Economia da corrupção | Fábio Campana

Economia da corrupção

corrupção-14.05

Por Miriam Leitão

“O governo funciona como nas capitanias hereditárias”, disse o executivo de uma grande empreiteira com quem conversei longamente nos últimos dias. Em cada área do governo que uma empresa vai, para discutir projetos, ela é enviada para falar com um político. Num dos negócios que fez, há dois anos, o executivo teve que conversar com Paulo Maluf. Ministros da presidente Dilma sabiam do encontro.

Os detalhes das abordagens são sempre espantosos. Meu interlocutor nega pagamento de propina, mas conta que às vezes fala-se abertamente que a área “pertence” a um partido. Há quem apenas diga indiretamente, mas há quem seja franco, como um prefeito de uma cidade de Tocantins, que pediu “luvas” apenas para não revogar negócio já feito na administração anterior.

Concessões, mesmo depois de ganhas, passam a ser pontos de chantagem porque a autoridade sempre pode decretar a caducidade do contrato. Ministros do governo admitem nada poder fazer diante do veto de uma pessoa de terceiro escalão, sob o argumento de que aquela é a “área” de outro grupo ou líder político. É uma total inversão da ordem hierárquica. De fato, tudo funciona como nas velhas capitanias.

Nada me convence, no entanto, de que as empreiteiras, principalmente as maiores que têm décadas de comprovada capacidade, atuação no exterior, não tenham o dever de quebrar o pacto de silêncio. Por que se submetem a ouvir de pessoa do segundo ou terceiro escalão do governo, ou de um gerente da Petrobras, que negócios líquidos e certos só poderão ser feitos se eles pagarem?

Portanto, elas não são vítimas. Se ficam em silêncio, pagando ou não, são cúmplices, são parte da mesma tragédia que se abate sobre o Brasil.

A pessoa com quem conversei sobre as entranhas dos negócios com o setor público brasileiro, e outros executivos com quem tenho falado, não tem dúvidas em dizer que a corrupção, evidentemente, não é coisa nova, mas a escala a que se chegou nos governos do PT não tem precedentes. E justifica o bordão do ex-presidente para louvar seus feitos: “Nunca antes na história deste país.”

— Quando o sub do sub se dispõe a devolver US$ 100 milhões, como é caso de Pedro Barusco, é porque a escala do roubo é grande demais — disse o empresário.

A explicação dele é que os governos do PT abriram ao mesmo tempo várias frentes de obras, depois de um período de paralisia dos investimentos no governo Fernando Henrique. Na Petrobras, por exemplo, que não fazia refinaria há 20 anos, foram iniciadas quatro. Ele acha que isso explica a escalada da corrupção. Isso não explica, no entanto, os vários casos de sobrepreço em cada contrato de importação, fretamento de navio, cada operação de compra da empresa. Tudo era pretexto para se armar a cena em que o empresário é enviado ao “operador” de um dos partidos da base.

A justificativa inicial é que o partido precisa de financiamento, mas, quando se oferecem doações legais, em geral eles ouvem que não é o suficiente. Nos últimos tempos, ficou claro para os empresários que era também para enriquecimento pessoal.

Há empresas que cresceram rapidamente da noite para o dia, sempre à sombra dos seus protetores, verdadeiros fidalgos da corrupção e que têm o poder de abrir a torneira de recursos públicos, ou garantir a vitória em licitação mesmo com todas as evidências de que não estão tecnicamente preparadas.

O dirigente de uma empresa fornecedora de serviços procurou um ministro influente do governo Dilma e explicou que era possível apenas com bom gerenciamento melhorar muito um setor no qual o Brasil tem deficiência crônica. “Parem de gastar dinheiro”, disse o executivo, e mostrou como era possível. Em vez de fazer novas obras, usar a eficiência no que já fora construído para elevar a qualidade do serviço. Foi despachado do gabinete com a afirmação de que não era isso que se procurava.

A presidente Dilma está se comportando como se a operação Lava-Jato fosse patrocinada por ela. A operação é sim uma oportunidade para o país, mas é seu governo que está no meio do turbilhão. Há fios soltos demais que, se puxados, levarão a decisões e negócios feitos nos últimos quatro anos, ou nos últimos 12 anos, no setor de energia, que sempre esteve sob seu controle.


14 comentários

  1. ferreira
    domingo, 23 de novembro de 2014 – 13:27 hs

    Está tudo explicado porque o país tá quebrado, moído, cadeia será pouco para penalizar esses lesa pátrias.

  2. ferreira
    domingo, 23 de novembro de 2014 – 13:36 hs

    Precisamos reformar nossos códigos criminais e incluir pena de morte, principalmente para corruptos e corruptores.

  3. domingo, 23 de novembro de 2014 – 13:52 hs

    Ela e o Lula nunca sabem de nada, inclusive de administrar este País. O Ministro da Justiça atual Já estava pressentindo que o “bicho ia pegar” disse que os presídios no Brasil eram inviáveis ao ser humano. Vá ter bola de cristal tão certeira, pois os seus amigos irão para a cadeia.

