveitado o tempo para articular a sua base de sustentação no Congresso. Mas não. Delegou aos auxiliares a atribuição presidencial. Ela dá a impressão de que não gosta da sua função, que não tem qualquer prazer no exercício da presidência e que estaria somente cumprindo uma missão (mas para quem?).

Como seria de se esperar, foi duplamente derrotada na eleição paras as mesas diretoras da Câmara e do Senado. Na Câmara foi mais que derrotada, foi humilhada. Seu candidato teve quase que o mesmo número de Júlio Delgado e metade dos votos do vencedor. Em outras palavras, ficou a sensação de que o governo tem seguros apenas 25% dos votos dos deputados. Se fosse no final da gestão, seria ruim mas até compreensível. Porém, a nova presidência mal começou. Mais da metade dos parlamentares forma uma maioria gelatinosa, sem forma e que pode a qualquer momento, dependendo da situação política, se voltar contra Dilma.

No Senado, a vitória com Renan Calheiros pode ter vida curta. Ainda no ano passado foi revelada uma lista de parlamentares envolvidos com o doleiro Alberto Yousseff e dela fazia parte o senador por Alagoas. Caso se confirme, veremos novamente o filme de 2007: ele deverá renunciar à presidência para, ao menos, garantir o seu mandato. E naquela Casa — agora com uma participação mais qualificada da oposição — também a maioria dos senadores vai, primeiro, pensar em garantir o seu futuro político e depois em defender o governo.

Dessa forma, Dilma corre perigo. Sem uma segura base parlamentar, tendo, especialmente na Câmara, um presidente que não reza pela sua cartilha; e com uma pífia coordenação política, poderá ter a curto prazo sérios problemas. De forma mais direta: vai ter de engolir uma CPI sobre a Petrobras. E com o que conhecemos até hoje da Operação Lava-Jato, o seu mandato pode ser abreviado — caso, evidentemente, se confirmem as denúncias envolvendo a empresa, políticos, empreiteiras e o Palácio do Planalto.

Lula se mantém em silêncio. Estranho, muito estranho. Por quê? Ele, que sempre falou sobre tudo, mesmo quando não perguntado, agora está homiziado em São Bernardo do Campo. Medo? Teria vergonha da compra da refinaria de “Passadilma”? E o projeto mais desastroso da história do Brasil, a refinaria de “Abreu e Lulla”? Como explicar que tenha custado dez vezes mais do que foi orçada? Conseguiria responder sobre a amizade com Paulo Roberto Costa, mais conhecido como “Paulinho do Lula”? O silêncio é uma forma de confissão? Afinal, foi durante a sua presidência que foram gestados estes escândalos.

Teremos um 2015 agitado, o que é muito bom. Nunca um governo na História da República esteve tão maculado pela corrupção, nunca. O que o Brasil quer saber é se a oposição estará à altura da sua tarefa histórica. Se não cometerá os mesmo erros de 2005, no auge da crise do mensalão, quando não soube ler a conjuntura e abriu caminho para a consolidação do que o ministro Celso de Mello, em um dos votos no julgamento do mensalão, chamou de “projeto criminoso de poder.”

Marco Antonio Villa é historiador


18 comentários

  1. Paolo
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 0:09 hs

    Não tão rápido, Sr. Villa!!! Só um ingênuo completo para imaginar que comunista possa ser retirado do poder assim facilmente!!! Eles só saem à bala, fique o senhor sabendo!!!!

  2. Juca
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 3:16 hs

    Essa mulher é ridícula. Somente quem é desinformado e não presta atenção nas besteiras que ela diz em qualquer pronunciamento que faz, especialmente quando discursa de improviso (igual a seu mestre e criador) é capaz de lhe dar crédito. Esse é o presente que eleitorado ignorante que a elegeu e reelegeu deu ao Brasil. Mais quatro anos de retrocesso.

  3. BigPeter
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 4:13 hs

    É passada a hora de os brasileiros de bem, meterem o pé no trazeiro dessa cambada.
    Mandando parte peles pra Cuba; outros pra cadeia, e alguns quem sabe, mudando a constituição, até pro inferno.
    Esse capítulo negro, tenebroso da nossa história, tem que acabar já; imediatamente, antes que a recuperação do nosso país, do nosso povo, e principalmente da nossa dignidade, seja impossível.
    Fora, petismo bandido.

