Número de miseráveis no Brasil cresceu em 2013, diz Ipea | Fábio Campana

Número de miseráveis no
Brasil cresceu em 2013, diz Ipea

Foto: Hans von Manteuffel
foto  Hans von Manteuffel

Do Globo:

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) disponibilizou em seu banco de dados na internet dados que vinha mantendo sob sigilo durante as eleições e que mostram o aumento do número de miseráveis no país em 2013. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013), o instituto calculou que o número de pessoas extremamente pobres passou de 10,081 milhões, em 2012, para 10,452 milhões, em 2013, um acréscimo de 371.158 pessoas entre as pessoas com renda inferior a R$ 70 por mês. A alta de 3,68% no número de miseráveis fez com que o percentual de extremamente pobres passasse de 3,6% para 4%.

Não foi o único instituto que constatou um aumento dos miseráveis no ano passado. Os pesquisadores associados do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) Andrezza Rosalém e Samuel Franco já tinham calculado um aumento do número de miseráveis 6,1% para 6,2% em todo o país no último ano. Os pesquisadores consideram miserável quem tem renda de até R$ 123, um patamar acima daquele usado pelo governo, de R$ 70, em 2013.

A pedido do GLOBO, eles traçaram um perfil do miserável no país e mostraram que a piora do mercado de trabalho já pesou sobre a população mais desfavorecida. A taxa de desemprego dos mais pobres subiu de 25,5%, em 2012, para 30,4%, em 2013. Enquanto 43,8% dos trabalhadores no país são informais, entre os miseráveis essa é a regra: 96% vivem sem proteção social.

INFOGRÁFICO: Veja o mapa da miséria no Brasil

A reportagem, publicada em 5 de outubro, mostrou a história de Janecleide Fernandes, de 18 anos, que, diferentemente da mãe, sabe ler e estudou até a quinta série. Isso não impediu a moradia precária no Recife. Ela mora com o filho Leonardo, de 3 anos, numa comunidade quase invisível, fincada em pleno manguezal, entre duas pontes que dão acesso aos bairros do Pina e Boa Viagem, na Zona Sul da capital.

As casas têm tábuas irregulares, que margeiam becos estreitos sobre pedaços velhos de madeira, sem direito a banheiro, água encanada nem ligação oficial de luz elétrica. Para se ter acesso à comunidade, é preciso escalar uma mureta da ponte e subir uma escada enterrada entre a lama e as “ruas” de madeira que dão acesso às palafitas onde moram catadores de sururu, marisco disputado por restaurantes da capital. A casa de Janecleide tem dois pequenos cômodos, não possui latrina. Os moradores carregam baldes d’água tirada de uma mangueira comum.

— Aqui é assim, cada um no seu chiqueiro. Quem tem filho, tem que ter o seu lugar para cuidar dele — diz ela, que trabalha desde os 12 anos de idade e ganha hoje menos de meio salário mínimo por mês para a família.

INFLAÇÃO PESA

A inflação também teve impacto sobre os mais desfavorecidos, segundo o estudo dos pesquisadores. Entre os miseráveis que trabalhavam, o salário caiu de R$ 129,7 para R$ 123,9. Nessa parcela, o orçamento das famílias era composto sobretudo por outras rendas (transferências, como Bolsa Família), e o rendimento no domicílio dividido pelos moradores era de R$ 58,5, em 2013, abaixo dos R$ 62,2, de 2012. O grupo dos 5% de brasileiros mais pobres viu sua renda encolher 11%.

A pesquisadora Sonia Rocha, especialista em desigualdade e pobreza e também do Iets, foi outra que constatara a alta da miséria. Pelos cálculos da economista, houve aumento do percentual de miseráveis de 4,1%, em 2012, para 4,7% (sem o Norte rural), no ano passado, a maior alta desde 2008.

Em outubro, o diretor de políticas sociais do instituto, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da decisão do Ipea de não divulgar novas pesquisas enquanto durar o período eleitoral, o que foi minimizado na época pelo presidente, Sergei Soares.

Procurado, o Ipea ainda ainda não informa porque os dados estão no site sem que fossem oficialmente divulgados.


17 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 15:10 hs

    Os miseráveis econômicos são o objeto da manchete. Mas, a miséria intelectual e política foi uma maioria esmagadora e devastadora na história do Brasil e se tornaram hegemônicos nos últimos doze anos.

