Mais de 7 milhões de pessoas ainda passam fome no país | Fábio Campana

Mais de 7 milhões de pessoas ainda passam fome no país

Foto: Michel Filho / O Globo/Arquivo
fome - o globo

De Clarice Spitz, O Globo:

Cerca de um quinto dos domicílios brasileiros (22,6%) tiveram algum tipo de restrição ou ao menos preocupação sobre ter alimento na mesa. Desses, 3,2% dos lares ou 7,2 milhões de pessoas tiveram fome, comprometendo a qualidade e a quantidade de alimentos dados inclusive a crianças em formação. Os dados fazem parte do Suplemento de Segurança Alimentar, elaborado pelo IBGE com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013) em 65,3 milhões de domicílios. Os entrevistadores perguntaram em lares do país qual a percepção delas em relação aos alimentos, se houve alguma restrição ou carência nos últimos 90 dias.

Uma comparação com os últimos dez anos mostra avanço no país nos indicadores. Em 2004, a fatia de domicílios que se declaravam confortáveis em relação aos alimentos era de 65,1%. Dez anos depois, em 2013, esse percentual subiu para 77,4%. Já os casos de insegurança, medida em três níveis (leve, moderada ou grave) desde a preocupação com a falta de alimentos no futuro até a efetiva restrição, recuaram de 18%, em 2003, para 14,8%, em 2013. A chamada insegurança moderada, quando existe redução de alimentos para adultos, passou de 9,9% para 4,6%. O de insegurança grave, quando atinge crianças, recuou de 6,9% para 3,2%.

Neste ano, o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou que o percentual de pessoas com insegurança alimentar aguda chegou a 1,7%, considerado erradicação, no entanto, a miséria parou de cair no país. Após uma década de queda sistemática da pobreza extrema, ela subiu de 3,6% para 4%.

— Esse estudo (FAO) usa uma escala parecida com a Ebia, para um dos aspectos. A FAO faz essa pesquisa de segurança alimentar de uma maneira mais ampla, usam dados de produção de alimentos, dados antropométricos — explicou July Ponte, técnica do IBGE responsável pela pesquisa de segurança alimentar.

O IBGE utilizou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) para identificar e classificar os domicílios de acordo com o grau de segurança alimentar, ou seja, se existe uma situação de conforto ou de medo e risco de ficar sem comer. A escala prevê quatro categorias. A segurança alimentar se aplica a domicílios que têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. Já a insegurança alimentar pode ser leve, moderada e grave.

Ela é leve quando em um lar há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro e a qualidade é considerada inadequada em casos de pessoas que não querem comprometer quantidade. No caso da insegurança alimentar moderada, ela está presente quando se verifica a redução quantitativa de alimentos entre adultos. Já a insegurança alimentar grave é constatada com a redução quantitativa de alimentos entre crianças e a fome (quando alguém fica o dia inteiro sem comer por falta de dinheiro).

FOME NO CAMPO ERA MAIOR

Segundo o IBGE, a fome ainda era maior no campo, com 13,9% dos domicílios em situação grave ou moderada. Houve aumento de domicílios na condição de insegurança grave de 19,5% para 21,4%, enquanto na área urbana, a proporção de domicílios com insegurança grave passou de 4,6% para 2,8%, e a moderada seguiu no mesmo sentido recuando de 6,1% para 3,9%.

O Norte e o Nordeste tinham os piores indicadores de insegurança alimentar, com indicadores bem abaixo da média do país. O Nordeste experimentou o maior avanço, mas ainda detinha os piores indicadores. Em 2004, a região tinha menos da metade dos domicílios (46,4%) com segurança alimentar, esse percentual ficou em 61,9%. No Maranhão, 60,9% dos domicílios tinham algum tipo de insegurança alimentar, ou seja, não tinham certeza de que iriam conseguir se alimentar de forma adequada, enquanto a média do Nordeste era de 38,1% de insegurança e 61,6% de segurança. Em situação grave, eram 9,8% dos domicílios. No Piauí, 55,6% dos lares tinham algum tipo de insegurança. No Amazonas, 42,9% tinham algum tipo de insegurança. Na região Norte, apenas Rondônia tinha indicador de segurança alimentar acima da média nacional.

No Sudeste, 85,5% dos domicílios estavam na situação de segurança, sendo que o maior percentual em todo o país estava no Espírito Santo. São Paulo detinha o menor percentual de domicílios com restrição grave: 1,7%. No Rio, eram 82,2% dos lares estavam na condição de segurança alimentar. O Centro-Oeste passou de 68,8% dos domicílios em situação de segurança alimentar para 81,8%.


13 comentários

  1. Luigi
    quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 – 16:07 hs

    Ué, mas o governo não vive dizendo que PAIS RICO É PAIS SEM POBREZA???
    Ah, entendi, é sem pobreza na vida dos governantes e seus ASPONES (assessores de porra nenhuma!).

  2. quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 – 17:08 hs

    Como ??? Então a Dilmá é mentirosa mesmo ???
    Nas propagandas do governo do PT e na campanha do PT está tudo maravilhoso, não tem pobreza

    Então é mentira da mentira dos mentirosos que mentem tanto que esquecem das mentiras que mentiram

  3. fiscal de realeza
    quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 – 18:07 hs

    LUIGU ESTES SAO OS MACONHEROS DO FHC QUE QUANDO TEM MACONHA SE NAO DER COMIDA MORREM DE FOME MESMO HERANÇA AMIGO DE UM EX PRESIDENTE MACONHERO E INCENTIVADOR DA DROGA NO BRASIL

  4. Beatrix Kiddo
    quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 – 19:52 hs

    Os “técnicos” adoram inventar nomes, fome virou “insegurança alimentar”, qual será o nome que agora vão inventar para “roubalheira”, “corrupção” e “impunidade”. Este povo é muito criativo, daqui há pouco vão nos convencer que tudo não passou de um equívoco, e que ninguém roubou nada, corrupto é coisa é privilégio dos governos anteriores ao pestismo e impunidade é tratada com severidade pelo Sérgio Moro.

