De como a ingenuidade perdeu para a violência | Fábio Campana

De como a ingenuidade perdeu para a violência

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1 – O homem levou milhares de anos entre sair das cavernas e criar regras e instituições civilizadas. E por aqui tudo se apaga em três dias. A turba, irritada porque teve privilégios ameaçados, decide invadir o Parlamento e impedir, na marra, que as leis sejam votadas. Os partidos nanicos da esquerda funcionária e os derrotados na eleição de outubro aproveitaram a oportunidade para ressurgir das cinzas.

2 – Os movimentos sociais envolvidos na trama, inclusive os que não tinham nada a ver com as medidas de ajuste, usaram o que têm de melhor em seu marketing dos coitadinhos. Apresentam-se como injustiçados, como aqueles que merecem mais e lhes tiraram tudo. Funciona. Sempre funcionou.

3 – Os manifestantes mais violentos e usados na linha de frente da ocupação da Assembleia nem são professores ou servidores. São militantes de squadras de nítido pendor fascistóide mantidos por partidos nanicos de esquerda. Se não podem ganhar no voto, ganham na violência, é o dístico que acabou contaminando todo o movimento. Mesmo professores equipados com neurônios e cultura política entraram nessa. É a história antiga, desde os jesuítas, de que os fins justificam os meios.

4 – O governo exibiu em diversas áreas doses robustas de insensatez, baixa capacidade de avaliação do quadro e da correlação de forças. Superestimou a maioria na Assembleia. Subestimou a ferocidade do movimento social. Acreditou que era sincera a declaração de respeito mútuo da oposição através de deputados e líderes do movimento paredista. Ingenuidade fatal. A oposição, bem articulada dentro e fora da Assembleia, dominou a cena e fez tudo o que quis.

5 – A segurança da Assembleia foi pífia diante da massa que derrubou portões e cercas, invadiu a Casa, tomou o Plenário e submeteu os deputados a vários momentos vexaminosos, na condição de reféns da malta enfurecida que os desrespeitou de todas as maneiras. A segurança da Casa sempre será insuficiente para situações como essa.

6 – A Segurança Pública chegou tarde e sem capacidade para expulsar os invasores e proteger a Casa. Parte da força policial não obedeceu ordens, reconhecem os comandantes. Desde o início, a segurança externa era responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública. Optou-se por acreditar que os manifestantes respeitariam as regras democráticas. A tentativa de furar o bloqueio que impedia o acesso dos deputados, colocando-os num camburão da Polícia Militar, foi a operação mais ridícula de que se tem notícia na história do Paraná. É motivo de chacota nacional. A cena emblemática de todo esse imbróglio.

7 – É de se esperar que toda a malta que tomou a Assembleia, espezinhou a democracia, impôs a sua vontade pela violência não contida por opção dos deputados e da própria Segurança Pública, volte a repetir o excesso sempre que se sentir contrariada em seus interesses, por mais mesquinhos que possam ser.


23 comentários

  1. PT
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:01 hs

    PARLAMENTO!

  2. Jose Rosa
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:08 hs

    DESOCUPADOS, BADERNEIROS, PREGUIÇOSOS, QUE GOSTAM DE PRIVILEGIOS E NAO GOSTAM DE TRABALHAR

  3. VOTEI NO CALOTEIRO DO PR
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:12 hs

    NÃO ACHEI CERTO, OS PROFESSORES ATRAPALHARAM O CARNAVAL DO BETINHO, ELE DESTA SE INCOMODAR COM QUALQUER TRABALHO, PROFESSORES NUNCA MAIS INCOMODEM O NOSSO GOVERNADOR, MAIS BEM PAGO DO BRASIL , R$ 33.000,00

  4. Beatrix Kiddo
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:26 hs

    e é esta gente que ensina os nossos filhos na escola. Depois não sabem porque o país não progride. E, apesar de todo escarcéu vindo da “Casa do Povo”, os realmente privilegiados, juízes e promotores, querem os R$52.000,00 de atrasados. Tem gente que não aprende nem apanhando.

