Atraso no pagamento do "vale" faz ônibus saírem uma hora mais tarde em Curitiba e Região | Fábio Campana

Atraso no pagamento do “vale” faz ônibus saírem uma hora mais tarde em Curitiba e Região

Foto: Antonio Nascimento, Banda B
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De Denise Mello e Antonio Nascimento, Banda B:

O atraso no pagamento da antecipação salarial, o chamado “vale”, fez com que os ônibus de sete empresas do transporte de Curitiba e Região Metropolitana saíssem das garagens com atraso na manhã desta segunda-feira (22). O Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) promoveu hoje cedo assembleias na porta das empresas em que o pagamento não foi feito no último sábado, 20, data do “vale” e, apenas por volta das 6h os ônibus começaram a sair das garagens. A informação é que o pagamento da segunda parcela do 13º salário também não teria sido feito a todos os funcionários. O último prazo foi no sábado (20).

Linhas da região Sul foram as mais afetadas. Entre as linhas que não tinham ônibus às 5 horas estavam Capão Raso-Santa Cândida e Pinheirinho-Rui Barbosa. Já as linhas Inter 2 e alimentadores circulavam normalmente hoje.

Segundo o Sindimoc, as empresas que não pagaram o adiantamento são: Redentor, São José, Cidade Sorriso, Glória, Tamandaré, a CCD e a Marechal.

Segundo o apurado pela Banda B, por volta das 6h todas as linhas já circulavam normalmente.

A reportagem conversou com motoristas e cobradores da empresa Redentor, na CIC, e a informação é de que lá ninguém recebeu o adiantamento salarial e apenas parte dos funcionários recebeu a segunda parcela do 13º. Em assembleia realizada nas primeiras horas em frente à empresa, sindicato e trabalhadores decidiram voltar ao trabalho para não prejudicar os usuários, mas o Sindimoc garantiu que ainda nesta segunda-feira irá entrar na Justiça com um pedido de bloqueio de bens das empresas que atrasaram o “vale” ou não pagaram o 13º salário.

“É um absurdo o que a Urbs e as empresas estão fazendo com os trabalhadores, não só os motoristas e cobradores mas todos que dependem do ônibus para trabalhar. Não arrumam uma solução definitiva e fica essa situação. Trabalhadores que não receberam o 13º integral, outros sem o adiantamento. Até quando? O Sindimoc está entrando hoje na Justiça com um pedido de bloqueio de bens das empresas para garantir o pagamento de todos os direitos da categoria”, afirmou o vice-presidente do Sindimoc, Dino César, à Banda B.

Queda de braço

Esta não foi a primeira vez que algumas empresas atrasam o pagamento do adiantamento quinzenal ou pagam menos do que deveriam. No mês passado, isso ocorreu e, de acordo com o sindicato das empresas de ônibus da capital (Setransp) foi em decorrência dos atrasos nos repasses por parte da Urbs. Pela convenção coletiva os trabalhadores devem receber até 40% do salário nos primeiros 20 dias de cada mês.

A database dos motoristas e cobradores é em fevereiro e há uma queda de braço entre Urbs e empresas para o reajuste da tarifa.

Nota Setransp

“O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informa que a dívida nos repasses da Comec e da Urbs para as concessionárias gira em torno de R$ 15 milhões. As empresas, diante dessa delicada situação, fizeram todo o esforço possível, recorrendo novamente a instituições financeiras, para honrar os compromissos com seus colaboradores.

Segundo o acordo coletivo de trabalho, as empresas têm de pagar até 40% do salário de adiantamento, não necessariamente os 40%. Mesmo com o atraso nos repasses, algumas conseguiram pagar os 40%; outras, porém, sem recursos, pagaram dentro das condições previstas no acordo coletivo. Ou seja, as empresas não deixaram de honrar seus compromissos, aguardando, mais uma vez, o cumprimento das obrigações da Comec e Urbs, no valor de cerca de R$ 15 milhões”, encerra a nota.

Nota Urbs

A direção da Urbs informa que, mesmo respeitando a organização sindical, considera o movimento grevista dos trabalhadores do transporte coletivo, iniciado nesta manhã de segunda-feira (22), ilegal, visto que o sindicato tem a obrigação de avisar sobre a paralisação com 72 horas de antecedência.

A Urbs vai tomar todas as medidas judiciais cabíveis em função do prejuízo incalculável que a suspensão deste serviço causa para a população. E acrescenta:

1 – O Governo do Estado ainda não repassou à Urbs as parcelas do subsídio do transporte metropolitano integrado de outubro e novembro, no total de R$ 10,7 milhões.

2 – São R$ 4,2 milhões referentes a outubro, que deveriam ter sido pagos em 10 de novembro; e R$ 6,5 milhões da parcela vencida em 10 de dezembro. A previsão até 31 de dezembro é de entrada de R$ 19,9 milhões (incluindo as parcelas atrasadas).

3 – O convênio assinado entre a Urbs e a Comec autoriza a Urbs a interromper os repasses às empresas metropolitanas a partir do 20º dia de atraso nos repasses da Comec.

4 – Apesar disso a Urbs manteve os repasses a essas empresas. A irregularidade e os atrasos nos repasses têm causados sérios problemas financeiros e operacionais à Urbs enquanto gestora do Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC).

5 – Em função destes atrasos, hoje o déficit do FUC com as empresas operadoras é de R$ 13,9 milhões, sendo R$ 10,7 milhões de responsabilidade do Estado.

6 – A Urbs reafirma que vem negociando com a Comec buscando a regularização dos repasses dos recursos que subsidiam o custo do transporte metropolitano integrado. Nas duas últimas semanas, a Urbs encaminhou à Comec, via ofícios, solicitação para priorização do transporte coletivo lembrando tratar-se de um serviço essencial à sociedade.

7 – Apesar deste déficit as empresas do transporte coletivo já receberam nesse mês de dezembro em torno de R$ 10,5 milhões como pagamento antecipado. São recursos das passagens pagas em dinheiro e que diariamente vão direto das gavetas dos cobradores para o caixa das empresas.

8 – Desde o início do ano as empresas já receberam R$ 880 milhões de receita oriundo de tarifa do transporte coletivo. Esse valor inclui R$ 33 milhões para pagamento dos impostos exclusivos das empresas e R$ 18,4 milhões para provisão do 13º salário dos seus funcionários.

9 – Para evitar que situações como esta se repitam, a URBS está propondo ao Comec um novo modelo de governança da RIT, no qual cada parte faz o pagamento diretamente às empresas de sua responsabilidade. Ou seja, a URBS continua fazendo o pagamento às empresas dos três consórcios licitados, que operam na capital. E a Comec cria uma conta para efetuar o pagamento direto das empresas metropolitanas.

A operação do transporte coletivo está neste momento normalizada, diz a Urbs em nota.


3 comentários

  1. Vigilante do Portão
    segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 – 18:09 hs

    Boa mesmo, sem dúvida, foi a cobertura da RPC/Gazeta. Milhares de pessoas enfrentando transtornos com a greve, e nada de informação na poderosa Rede de Comunicação.

  2. Aurelio
    segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 – 19:09 hs

    É….tá virando moda! Atraso aqui, atraso ali…. E o governador em férias!!!!! Mas aguardem….vem aí o pacotaço e tudo vai ficar melhor.

  3. LUIZ B.
    terça-feira, 23 de dezembro de 2014 – 8:10 hs

    ESSES EMPRESÁRIOS VAGABUNDO ROUBAM E O POVO QUE PAGA A CONTA,ESTA NA HORA DE IR NOVAMENTE PRA RUA.

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