Subsídio impagável | Fábio Campana

Subsídio impagável

De Celso Nascimento, Gazeta do Povo:

Projeções preliminares indicam que a tarifa técnica do transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana poderá alcançar R$ 3,40 em fevereiro – mês contratual para o reajuste do valor a ser pago pela Urbs às empresas por passageiro transportado. Desde fevereiro passado, a tarifa técnica está em R$ 3,18.

O usuário, no entanto, paga a partir de hoje R$ 2,85. A diferença atual de 33 centavos é coberta pelo subsídio público. Mas essa diferença vai fatalmente aumentar para cerca de 55 centavos quando a tarifa técnica for atualizada em fevereiro. Multiplique 55 centavos por 300 milhões de passagens por ano e se terá noção do rombo: coisa de R$ 165 milhões que terão de sair dos cofres públicos.

Como essa é uma conta com a qual os governos estadual e municipal não podem aguentar – a não ser que deixem de prestar outros serviços públicos essenciais –, será inevitável um novo aumento da passagem em fevereiro. Provavelmente, imaginemos, será arredondada para R$ 3,00, apenas um paliativo para diminuir a despesa com subsídio para valor menor mas igualmente insuportável: R$ 120 milhões por ano!

Com orçamentos cada vez mais apertados, os governos estadual e municipal não terão como continuar suportando o subsídio. A conta terá de ser transferida para alguém, mas de tal modo que, ainda assim, pese pouco no bolso do passageiro comum.

Modelos observados em grandes cidades europeias foram submetidos a estudos técnicos em Curitiba para possível adaptação e adoção local – ou mesmo nacional se se fizerem mudanças na Lei do Vale Transporte. O empresariado não precisará arcar com muito mais do que já despende com vale-transporte para seus empregados, mas poderá tornar possível que a população inteira usufrua do transporte coletivo de graça ou a custo mais baixo. E sem onerar os cofres públicos.

Em tempo: o estudo curitibano, por ordem da presidente Dilma Rousseff, já está sob crivo no Ministério das Cidades.


4 comentários

  1. Vigilante do Portão
    terça-feira, 11 de novembro de 2014 – 14:00 hs

    Enquanto isso, na “entrevistinha” da RPC com o Fruet, hoje, o Prefeito se esquivou de contar o % do reajuste do IPTU. Os entrevistadores, parecendo anestesiados, não disseram nada.

  2. Roberto
    terça-feira, 11 de novembro de 2014 – 14:13 hs

    E a planilha, nada…

    E aquela CPI, nada…

    E o parecer do TCE, nada…

    E a reeleição do Fruet…

  3. Do Mato
    terça-feira, 11 de novembro de 2014 – 14:27 hs

    Essa tarifa técnica começo a existir quando??? quem fez esses contratos???
    QUEM???

  4. Wagner
    terça-feira, 11 de novembro de 2014 – 14:51 hs

    Não sou contra aumento da tarifa, desde que junto com o aumento venha melhorias e isso não está acontecendo, cada dia está pior andar de ônibus em Curitiba. O prefeito só fica na promessa, até agora não fez nada para melhorar o transporte publico. A cada dia que passa nota-se que Fruet está perdido na administração da cidade.

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