Aos mestres, com carinho | Fábio Campana

Aos mestres, com carinho

Desde ontem, quando publiquei o post que informa que o salário médio do professor da rede pública paranaense, que trabalha 40 horas semanais, é de R$ 8.000,00, recebi um aluvião de e-maile, mensagens e telefonemas de pessoas indignadas. Especialmente de professores que juram que é uma inverdade. Pois bem, dever de ofício, voltei à fonte. Vi os documentos, as planilhas e os gráficos com gente séria. São técnicos da administração, têm acesso aos dados, trabalham sobre essas informações. Eles calcularam o salário médio dos professores com base na folha de pagamentos da categoria. Pois, bem, cá estou novamente com um conjunto de informações que confirmam a anterior e que devem desagradas a corporação dos professores. Imagino a grita, mas que fazer? Os fatos são os fatos. Aqui vamos nós com 12 fatos indiscutíveis.

Professores

* Os professores tiveram nos últimos 4 anos um aumento salarial de 60% de salário. O valor pago ao piso salarial era de R$ 2.001,87 em 2010. Hoje é de R$ 3194,74. É o maior aumento da história do Paraná.
*O salário médio do professor paranaense é de R$ 8.000,00 para 40 horas/aula – dessas 14 são para hora-atividade.
* A hora atividade, uma pauta histórica da Educação, também aumentou: hoje os professores tem 75% a mais de tempo para planejarem suas aulas.
* Mais de 23 mil professores e pedagogos contratados nesta gestão

Escolas

*Hoje há mais dinheiro para manutenção e melhorias nas escolas. E este dinheiro é administrados pelas próprias escolas:
– Entre 2007 e 2010: R$ 209 milhões
– Entre 2011 e 2014: R$ 340 milhões
*A alimentação está melhor e mais saudável em todas as escolas do Paraná. Os investimentos saltaram de R$ 90 milhões em 2010 para R$ 403 milhões em 2014 para a compra da merenda escolar. Deste valor, R$ 53 milhões foram destinados para comprar alimentos da agricultura familiar
*O investimento em transporte escolar também se fez presente nos últimos 4 anos: o montante passou de R$ 118,5 milhões em 2010 para R$ 318,5 milhões em 2014

Escolas especiais

*Os professores e colégios com alunos com necessidades especiais também tiveram a atenção e o apoio permanente do Governo do Paraná.
*Mais de R$ 436 milhões destinados às escolas especiais. Igual ao investimento nas demais escolas da Rede Estadual.
Hoje, isso é lei no Paraná.
*Só no transporte foram 180 ônibus destinados para o transporte nessas escolas, como é o caso das Apaes.

E mais

*No atual governo, foi regularizada a situação de mais de 30 mil professores que concluíram o curso de licenciatura no caso Vizivali
*Além disso, aumentou também a segurança nas escolas: foi implantada a Brigada Escolar, formada e treinada em todas as escolas, que hoje também são equipadas com novos extintores e sinalização de emergência


3 comentários

  1. Zé da Bota
    terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 – 12:48 hs

    Uau….quanta gente nervosa……já nem sei mais quem tem razão…..

