Política para o petróleo terá de ser revista | Fábio Campana

Política para o petróleo terá de ser revista

Com ações e títulos desvalorizados, a Petrobras não conseguirá captar recursos facilmente nos mercados a fim de cumprir compromissos impostos pelo governo.

barril-de-petroleoEditorial O Globo:

O Plano de Negócios da Petrobras até 2018 prevê investimentos anuais da ordem de US$ 44 bilhões. Em situação normal de temperatura e pressão, empresas desse porte concretizam seus investimentos com uma combinação de recursos próprios (gerados pelas próprias atividades) e de terceiros. Assim, multiplicam a capacidade de investir e de obter lucros futuros.

Além de ter sido obrigada pelo governo a assumir compromissos que excediam o seu fôlego financeiro, a Petrobras teve sérios problemas de gestão, agravados por golpes criminosos, agora revelados pela Operação Lava-Jato.

Esse desgaste de imagem, que se evidencia pela queda vertiginosa dos preços de suas ações e desvalorização dos bônus emitidos, certamente complica a equação financeira que havia sido formulada para execução dos investimentos previstos no Plano de |Negócios. Para 2015, por exemplo, estava previsto que fosse captar o correspondente a US$ 12 bilhões no mercado internacional.

A Petrobras já se desfez de alguns ativos, como ocorreu recentemente no Peru, conseguindo obter cerca de US$ 2,6 bilhões. Possivelmente terá que se desmobilizar ainda mais para se livrar de dívidas onerosas e se concentrar nos investimentos que identifique como prioritários.

Mesmo assim, não é uma situação que se resolva rapidamente. A política brasileira para o petróleo, extremamente concentrada na Petrobras, terá de passar por uma revisão. Há sinais que isso começará a ocorrer em 2015.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai propor ao Conselho Nacional de Política Energética uma rodada de licitações no ano que vem com uma oferta que englobe de 200 a 300 novas áreas destinadas à exploração. Após tantos anos sem rodadas ou com ofertas minguadas a potenciais investidores, 2015 pode marcar uma reviravolta na política do petróleo.

O próprio pré-sal também precisa de uma revisão nas regras de exploração de futuros blocos. O governo Lula instituiu o modelo de partilha de produção no pré-sal, tornando a Petrobras operadora única desses blocos, e com uma participação de no mínimo 30% no consórcio investidor. Na prática, ressuscitou o monopólio para essas áreas. Ambas as condições são inexequíveis para a realidade financeira e gerencial da Petrobras.

Em face das suas restrições de capital, a estatal não poderá assumir compromissos tão expressivos, o que poderia até levar o governo a não promover licitações no pré-sal, desperdiçando oportunidades para atrair investidores e reforçar o caixa do Tesouro.

Ainda que mantenha o modelo de partilha para o pré-sal, o governo terá então de rever a obrigação de a Petrobras ser a operadora única dos futuros blocos e ter um limite mínimo de participação nos consórcios. E some-se a tudo isso a queda do preço do petróleo no mundo, um desestímulo a investimentos na exploração.

A conjuntura potencializa o estrago em curso provocado pelo esquema de corrupção montado pelo lulopetismo na estatal.


9 comentários

  1. Beatrix Kiddo
    domingo, 14 de dezembro de 2014 – 15:06 hs

    O pré-sal vai continuar sendo mais sonho do que realidade, com o petróleo custando menos do que US$70,00 por barril, é mais lógico e barato importar do que gastando para tirá-lo lá do fundo do mar. Pena que matamos o Pró-álcool, o etanol é nosso e ainda não nos demos conta disto.

  2. Paolo
    domingo, 14 de dezembro de 2014 – 15:42 hs

    Que conversa mais besta é essa?! Enquanto a quadrilha do PT/3% não for retirado do governo federal, nem que seja à fórceps, não adianta rever “Política para o Petróleo” BOST. NENHUMA!!!!