  5. Antonio Alvaro Rosar
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:48 hs

    Gostaria de saber quantos municípios se fizeram representar ontem na invasão da Assembleia, pois só vejo dizer que apoiam, mas não truculência e baderna e situações piores que esta do Beto já passamos muitas vezes. Não defendo o Governador por alguns motivos só que outro lado tem coisas que ele está absolutamente certo e ainda falta fazer um grande levantamento em muitos casos de Readaptação que a vida cotidiana, ou seja, o trabalho particular não condiz com o tipo de doença, tipo, não posso ver os alunos, porém trabalha com pessoas de modo geral.

  6. zangado
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:50 hs

    Isso não ocorreu por geração espontânea e sim pela incompetência e desgoverno dos anteriores 48 meses que resultaram em medidas indigestas e extemporâneas à conta do servidor público e da sociedade que paga a conta.

    É resultado, lamentavelmente, para todos, da “herança maldita” da anterior gestão destrambelhada do próprio governador reeleito que ao invés de se inteirar dos problemas do Estado e resolvê-los com eficácia deixou o carro na banguela e agora bateu contra a parede da realidade que veio à tona.

  7. Luigi
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 15:56 hs

    A ingenuidade perdeu, sim, mas foi para a estupudez humana. Bem que Eistein afirmava que duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, mas que sobre a primeira ainda não estava convencido. Já os italianos, sobre o mesmo tema, dizem que quando o criador distribuía as virtudes e os desfeitos, na hora de receber a estupidez, as filas eram imensas e a grande maioria das pessoas nelas entravam várias vezes.

  8. sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 16:09 hs

    mas o ministro da educação que a Dilma pois lá disse que” professor tem que trabalhar por amor”, então, o que ganham já é o bastante! … pronto… falei !

  9. Sid botafogues.
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 16:18 hs

    O PODER EXECUTIVO é o MAESTRO CONDUTOR do ESTADO de DIREITO! RETIRAR OS SEUS LEGITIMOS DIREITOS AFRONTANDO COM ARROCHOS SEUS BENEFICIOS ADQUIRIDOS LEGALMENTE é ENFRAQUECER A SUA PRÓPIA CAPACIDADE DE MANDO.O TRIPÉ EDUCAÇÃO – SAÚDE e SEGURANÇA PÚBLICA SÃO A BASE DE SUSTENTAÇÃO de TODO O GOVERNO EXECUTIVO.RELEGAR SEUS DIREITOS e TENTAR DIMINUI-LOS,SEM A PARTICIPAÇÃO das OBRIGAÇÔES DOS PODERES COMPLEMENTARES DIVIDINDO RESPONSABILIDADES E BENEFICIOS, é BUSCAR REVOLTA E INSATISFAÇÕES ILIMITADAS ENTRE SEUS SERVIDORES AOS QUAIS TEM O PODER DE MANDO O CHEFE DO PODER EXECUTIVO.

  10. VLemainski - Cascavel
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 16:19 hs

    Parabéns pela matéria… Ingenuidade: Realmente é a palavra certa…

  11. sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 16:22 hs

    Houve erro dos 2 lados. Governo apressou pelas novas medidas, ou “ajuste” como diz Dilmá.
    E os ” professores” atiçados pelo PT , que ao invés de aceitar conversar e discutir as propostas não fez e pior, convocou a turminha do MST, molecada, black blocs, e professores para o enfrentamento, coisa de guerrilheiro.
    Ruim para o governo, pior ficou para aqueles que se dizem “educadores”.
    Quem acredita na Educação sob o comando do PT ?

  12. Sid botafogues.
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 16:46 hs

    O maestro do Estado de Direito é o Poder Executivo e os Servidores permanentes deste Poder. A base de sustentação da Chefia do Poder Executivo é o tripé EDUCAÇÃO – SAÚDE e SEGURANÇA PÚBLICA. SUPRIDOR DAS NECESSIDADES BÁSICAS e PREMENTES DA MASSA POPULACIONAL. Retirar Direitos e promover arrochos sem a participação dos Poderes complementares…Sempre será fator gerador de revoltas e intranquilidade com insatisfações ilimitadas. O CHEFE DO PODER EXECUTIVO deve sempre manter o equilíbrio e a harmonia e buscar soluções junto aos três Poderes, sem decisões unilaterais insatisfatórias e contundentes prejudiciais ao seu próprio poder. para o bem de seu próprio Mando.

