Argentina: Especialistas não encontram pólvora nas mãos de promotor | Fábio Campana

Argentina: Especialistas não encontram pólvora nas mãos de promotor

nisman -

da AFP:

Não havia sinais de pólvora nas mãos do promotor Alberto Nisman, encontrado morto no domingo (18) com um tiro na têmpora, na véspera de explicar perante o Congresso uma denúncia de acobertamento contra a presidente Cristina Kirchner, em um caso que chochou a Argentina.

Após a morte de Alberto Nisman, que acusou na última quarta-feira (14) a presidente argentina de acobertar o Irã no caso do atentado contra a Amia (Associação Mutual Israelita Argentina) em 1994, Cristina Kirchner, juízes e cidadãos exigem uma investigação a fundo sobre a morte, até agora considerada suicídio.

O chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, pediu nesta terça-feira em uma coletiva de imprensa que a morte do promotor seja investigada “até as últimas consequências” e garantiu todo o apoio institucional para seu esclarecimento.

Viviana Fein, a promotora que investiga a morte de Nsiman, revelou que “o resultado do varrimento eletrônico da mão de Nisman lamentavelmente deu negativo, mas não é um resultado inesperado”, declarou à rádio Mitre, sem descartar suicídio.

Fein explicou que em caso de armas de pequeno calibre como a 22 que, segundo a investigação, causou a morte do promotor, a quantidade de resíduos de pólvora pode ser tão ínfima que elimina resultados positivos.

Kirchner voltou nesta terça-feira (20) a utilizar o Facebook para refletir sobre o ocorrido, que desde a madrugada de segunda-feira afundou a Argentina em uma série de suspeitas, alimentadas pelo governismo e pela oposição.

“Acredito que o mais importante é advertir que tentam fazer com o julgamento de acobertamento o que foi feito com o julgamento principal 21 anos atrás: desviar, mentir, tapar, confundir”, declarou em referência ao caso do ataque contra a Amia, que deixou 85 mortos e 300 feridos em 1994.

“Os crimes não têm razões, só têm motivos, e na Argentina ainda devemos explicar o mais óbvio e simples”, concluiu Kirchner.

Desde março de 2012, é aguardado um julgamento contra o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), acusado de “acobertamento agravado” da chamada “conexão local”, que forneceu a logística para realizar o atentado, no qual também estará no banco dos réus o ex-presidente da Delegação de Associações judaicas DAIA Rubén Beraja, entre outros.

Desclassificados x desconfiança
Os cidadãos duvidam do suicídio; líderes de opinião, associações trabalhistas e políticos evitam a palavra assassinato e optam por falar de suicídio induzido como causador da morte do promotor.

Nisman foi encontrado morto no domingo em seu apartamento do bairro de Puerto Madero em Buenos Aires, depois que alguns de seus 10 seguranças particulares alertaram sua mãe que ele não atendia aos chamados.

Na segunda-feira, o gabinete da Presidência anunciou a desclassificação (divulgação) de informação de Inteligência relacionada à investigação do atentado de 1994, solicitada na semana passada por Nisman.

Grupos de oposição convocaram com êxito milhares de pessoas em várias cidades do país, especialmente na praça de Maio, que com o lema “Eu sou Nisman” pediram justiça.

Panelaços e carros buzinando também foram ouvidos em outros bairros da capital, quase na mesma hora em que Kirchner divulgou uma longa carta no Facebook e no Twitter, redes onde foram lançadas hashtags durante o dia chamando-a de “CFKasesina”, entre outros insultos.

O governo considera suspeito que o promotor tenha interrompido de surpresa férias familiares na Europa para apresentar na semana passada uma denúncia de 350 páginas que envolve Kirchner.

Avança denúncia
O juiz Ariel Lijo, que recebeu a denúncia de Nisman, também implementou medidas urgentes para preservar 300 CDs com escutas telefônicas nas quais o pedido de investigação de Kirchner se baseia.

