Dilma distancia-se de Lula, que, via Martha Suplicy, manda recados ao Planalto | Fábio Campana

Dilma distancia-se de Lula, que, via Martha Suplicy, manda recados ao Planalto

lula_marta

Do Ruy Fabiano:

O exercício continuado do poder é, historicamente, fator de desgaste e enfraquecimento, sobretudo quando sua longevidade é atropelada por crises conjunturais. Há numerosos exemplos – e entre nós, o mais recente foi o próprio regime militar.

Durou 21 anos e não resistiu ao acúmulo de fatores adversos que o tempo impõe (e expõe), em especial quando entra em cena a economia. Quando o presidente Figueiredo viu-se desafiado pela frente oposicionista comandada por Tancredo Neves, em 1984, já iam longe os bons tempos de crescimento alto e inflação controlada, que tornavam os outros erros secundários.

O país começava a mergulhar na crise que, no governo seguinte, o levaria à hiperinflação. A crise, porém, começara ainda no governo Geisel, estendera-se pelo governo seguinte, levando às ruas o discurso da mudança. Não se acreditava mais na capacidade do regime de protagonizá-la.

O resto é história. Não houve eleição direta, mas houve notória participação popular nos acontecimentos que levaram a oposição a vencer no colégio eleitoral.

De mudança em mudança, chegou-se ao PT, que a prometeu em termos mais radicais que seus antecessores: seriam não apenas econômicas, sociais, mas, sobretudo, de ordem moral. O partido construíra sua reputação com um discurso moralista tão extremado que Brizola chegou a apelidá-lo de “UDN de tamancos”.

Nos dois períodos do governo FHC, em que a economia começou a se ajustar – não sendo, portanto, tão eficazes as críticas a esse tema -, o PT investiu duramente na estratégia das denúncias. Pedia CPI todo dia. Lula não hesitava em dizer: “Quanto mais CPI, melhor”. Foi com esse discurso, que assegurava que era possível “um mundo melhor”, que o partido chegou ao poder.

É bem verdade que contou com uma mãozinha do próprio FHC, que, antes das eleições, chegou a dizer que “agora é a vez do Lula”. Supunha que PSDB e PT, vertentes do que via como gradações de um mesmo programa esquerdista, estavam destinados a se alternar ad eternum no poder.

Mas essa é outra história, que a História desfez. O que importa é constatar que o moralismo petista era meramente estratégico. Sabia que a maioria das denúncias que fizera quando na oposição era de fachada. Não fosse, já as teria reaberto e dado consequência judicial desde o início. O partido assumiu conduta que ele próprio passou a chamar de pragmática (palavra que adquiriu significado para lá de ambíguo).

Aliou-se às lideranças que mais execrava e absorveu, com impressionante talento e rapidez, os métodos mais abomináveis do fisiologismo. Tudo isso, claro, provocou dissensões internas.

Os primeiros a desembarcar foram os intelectuais fundadores do partido. Prevaleceu a ala pragmática, que tem em Lula e José Dirceu, seus expoentes. E o partido começou a colecionar escândalos, chegando ao paroxismo do Petrolão, que o The New York Times considerou o maior do mundo moderno.

De escândalo em escândalo, rompeu-se parcialmente a impunidade. José Dirceu, ícone do partido, foi preso. Lula, embora poupado, ficou exposto. Ninguém crê no seu alheamento em relação ao que se denuncia – nem ele.

O resultado é o que está em curso: as maiores lideranças do partido tentam se descolar uns dos outros. Dilma distancia-se de Lula, que, via Martha Suplicy, manda recados ao Planalto. José Dirceu está magoado com ambos: Dilma e Lula.

Sente-se excluído do poder, o que sugere que não se deu conta ainda de sua condição de presidiário (ainda que em regime aberto). O PMDB, aliado do poder – não importa quem lá esteja – reclama de sua escassa fatia no loteamento de cargos.

Dilma, sem maiores aptidões para a negociação política, põe-se de costas para os partidos aliados, dos quais necessitará dramaticamente quando o novo Congresso, a partir de fevereiro, se empossar. O que ocorrerá? Ninguém sabe.

Sabe-se que a política é feita de paradoxos – e o que une, neste momento, os que estão no poder e em suas adjacências é exatamente o risco de se encontrarem no banco dos réus.

Isso impõe, ao menos em tese, uma aproximação estratégica (ou pragmática) dos que neste momento duelam e trocam adjetivos pouco cordiais. São inimigos íntimos, que dependem de uma boia comum para sobreviver.

O quadro é mais desafiador que o do fim do regime militar. Além da crise econômica, gerencial e política, há a crise moral, a mesma que o PT, quando na oposição, buscou imputar a seus adversários. Está enfim provando do próprio veneno – só que preparado e servido por ele mesmo.


5 comentários

  1. Do Interior....
    sábado, 24 de janeiro de 2015 – 16:36 hs

    Este distanciamento de DiLLma por LuLLa não é por nada. LuLLa e DiLLma sempre foram os mesmos, assim como José Dirceu.
    LuLLa mais malandro, esperto e inteligente, vendo o PT de Dilma afundar, achou logo um meio de “fazer oposição”. O verdadeiro objetivo é fazer oposição ao próprio partido para, então, voltar à presidência em 2018. Para mim não passa tudo de uma manobra eleitoreira.
    Os atos de DiLLma, necessários para manter o equilíbrio fiscal, vai contra o populismo de LuLLa, única coisa que pode leva-lo ele e o PT mais 4 anos ao poder depois de 2018. Aliás, o populismo quer manter a pobreza para que seus defensores mantenham-se no poder.

  2. Do Interior....
    sábado, 24 de janeiro de 2015 – 16:39 hs

    Vejam o vídeo sobre o populismo:

    https://www.youtube.com/watch?v=8rLhmRMRNOw

  3. sábado, 24 de janeiro de 2015 – 17:01 hs

    Pura balela em ação entre amigos.
    Lula quer dar essa impressão, combinou com a gangue pra falar mal da Dilma e ELLE (lula) virá como “salvador da pátria”.
    Só que Lula esqueceu que está prestes a ir para Papuda também, mas age tal qual ZeDirceu.
    Eles não mudam o mudus operandi, agem, falam, roubam e enganam sempre da mesma forma

  4. araujo
    sábado, 24 de janeiro de 2015 – 17:39 hs

    Toda quadrilha com o passar dos tempos começa a se desentender.Isso é histórico.Mas a principal personagem disso tudo que ai esta começa a despontar na entrada do sambodromo:a Odebrech e juntamente com ela no mesmo samba enredo entra o BNDS onde o mestre sala LULA desfilou esse tempo todo com toda sua desenvolta cara de pau.Mostrem para o povo a dinheirama derramada nas empreiteiras,principalmente esta que está começando a aparecer,para que centenas de obras fossem realizadas no exterior.Aguardem.

  5. PEDROCA DO SUDOESTE
    sábado, 24 de janeiro de 2015 – 17:59 hs

    Isso aí,é briguinha doméstica,de casa…..No final da novela,tudo paz e amor,e o povo que se dane……

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*