  13. Carlos Maia
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 16:52 hs

    Bela análise !!!
    Só vai entender quem tem mais de um neurônio !!! … aos demais, cabe continuar o chororô !!!

  14. aline
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 22:26 hs

    Quem foi o Energúmeno que teve a ideia do camburão? O desprovido de neurônios teve muita responsabilidade em atiçar e enfurecer a turba pelo ridículo da situação!

  15. Felipe Rocha
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 23:25 hs

    A organização de uma luta sem violência, pois embora houvesse ocupação não houve quebradeira e participaram sim vários movimentos até políticos, mas democraticamente e no mundo isso aconteceu várias vezes, na França com suas revoluções e quem acha que aceitar qualquer coisa que vem do governo, ainda mais num regime de votação que não respeita prazos nem discussão. Não acredito no governo de Beto Richa e nem teria motivo para aceitar, ele ameaçou cortar emendas dos deputados que votassem contra o projeto, foi sujo e quem acha que sendo submisso a isso é ser civilizado pode estar enganado. Tenho orgulho de ser professor, mesmo que hoje sem aulas por conta dos cortes e ainda se quer sem meus acertos do meu contrato que acabou! Triste é ver todas as turmas da tarde do colégio que trabalhava fechadas e em nenhum momento lutamos por mais, ao menos por manter e engraçado que nunca ganhei muito, ganhava R$ 2000 por 35 horas de trabalho e ainda se quer tirar dos funcionários que menos ganham, mas não dos cargos comissionados que só fizeram crescer neste governo!

  16. Sávio
    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 – 23:31 hs

    Não te chamo de medíocre pq pra chegar lá ainda te falta um caminho bem longo

  17. Humberto
    sábado, 14 de fevereiro de 2015 – 12:01 hs

    Num bom circo não falta palhaço e nem falta platéia !!!

  18. Flávio K
    sábado, 14 de fevereiro de 2015 – 15:07 hs

    Essa manchete lembra-me de outra, também: “De como a privatização da Copel perdeu para a violência!”

  19. Kuika
    sábado, 14 de fevereiro de 2015 – 15:45 hs

    KKKK. Parlamento ### Mestrres… kkkk, Idade da pedra, kkk

  20. Professor
    sábado, 14 de fevereiro de 2015 – 19:07 hs

    Engraçado! Quando os governantes fazem o que querem, as pessoas vão a público através da internet e reclamam!!! Reclamam dos preços, da corrupção etc. Quando alguns resolvem brigar por seus direitos, já que o governo se nega ao debate e ao diálogo, impondo o tratoraço, essas mesmas pessoas que vivem reclamando, acham ruim!!! Acham que é baderna!!! Simples e pura!!! Estão acostumadas a engolir tudo o que lhes impõe!!! E sem neurônios são os que brigam por seus direitos… vai entender…

  21. Augusto
    domingo, 15 de fevereiro de 2015 – 10:25 hs

    Neste artigo vejo maior comedimento e equilibrio de vossa parte, mas mantem-se a persistência na simplicidade de atribuir a culpa pela pataquada do governo aos “vermelhos”. Esqueces de descer do seu pedestal, e analisar como tentou-se por meio de um “pacotaço”, bagunçar da noite para o dia, a vida de todos o funcionários públicos. Se as consequências não fossem tão visíveis e graves, a mobilização não seria recorde em adesão e em conflagração.

  22. Roberto
    domingo, 15 de fevereiro de 2015 – 19:53 hs

    Ingenuidade da polícia e também do relator que escolheu os locais errados, acreditou nos baderneiros que disseram que não iriam para o confronto. Ingenuidade do governo que não fez um clamor social antes para conquistar o povo da crise, não previu a chegada de partidos nanicos que trouxeram profissionais do quebra-quebra etc…

  23. mauro silva
    segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 – 15:14 hs

    Viva os professores…

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