Na semana passada, quando a denúncia de Nisman surpreendeu os meios de comunicação e irritou o governo, foi informado que Lijo estava de férias até fevereiro e seu suplente não assumiu o caso.

A Amia e a DAIA convocaram um ato para quarta-feira em Buenos Aires ao qual convidam todos os cidadãos sob o lema “verdade e justiça”.

“O êxito das manobras para acobertar o atentado mostra os vínculos entre setores da justiça federal, das agências de inteligência, das forças de segurança e do sistema político”, indicou um comunicado do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS).

O CELS, referência na defesa dos direitos humanos na Argentina, lembrou que a gravidade dos últimos fatos “exige decisões políticas firmes” e exigiu a maior diligência nas investigações abertas.

A assinatura em janeiro de 2013 de um memorando de entendimento com o Irã –denunciado como inconstitucional pela AMIA e por outras organizações judaicas– tensionou as relações, que eram boas, entre o governo de Kirchner e esta comunidade, a maior da América Latina.


7 comentários

  1. BigPeter
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 – 11:49 hs

    É bem a cara desses terroristazinhos sudamericanos, tipo Kirschner’s; Roussefs; Dirceuss; Genuinos, e outras pestes que por aqui abundaram e,num trabalhao inacabado dos militares, ainda abundam.
    Verdade eJustiça, é o mínimo que a sociedade argentina, a sociedade brasileira, e especialmente a sociedade judaica merecem.

  2. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 – 11:57 hs

    Pobre América latrina. Seu destino manifesto é ser governada por arrivistas, caudilhos, demagogos, vigaristas e mafiosos. Seja na ditadura ou democracia triunfam sempre os patifes e os vagabundos.

  3. Helena
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 – 14:10 hs

    Este caso me fez lembrar a morte do Celso Daniel em Santo André. O nosso grande, competente e Sergio Moro que se cuide, tem muita gente por aí que não quer que investigue nada, ao contrário do que se pregavam nas campanhas eleitorais.
    Tudo o que prometeram… hoje fazem ao contrário…

  4. dibel
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 – 16:22 hs

    Cara! Com tanta arma que presta e o cara se suicida com um 22″. Justamente o que não deixa resíduos na mão.

  5. toninho
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 – 17:37 hs

    Com 10 seguranças e mesmo assim foi assassinado? É um pouco surreal.
    Imagino que esse cidadão criou uma situação em tal dimensão que agora, na hora de apresentar as provas de suas elocubrações, se sentiu acuado, por não tê-las, como divulgou em noticiários até então.
    Cidadão bastante esquisito pro meu gosto. Tivemos alguns parecidos aqui no Brasil. Quem não se lembra do Procurador da República, Luiz não sei das quantas, que andava de fusquinha e que denunciou um monte de gente, dando entrevistas na televisão, passando a imagem de paladino da moralidade. Na hora do pega prá capar, inventou provas, logo desmentidas, porque não as tinha. E caiu na desgraça e ninguém se lembra dele hoje, por falta de credibilidade.
    Outro foi o ex-deputado Protógenes, ex-procurador ou ex-delegado, que apareceu, luziu com as denúncias e foi desmascarado por falta de provas em suas acusações.

  6. Loop
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 – 19:02 hs

    Ela e’ do PT?

  7. Morador Centro
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 – 9:08 hs

    Suicídio sem vestígios de pólvora e revestido de legalidade, foram acometidos todos os latinos americanos na escolha de seus representantes de esquerda, para os quais os fins justificam os meios e os erros são socializados e prejuízos distribuídos. Sou de esquerda mas preservo a ética, a legalidade e a verdade sobre fatos e atos públicos, assim como uma leitura realista da globalização e das consequências da perda de competitividade e do papel no cenário mundial, originado pelo alinhamento e aprovação dos desmandos dos mandatários dos países da América do Sul, quando deveria reprovar e pressionar para políticas voltadas ao novo cenário mundial.

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