  3. Palpiteiro
    domingo, 14 de dezembro de 2014 – 18:23 hs

    Todo mundo sabe que a empresa mais lucrativa do mundo é uma petrolífera; e a segunda mais lucrativa do mundo é uma petrolífera mal administrada. O lulopetismo conseguiu fazer com este ditado virasse pó, pois conseguiu com doze anos de gestões ruinosas arrasar com a lucratividade de uma mais maiores petroleiras do mundo, que é praticamente, monopolista. O lulopetismo é uma lepra que destrói tudo que toca.

  4. MARTINS
    domingo, 14 de dezembro de 2014 – 19:32 hs

    > Senhor, esse ano foi muito difícil pra mim. Vc levou meu ator favorito Robin Williams, o meu escritor favorito João Ubaldo Ribeiro, meu cantor favorito Jair Rodrigues e o meu humorista favorito o Chaves. Só quero que vc saiba que minha presidente favorita é a Dilma e só faltam 20 dias para o ano novo… Não é querendo pressionar !!!Pessoa com mãos dobradas
    > Amém

  5. Vigilante do Portão
    domingo, 14 de dezembro de 2014 – 20:11 hs

    Gente, não vai ter investimento nenhum.

    A empresa está quebrada.

    Não tem dinheiro e não tem crédito;
    Não pode lançar Ações na Bolsa;
    O Tesouro não tem dinheiro para bancar a empresa.

    Nem Balanço a Petrobras apresenta.
    Insistem na mentira sobre a Auditoria estar aguardando as revelações do caso Petrolão.
    MENTIRA!

    Em nada influenciam o Balanço da Petroleira, ao contrário, o Balanço, seus documentos e pareceres, podem servir de suporte para aprofundar as investigações e PUNIR os Gestores.

    Na verdade, o buraco, no caso do Balanço, é muito maior.

    Será que…

    O passivo é muito maior?
    Existem desvios nas contas?
    Saldos fictícios?
    Contas fantasmas?

    De qualquer forma, o problema não são as investigações.

    Dilma, omissa, comete crime de “Lesa-Pátria”, ao não destituir a Diretoria e convocar uma equipe independente para analisar as contas da Petrobras.

  6. Do Interior....
    domingo, 14 de dezembro de 2014 – 22:44 hs

    Da forma como o PT é pilantra, não me assusta se eles desvalorizarem a Petrobrás no máximo, para vende-la (talvez a si mesmos) a preço de banana, para lucrar ainda mais nas costas dos acionistas…

  7. justino bonifacio martins
    segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 – 6:58 hs

    O Plano Privativista do Petrolão está se concretizando com a desvalorização das ações da empresa. Esse é o grande plano dos canalhas entreguistas. Vão se dar mal!

  8. Valdir Bassai
    segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 – 7:32 hs

    Tem que acabar com o “monopolio” da petrobras.
    Seja Privatizando, fazendo concessão, o que não pode é dizer que a Petrobrás é nossa e nós pagarmos caro por isso.

    Governo tem que cuidar de 2 areas apenas Saude e Segurança. Na Educação tem que cuidar até o fundamental apos isso só gerenciar.
    Acaba com as Federais e conceda bolsa de estudos a quem realmente precisa. Chega de ensino gratis para os ricos e ensino pago aos pobres.

  9. Johan
    segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 – 8:58 hs

    Caro FÁBIO, como sabemos da baixa qualidade GERENCIAL dos membros da ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA PETISTA, após 12 anos de gestão, que colocaram a PETROBRÁS em situação vexaminosa, abaixo inclusive da PDVSA VENEZUELANA, entendo ser necessária a medida de colocar em discussão a estatização da PETROBRÁS, devolvendo-a ao estado, num prazo de 02 anos, para em seguida iniciar processo de PRIVATIZAÇÃO com aumento de capital, colocando as ações da empresa nas BOLSAS de VALORES. Aos contrários a medida permitir a manifestação e solicitar aos mesmos que proponham medidas alternativas. Essa situação de manifestar-se contrariamente, agora não dá mais, tem que propor correção de rumos. Defendo a liberdade de opinião, liberdade de imprensa e liberdade de investigação. Apoio a proposta de ” o sul é o meu país”, e proponho o IMPEACHMENT JÁ da DILMA, antes da posse, para evitar maiores constrangimentos e vergonhas a sociedade brasileira. Atenciosamente.

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