Anvisa libera uso terapêutico da maconha | Fábio Campana

Anvisa libera uso terapêutico da
maconha

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O uso terapêutico do canabidiol está permitido no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar por unanimidade a mudança na classificação da substância, presente na maconha. Ela deixa a lista de produtos proscritos e passa a figurar na lista C1, de substâncias de uso controlado. Informações do Estadão Conteúdo.

A decisão é fruto de uma discussão iniciada ano passado, quando familiares de crianças que sofrem recorrentes crises de convulsão começaram uma movimentação para a liberação do produto, cujo uso é permitido em outros países. Estudos mostram que o canabidiol, que não tem efeito psicoativo, ajuda a reduzir as crises convulsivas. Katiele de Botoli, mãe de Anny, uma das primeiras pacientes brasileiras a usar o produto para tentar reduzir as crises, emocionou-se ao fazer a defesa da reclassificação. “Esse momento é muito importante. Sabemos que não se trata da cura, mas esperança na qualidade de vida das crianças”, disse. “Esperamos que a mudança estimule a realização de estudos científicos para conhecer mais sobre a substância e sua interação com outros medicamentos”, completou.

De acordo com Katiele, depois de vários meses com crises controladas, Anny voltou semana passada a apresentar um aumento de convulsões. A piora estava relacionada à interação com outro medicamento, que a menina passou a usar. “Interrompido o uso, as crises foram novamente controladas”, contou a mãe.

A presidente da Federação Brasileira de Epilepsia, Maria Carolina Doretto, afirmou esperar que, com a reclassificação, indústrias farmacêuticas passem a sintetizar o produto. Ela defendeu ainda que ele seja rapidamente incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS). “Seguindo os padrões estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina”, destacou.

Júlio Américo Neto, pai do menino Pedro, também defendeu a ampliação de estudos e a criação de uma política nacional da “cannabis medicinal”, para distribuição de medicamentos feitos a partir do canabidiol para tratamento de pacientes.

Na justificativa de seu voto, o presidente em exercício da Anvisa, Jaime Oliveira, lembrou que o canabidiol não é considerado um produto entorpecente ou psicotrópico e não há relatos de que ela possa provocar dependência. O diretor Renato Porto, que também votou pela reclassificação, fez avaliação semelhante. Ele ressalvou, no entanto, não haver estudos que mostrem a eficácia e a segurança do produto a longo prazo, uma lacuna que, em sua avaliação, é preciso ser reparada.


3 comentários

  1. Sergio R.
    quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 – 10:48 hs

    A Anvisa não libera uso terapêutico da maconha. Libera o remédio que contém o canabidiol, princípio ativo da maconha. É um assunto tão sério que deveria merecer um título sério, como o conteúdo do texto.

  2. Médico
    quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 – 11:18 hs

    Vitória da Maconha.
    Derrota dos proibiciopatas e dos proibisquizoidopatas brasileiros.

  3. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 – 12:02 hs

    A turma da chibaba se organizou para espalhar que isso é um começo da liberalização geral. O canabidiol é uma das milhares de substâncias presentes na maconha e seu uso controlado é um avanço positivo. É como a papoula cujas substâncias são largamente utilizadas em milhares de medicamentos, porém, seus derivados como a heroína continuam proibidos. Agora, entre liberar este uso controlado de uma substância em particular e liberar geral a chibaba para ser usada nos mocós e praças públicas para deleite da vagabundagem pátria é coisa muito diferente.

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