  4. .chico
    domingo, 23 de novembro de 2014 – 14:30 hs

    miriam leitao vai conversar de economia com aluizio mercadante foi humilhante sua entrevista

  5. Flavio
    domingo, 23 de novembro de 2014 – 15:37 hs

    A corrupção deste governo do PT esta em todas as empresas do governo.
    E aí OAB, se fingindo de morta?
    Será que a OAB está com rabo preso também????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

  6. Sergio Silvestre
    domingo, 23 de novembro de 2014 – 18:18 hs

    A corrupção da braba começou no governo JK,teve um arrefecimento na ditadura militar e veio com força na privataria do FHC,tanto que em 8 anos da para se contar no dedo as obras daquele governo,que impôs ao brasileiro uma carga tributaria que é essa que hoje pagamos.
    A passagem dos tucanos pelo Brasil foi como se atacados por gafanhotos,com salários que mal davam para comprar cesta basica e o trabalhador e aposentados na míngua.
    O PT seguiu com os esquemas já montados ,mas com os grandes volumes de obras é claro o montante de dinheiro seria bem maior mesmo diminuindo o percentual que os tucanos cobravam de 10% hoje só os estados praticam ainda isso,onde chega-se até 20%de propina no caso de pedágios e algumas outras concessões.
    Ai vem a hipocrisia de muitos,achando que os petistas são ladrões,que então se prendam todos,inclusive vai faltar até peão na justiça para julgar,por que do jeito que está é só cercar e colocar quaritas para os caras não fugir.

  7. domingo, 23 de novembro de 2014 – 21:30 hs

    O bicho vai pegar, está comprovado que o planalto sabia de tudo, um simples diretor da “PETROBRÁS “comunica a chefe da Casa civil a época ( a atual presidente ) que as obras irregulares realizadas pelas empreiteiras contratadas pela ” ESTATAL PETROBRÁS ” deveriam serem suspensas ” por determinação do TC da união e sugere ainda que é preciso dá -se um jeito ” saída política ” para que as mesmas não sejam suspensas. Foi dado o jeito ” a saída política ” palavras dele Diretor. Está aí o resultado para todo ser humano de bom senso ver, que tal um simples gerente se propõe em devolver R$ 100.000,000,00 milhões de reais. Apenas o meu caro Sergio Silvestre insiste em não querer entender a gravidade do prolema apresentado.O pior cego é aquele que não quer enxergar.A informação citada deve circular na mídia escrita falada na próxima semana.

  8. André Azevedo
    domingo, 23 de novembro de 2014 – 21:56 hs

    Silvestre, meu camarada! O seu caso é de internamento! É caso de Síndrome de Estocolmo na certa. Apaixonou-se por aqueles que sequestraram suas esperanças, seus bens, seu país, sua dignidade, sua honra, seus valores mais caros, seu futuro, … Ainda há tempo de curar-se.

  9. NA CORDA BAMBA
    segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 5:54 hs

    Nunca houve tanto roubo escancarado neste país. Espero que a justiça
    seja feita de qualquer jeito porque o povo que não votou neste governo
    merece um governo decente…

  10. BETO
    segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 9:06 hs

    Impeachment e Cadeia. Vamos responsabilizar Lula e Dilma pelas roubalheiras do dinheiro público e mete-los da CADEIA.

  11. Beatrix Kiddo
    segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 10:06 hs

    É triste saber que com o continuísmo pestista ou a mudança tucana a coisa não mudaria mesmo. Só nos resta rezar pela volta de Pedro Álvares Cabral das Índias quando da volta á Portugal, assim ele nos desfaz o descobrimento de Pindorama, porque os malfeitos e a corrupção já vieram nas naus portuguesas. E como nesta terra tudo dá, Pindorama tornou-se uma terra para arrivistas, oportunistas, ladrões e corruptos de todos os tipos e naipes.

  12. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 10:31 hs

    Empreiteiras e políticos tem relações espúrias desde os tempos da construção da grande muralha da China e da via Ápia. Não há como eliminar. Só a transparência das contas e a fiscalização constante pode minimizar a corrupção. De resto, sem empreiteiros não há grandes obras. Eles tem o acervo e a experiência, além dos melhores técnicos e engenheiros e a melhor tecnologia. Devem pagar caro pela reparação dos danos e devolver o superfaturamento. Mas. declarar inidôneas as empresas é de uma imbecilidade superfaturada.

  13. Dr. Muar
    segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 11:06 hs

    Caro Sergio Silvestre,
    Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), em pesquisa sobre a evolução da carga tributária brasileira – publicado em dezembro de 2013 (https://www.ibpt.org.br/img/uploads/novelty/estudo/1443/20131218asscomEstudoEvolucaodacargatributariabrasileiraPrevisaopara2013.pdf):

    – maior carga tributária no governo FHC: 32,64% do PIB em 2002;
    – maior carga tributária no governo PT: 36,42% do PIB em 2013.
    Conclusão lógica: 32,64% (FHC) é MENOR que 36,42% (PT).

    Aproveitando: “carga tributÁria” tem acento; “cesta bÁsica” tem acento; “em 8 anos dÁ para se contar” verbo dar tem acento; “Quaritas” não – escreva “Guaritas” (deriva de Guarda)!

  14. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 11:54 hs

    Meu caro André,eu já acho que seu caso não é de internamento por que eu não te conheço e não posso fazer um valor ou um diagnostico seu,mas sua esperança e diferente da Minha e minha opinião e de um cidadão democrático ,pagador de impostos que tem uma visão diferente da sua.
    No dia que vocês forem menos raivosos e pararem de querer fazer uma revolução particular e começarem a pensar na verdadeira democracia,talvez sem tapetão ou fazer do Brasil um refém de uma minoria,voltem um dia a comandar a nação.
    Em matéria de coerência tenho notado que os esquerdistas não tem ódio estampado como estes que queriam a mudança ,mas que ela não aconteceu.
    Se vai acontecer ou deixar de acontecer devemos se atentar aos fatos que viram e seram ou explicados ou condenados pela justiça meia -boca que temos,mas se só temos essa vamos confiar e ver se ao menos consigam debelar essa orgia do dinheiro publico.

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