  2. TROLL
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 15:56 hs

    Ué?
    E os “bolsas tudo?”

  3. ferreira
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 16:18 hs

    Este resultado é diretamente proporcional à comPTência da quadrilha.
    D’us salve o Brasil.

  4. LUIZ B.
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 16:32 hs

    ISSO NÃO É DE HOJE,VEM LÁ DE 2004 PARA CÁ,QUANDO COMEÇARAM A MAQUIAR A INFLAÇÃO QUE VOLTOU NESSE ANO.

  5. Saul
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 16:56 hs

    Teoria da conspiração, nada está tão ruim que não possa piorar. E parte das famílias nessa situação, boa parte, votou na reeleição da Dilma. Com tantas riquezas o país não deveria sofrer tantas desigualdades, principalmente com um governo que se intitula dos pobres. Realmente o PT dividiu o Brasil e não governa nem para o Sul e bem menos para o Nordeste.

  6. Sociedade Responde
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 19:07 hs

    Então quer dizer que a “presidenta” MENTIU PARA OS BRASILEIROS com o objetivo de ganhar eleição? ** E agora, como cobrar dela esse desvario? Será que foi com essa e outras mentiras que conseguiu ganhar APERTADO de Aécio Neves? ** Se foi, é preciso rever sim, tais métodos e impor sanções moralizadoras. ** Chega de mentiras!

  7. quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 19:55 hs

    Tudo por conta das Irresponsabilidades,desta corja chamado PT,bando de assaltantes do dinheiro publico,,

  8. emilson pupo
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 19:58 hs

    É disso que o PT gosta, de pessoas pobres para fazer o aparelhamento do Estado Brasileiro com bolsa família etc, fazendo essas pessoas dependentes e desta forma ter seus votos e mantendo-se no poder é uma vergonha. Ainda dizem por ai que tem que respeitar essa corja do Petrolhão.

  9. Beatrix Kiddo
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 21:53 hs

    Isto não passa da mais rematada mentira veiculada por esta imprensa PIG, só pode ter sido engendrada em algum comitê de tucanos raivosos. Felizmente a mentira tem perna curta.

  10. Helena
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 22:09 hs

    Quanto mais miseráveis, mais dependente do Bolsa Família, maior número de eleitores do PT . A miséria satisfaz bem ao intuito do governo federal – manter-se no poder e implantar o bolivarismo no Brasil.

  11. Galopante
    quarta-feira, 5 de novembro de 2014 – 22:59 hs

    Ué!!!! Mais esta não era a pesquisa que estava errada? Agora mudou??

  12. Sergio Silvestre
    quinta-feira, 6 de novembro de 2014 – 0:11 hs

    Seriam os eleitores do Aécio??????????????

  13. FUI !!!
    quinta-feira, 6 de novembro de 2014 – 4:56 hs

    O número de miseráveis cresce e a Dilma comemora a ascensão social
    dos pobres. Antes dos pobres estão os miseráveis que são os que não
    conseguem comida. Sem comida ninguem chega à margem da pobreza…
    Triste Brasil…

  14. BETO
    quinta-feira, 6 de novembro de 2014 – 8:37 hs

    KKKKKKK, ai, ai, ai.
    Poque não mostraram isso, antes da eleição?

  15. Paolo
    quinta-feira, 6 de novembro de 2014 – 8:46 hs

    O PT/3%, esse partido amigo e defensor do POBRES E MISERÁVEIS, conseguiu a PROEZA de AUMENTAR o número desses últimos, na contramão do que ocorre no resto do Mundo!!! Já os petistas, de carteirinha, não têm do que se queixar!! ( Vide Petrolão e etc.)!!!!

  16. Guilherme
    quinta-feira, 6 de novembro de 2014 – 12:12 hs

    OLÊÊÊ OLÊ OLÊ OLÁÁÁÁ, DILMÁÁÁÁ, DILMÁÁÁÁ!

  17. LUIZ B.
    sexta-feira, 7 de novembro de 2014 – 9:13 hs

    E ESSE POVINHO VAI CONTINUAR COMENDO MDA ENQUANTO NÃO MUDAR A MENTALIDADE.

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