  5. Parreiras Rodrigues
    quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 – 20:09 hs

    Pesquisa dá conta que em muitas casas onde a fome campeia, os moradores desfrutam de lavadora, tevê, telefone fixo, motocicleta, por ai…

  6. tadeu rocha
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 9:08 hs

    DILMA NÃO DISSE QUE ESTAVA CONTROLADA A FOME NO BRASIL, OU SÓ ERA PARA ALUGAR ESSES 53 MILHOES DE BRASILEIROS QUE ACREDITARAM ELA NO PT, É UMA PENA , POR OUTRO LADO ELES MERECEM ISSO, NORDESTE NORTE MINAS RIO DE JANEIRO. E VOCÊ LUIGI FALOU TUDO PARA ESSES BRASILEIROS QUE AINDA NÃO APREENDERAM O CERTO E ERRADO.

  7. tadeu rocha
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 9:18 hs

    ISSO É PARA ESSES 53MILHOES DE BRASILEIROS QUE NÃO QUISERAM PASSAR A LIMPO O NOSSO BRASIL,,,,,, GASOLINA JÁ SUBIU E VAI SUBIR MAIS PARA NÓS PAGAR OS ROMBOS DELES, AGORA É VEZ DA LUZ SUBIR , ENTÃO EU DOU MUITA REZADA NÃO É RIZADA , PARA ESSES 53 MILHOES DE TRAIDORES…

  8. jose carlos pinto
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 10:16 hs

    OS AUMENTOS DOS MAGISTRADOS E PARLAMENTARES NINGUEM FALA NADA, OS PETISTAS VIVEM FALANDO DO BOLSA FAMILIA COMO FICAM ESSES COITADOS. EMPURRAR OS PROBLEMAS PARA BAIXO DO TAPETE.

  9. Johan
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 10:51 hs

    Caro FÁBIO, é INACREDITÁVEL observar e ler essas noticias divulgadas pelos órgãos do governo federal. A fome havia acabado com a inclusão dos pobres brasileiros nordestinos. Nos últimos 04 anos a população que passa FOME aumentou. Mais uma MENTIRA da presidente DILMA VAGALUME, que deseja acabar com a FOME por decreto. Há necessidade de consultá-la sobre qual fome a que se refere, pois pela ausência de maiores esclarecimentos, podemos crer que seja FOME de PODER, FOME de DÓLARES. Defendo a liberdade de imprensa, liberdade de opinião, liberdade de investigação. Apoio a proposta de ” o sul é o meu país”, e proponho o IMPEACHMENT JÁ da DILMA, antes da posse, para evitar maiores constrangimentos e vergonhas a sociedade brasileira. Atenciosamente.

  10. Strapasson
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 11:56 hs

    Fiscal: voce é muito desrespeitoso!

    Quer atacar FHC, ok! Mas chamar mais de 7 milhões de miseráveis ( no sentido de quem vive abaixo da linha da pobreza)de maconheiros?

    FHC defendeu a liberação da maconha (que eu não concordo) como cidadão, o que é direito dele numa democracia. Não usou a instituição do cargo para fazer proseletismo.

    Você é ridículo!

  11. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 13:21 hs

    Discutir o o Fiscal é o mesmo que, como diz Lobão, jogar xadrez com pombo.

  12. Luigi
    sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 15:10 hs

    Aprecio o debate construtivo, pois nos leva a entender melhor as coisas. Para mim, o consumidor de qualquer tipo de droga é, antes de tudo, um ser humano que não recebeu a adequada formação no berço familiar e que ganha o mundo sem um mínimo de valores/limites e vai bater cabeça para o resto da vida.
    Liberar, ou não, o uso e comercialização das drogas? Questão delicada, pois deve levar em conta uma série de requisitos, principalmente, a educação, os usos e costumes do lugar, o nível sócio-econômico. Em 2012, 5% (250 milhões) da população mundial declararam ter consumido algum tipo de droga. Para demonstrar o tema, no Uruguai (3.5 milhões), 1º país do mundo a legalizar e regulamentar a comercialização da maconha, 8,3% (290 mil ) declararam ter consumido algum tipo de droga, enquanto que na Islândia (320 mil), onde há grande debate para descriminalizar o uso, 18,3% fizeram a mesma declaração. Outros países em que assim a população se manifestou: Brasil, 8,8%, Nova Zelândia 14,6%, Nigéria 14,3%, 8,8%, França 8,4% e Israel 8,9%.
    E concluo dizendo que não podemos rotular alguém de ‘maconheiro’ apenas porque estimula o debate sobre a liberação, pois o nosso STF garantiu o direito à Marcha da Maconha, e creio que se a matéria entrar em discussão nacional, quem decidirá será o eleitor através de um plebiscito ou referendo.
    Em tempo: jamais consumi droga, pois tive o privilégio de receber uma formação sólida.

  13. sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 – 16:00 hs

    Falta de apoio governamental.

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