  4. FUI !!!
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 5:04 hs

    O governo do PT como um todo derreteu nas mãos do Lula e Dilma como
    um sorvete no deserto. Se a dissolução do partido fosse totalmente fisioló-
    gica ainda entenderia, porem com tanta roubalheira é necessário colocar
    todos os responsáveis na cadeia. A Dilma hoje representa uma política
    totalmente desgastada, desacreditada e corrupta. No discurso do Senador
    Magno Malta estes dias disse uma grande verdade ao Aécio Neves. Disse
    que Deus tirou sabiamente das mãos do Aécio a Presidencia da República
    porque a estas alturas o novo eleito teria que tomar tantas atitudes negati-
    vas que com certeza o PT estaria com o canhão virado como um verdadeiro
    cão raivoso. Nada mais justo do que a crucificada seja a própria Dilma por-
    que quem criou toda esta lambança foi a própria.

  5. NA CORDA BAMBA
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 6:44 hs

    Com certeza absoluta este novo mandato da Dilma vai ser para a própria
    limpar a sujeira que fez até hoje. Remover as pedras do caminho e tentar
    provar que não mentiu na pré eleição vai ser uma tarefa hercúlea. Mas
    vamos dar um crédito para a mulher:- mais algumas semanas…

  6. CLOVIS PENA - e os outros ?
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 7:36 hs

    Lá vem os gatões atuais com a velha apelação.

    Acham que passarão por honestos, apontando OUTROS corruptos, ladrões do dinheiro da saúde, da educação e da segurança do povo.
    .
    Não passarão !!

  7. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 8:17 hs

    Hoje, em Belo Horizonte, o 35º aniversário do PT. O clima tá mais prá velório.

    E o imponderável presidente do partido, o Rui Falcão, mais prá Eremildo, O Idiota, disse ontem que as denúncias e revelações a respeito das “doações” dos petromiaus para o PT, são para “empanar o brilho da festa”, hoje, na capital mineira.

    E dona Paulo Bernardo Hoffmann, a senadora Gleici, ecoa no senado, a voz comum dentro do seu partido de que a Oposição (o PSDB e seus congregados) não se conformam com a derrota ano passado. Esquece-se de como se comportou quando Lula perdeu pro Collor. Pudera, naquela época ela ainda brincava com barbies…

  8. Sergio Silvestre
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 8:39 hs

    Comentário vindo de um psdebista com estrela na testa é normal fazer um agouro desse ,alias querem terra arrasada é uma grande oportunidade para aventureiros de plantão.plantão. Alguém já esta de boca na botija e eu vou morrer de rir com juiz,desembargador e muitos da comunicação no pau de arara,De novo,então vai ué.

  9. CIDADÃO
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 9:12 hs

    a foto é para mostrar um botijão de gas também pode ter braços

  10. Luigi
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 10:03 hs

    Com a devida licença do grande Luiz Melodia pelo uso de seus versos na maravilhosa canção VALE QUANTO PESA:
    “Petralhas, quant’oceis ganham prá nos enganar?
    Quant’oceis pagam prá nos ver sofrer?”

  11. Luis Antonio de Sá Barreto
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 10:50 hs

    Esse Villa não passa de uma “pena alugada” do tucanato paulista. conheço pessoalmente esse pseudo historiador e “professor” que não dava aulas desde os meus tempos de doutorado da Universidade Federal de São Carlos-SP. Sinceramente, eu esperava mais racionalidade do Campana que está a muitos anos luz da escuridão em que vive o Villa em dar crédito a este arauto do atraso.

  12. Luigi
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 12:18 hs

    O caso Petrobras é a maior prova da brevidade desse governo marcado pela incompetência. Depois de meses de agonia, em que se esperavam enérgicas atitudes do Estado brasileiro, o que se vê é um partido político comandando a Nação. Por falta de quadros (ou seria por inúmeras recusas) fala-se em Bendini com Predidente. Breve uma ova! Brevíssimo!!!!

  13. sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 13:26 hs

    Existe um jargão que assim profetiza: QUEM DIZ A VERDADE NÃO MERECE CASTIGO. O Vila pode até ser contratado pelo tucanato paulista, mas o mesmo falou a verdade do que está acontecendo neste País. E o nobre “DOUTOR” só soube criticá-lo, sem sequer dizer ou contestar o que foi escrito, dentro de uma realidade atual.

  14. SOLANGE LOPES
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 13:32 hs

    Luis, o teu doutorado foi aquele feito por correspondência ?

  15. Doutor Prolegômeno
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 13:48 hs

    Por muito menos, Getúlio suicidou-se. Talvez seja a solução.

  16. Juca
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 17:32 hs

    A Dilma Youssef já está na posição, de braços abertos. É só pregá-la na cruz.

  17. Luigi
    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 – 17:59 hs

    Doutor Prolegômeno, concordo com a solução, Mas é preciso dar nome aos bois e saber qual deles tem um mínimo de coragem para o autosacrifício.

  18. RR
    sábado, 7 de fevereiro de 2015 – 8:29 hs

    ISSO É MÉRITO DOS OTÁRIOS.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*