  2. Gerson Almeida Macedo
    terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 – 21:59 hs

    REALIDADE DESCONHECIDA

    Chamou-me a atenção o fato do editorial do dia 24/11/2013 do jornal Gazeta do Povo que ao dissertar sobre a administração do atual Prefeito de Nova York, Sr, Bloomberg, citando as medidas adotadas por ele na área de Educação, tocou em um assunto que é um verdadeiro tabu para a maioria da imprensa nacional. Digo tabu, pelo fato de que ao se discutir sobre educação, raramente a imprensa aborda a questão da qualidade do professor e de sua atuação em sala aula; E na ânsia de exaltar seu valor, preferem focar todas as mazelas na ação governamental no setor ou simplesmente transferir a culpa de todos os problemas para os pais e alunos. Não que estes não tenham suas parcelas de responsabilidade, mas dai a Cézar o que é de Cézar. Sou professor por formação e embora não atue, convivi proximamente neste meio ao longo de minha graduação de licenciatura e isto me dá o conhecimento e a isenção necessária para falar de maneira empírica sobre o assunto. Para melhor entendimento, fazem-se necessárias algumas considerações. Então vejamos: Sem medo de errar, posso afirmar que a grande maioria das escolas públicas de nosso estado oferecem uma boa estrutura física e material para a formação de nossos alunos. No quesito salarial, nossos professores hoje são bem remunerados; Um professor que tem quarenta horas-aula e um curso de especialização, chega a ganhar após dez ou doze anos de serviço, aproximadamente R$ 7.000,00 reais; Ou seja, R$ 3.500,00 por período. Além disto o Estado tem ofertado gratuitamente cursos de mestrado através do PDE ( programa de desenvolvimento educacional ), o qual consiste na dispensa do professor da sala de aula, passando este a se dedicar a uma especialização a nível de mestrado, sem nenhum ônus financeiro, possibilitando que após sua conclusão o professor ascenda ao nível três da carreira, o que fará que após algum tempo este profissional passe a receber até R$ 10.000,00 por quarenta horas-aula. Para se comprovar a veracidade destas informações basta pesquisar o salário de um professor do Estado através do portal da transparência; Está lá para quem quiser ver. Alguém poderia argumentar que é pouco, que eles merecem ganhar mais; Concordo; Mas o Estado tem outras áreas também consideradas prioritárias, onde também exige-se formação de nível superior e os vencimentos pagos são bem aquém destes valores. Somados a tudo isto, o professor é uma das poucas profissões onde o profissional tem direito a mais de dois meses de férias por ano; Sem contar ainda que a hora aula é de aproximadamente cinquenta minutos em média; Digo em média porque a hora-aula noturna é mais curta que a diurna; Isto faz com que este profissional trabalhe efetivamente trinta e quatro horas semanais. O problema de preparação e correção de provas, o qual fazia com que professores levassem trabalho para casa, foi resolvido ao ficar estabelecido que trinta e três por cento de sua carga horária são para a feitura destes serviços. Estas medidas fizeram com que cessassem a migração destes profissionais para o setor privado, pois atualmente um professor do setor público ganha melhor que seu colega que atua em estabelecimentos particulares. Portanto, se quisermos discutir de maneira séria os problemas da educação pública, temos que romper o paradigma que foi criado ao longo do tempo ao centralizar a discussão sempre em torno da falta de estrutura e dos baixos salários; Esta lógica foi rompida e não se sustenta mais. Mas então o que explica a baixa qualidade ofertada nos estabelecimentos públicos de ensino quando comparado ao ensino privado? Acredito que tenha vários fatores; Um deles é logicamente a questão da clientela. Os alunos que estudam em redes particulares de ensino são em sua maioria oriundos de famílias mais bem estruturadas financeiramente e isto logicamente acaba refletindo em uma maior pré-disposição no processo de aprendizagem; Sem contar que a escola pública não pode escolher sua clientela como o faz os estabelecimentos privados. Mas existem outros fatores que não pedem ser deixados de lado; Vamos a eles; Primeiramente faz-se necessário dizer que a falta de informação ou a informação errônea que é divulgada pelos setores da imprensa em geral, criou um mito que tem contribuído em muito com os resultados negativos do ensino público. A mídia tem divulgado em uníssono uma espécie de “chavão”, o qual transformou-se em refrão, onde várias camadas da sociedade repetem exaustivamente que a culpa de tudo neste setor é devido aos baixos salários pagos, o que definitivamente, como foi mostrado acima, não corresponde a realidade; Como dizem por aí, uma mentira dita repetidas vezes, acaba transformando-se em verdade. Esta informação ou melhor dizendo, desinformação, criou um desprestígio da categoria, o que tem afastado muitos alunos dos cursos de licenciaturas, os quais, apesar da vocação para a área, preferem cursar outras graduações por acreditar que ganharão melhores salários. Basta fazer uma pesquisa entre estudantes do ensino médio e verificar que poucos conhecem esta nova realidade do professor em nosso Estado. Por sua vez, a falta de interesse faz com que haja dificuldade em preencher as vagas nos concursos públicos, o que aliado a idéia de fácil colocação no mercado de trabalho, acaba por atrair pessoas sem o mínimo de pendor para o exercício desta nobre função. Cria-se aí uma espécie de circulo vicioso, onde a quantidade de vagas acaba obrigando o Estado a afrouxar as regras de seleção para poder preenchê-las, o que se refletirá na baixa qualidade do ensino. Outro ponto que merece ser abordado diz respeito à escolha dos diretores das escolas. Apesar de ser travestido de um aspecto democrático, o sistema adotado de eleição direta, onde o voto dos professores e funcionários tem um peso bem maior que o voto dos pais e alunos, faz com que o diretor fique refém destes eleitores privilegiados, o que não combina com a democracia; O diretor para ser reeleito tem que ser “bonzinho” e isto significa muitas vezes fazer vistas grossas para vários problemas no ambiente escolar que afetam a qualidade da educação, comprometendo o resultado final como um todo. Portanto creio que chegou a hora da sociedade quebrar este tabu e discutir sobre a qualidade dos profissionais que atuam em sala de aula e também sobre outros aspectos que prejudicam nossa educação; Isto é feito em outras áreas prioritárias do Estado, como a saúde e a segurança pública, as quais são debatidas exaustivamente. A imprensa, com a sua capacidade de chamamento ao debate e como difusora de informação, tem papel fundamental e de extrema relevância nesta discussão. A partir do momento que vir á tona que em nosso Estado ser professor, além da vocação é também uma boa escolha profissional, haverá a atração de pessoas melhores qualificadas para o setor. Creio que todos tem plena consciência que o professor é peça fundamental no sistema educacional e o objetivo do debate não é desmoralizá-los e sim o de aprimorar o ensino público. Com a descoberta da bacia do pré-sal e a lei que obriga que os recursos arrecadados com sua exploração sejam investidos prioritariamente na educação, temos o dever de sanar algumas lacunas, caso contrário corre-se o risco destes investimentos não produzirem os efeitos desejados e sairem pelo ralo.

    Gerson Almeida Macedo
    Licenciado em Ciências pela UEM-Universidade Estadual de Maringá-Pr.

  3. SEBASTIÃO SÉRGIO MIRANDA
    quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 – 17:09 hs

    Gostei da informação salário médio do professor R$ 8.000,00. Não sei onde o senhor tirou esta informação, gostaria que fosse verdade. Entre 70.000 professores acredito que não tem dois mil professores ganhando isso, para dizer que é salário médio. A grande maioria não passa de R$ 3.000,00 (três mil reais) quando se aposenta. Tendo dois cargos pode ganhar R$ 6.000,00 quando estiver aposentando. Tem alguns no final de carreira que já fizeram PDE que podem chegar até a R$ 10.000,00, mas são poucos.

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