'Salários devem crescer com a economia', diz Arminio | Fábio Campana

‘Salários devem crescer com a economia’, diz Arminio

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Do Valor:

Chamado ao debate pela presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, o ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, escolhido para ser o ministro da Fazenda de um eventual governo Aécio Neves, afirma que tal como proposto pela campanha do PT, tal comparação é “rasteira” e uma tentativa de “fugir do debate”.

O cerne da questão é recuperar a capacidade do país de crescer. “Para os salários continuarem a crescer, para os programas sociais continuarem a crescer, é preciso que a economia cresça”. Para ele, apesar de todos os progressos o Brasil continua a ser um país “tremendamente desigual”.

Em entrevista ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, ele propõe um “novo regime” de política econômica que vai além do retorno ao tripé representado pela meta de inflação, superávits primários das contas públicas e taxa de câmbio flutuante. O modelo se traduz em três eixos: o reequilíbrio macroeconômico, o aumento dos investimentos e o crescimento da produtividade.

De início será preciso dar maior transparência à contabilidade fiscal. Isso vai exigir a inclusão, no Orçamento da União, de todos os subsídios concedidos pelo atual governo às empresas nos empréstimos dos bancos públicos federais.

“Não sou radicalmente contra as políticas de subsídios, mas sou a favor de critérios bem definidos de concessão e avaliação de custos e benefícios para que tenham ganhos sociais e não privados”, disse.

O segundo é aumentar os investimentos dos atuais 16,5% do PIB para 24% do PIB. O reforço da política macroeconômica ajudaria a queda dos juros e tiraria a pressão sobre a taxa de câmbio. Seria preciso, também, ter estabilidade nas regras do jogo e mobilização de capitais privados para alavancar a infraestrutura.

Para aumentar a produtividade da economia, a terceira vertente é desmontar, gradualmente, a chamada “nova matriz econômica” do governo Dilma, sustentada por subsídios, desonerações de impostos e proteção à concorrência externa.

A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: O programa do PSDB propõe a volta do tripé macroeconômico levado a sério ou se trata de um novo regime?

Arminio Fraga: Considerando o que está acontecendo hoje, é as duas coisas. É a volta do tripé com o reforço da transparência. Hoje isso virou um aspecto importante, porque o governo está levando a criatividade a um extremo que começa a ser altamente relevante, não só por uma questão de princípio, mas pelo tamanho. Temos o tema da dívida líquida versus bruta e o início da discussão sobre a trajetória de crescimento do gasto público.

O governo destacou o ministro Aloizio Mercadante, que se licenciou da Casa Civil, para cuidar do debate econômico da campanha. O que o senhor acha disso?

Para mim, tanto faz. Estava fazendo falta aparecer gente para debater. Acho saudável. Espero que seja um debate de alto nível e que respeite os fatos e os contextos.

A presidente disse que o momento é de fazer comparações do governo dela com o de FHC, há doze anos. Citou a inflação de 12,5% em 2002, quando da sua gestão no BC. É uma boa comparação?

A comparação deve ser feita dentro do contexto do que cada governo encontrou e o que deixou. Não é mais do que obrigação de um governo deixar as coisas melhores do que encontrou. Eu diria que esse governo vai deixar as coisas piores do que encontrou. A comparação de nível, com frequência feita em termos nominais, é rasteira. Mas se você quiser olhar um indicador, só um, seria por exemplo a taxa de crescimento. Eu acho errado, não gosto de fazer isso, mas a taxa de crescimento do segundo mandato de FHC foi maior do que a taxa de crescimento do governo Dilma, e em circunstâncias significativamente piores.

E em 1999, quando o Sr. assumiu o BC?

As expectativas de inflação em 1999 oscilavam muito, entre 20% e 50%, depois da flutuação do câmbio. As expectativas eram de uma queda de 4% do PIB. O ano acabou com a inflação de 9% – ou seja, não se perdeu a âncora – e o crescimento foi positivo, em torno de 0,5%. Essa é uma discussão desenhada para fugir da situação real que a economia brasileira se encontra hoje, que é o 7 x 1 (inflação próxima de 7% e crescimento abaixo de 1%). Uma situação maquiada e com a taxa de investimento muito baixa, de 16,5% do PIB, um novo recorde de baixa. Acho que eles estão tentando fugir do debate.


5 comentários

  1. Djair
    quinta-feira, 9 de outubro de 2014 – 19:45 hs

    Concordo q a economia tem q crescer, mas chega de enriquecer bancos com juros exorbitantes, chega de aumentar impostos. Na atual realidade vemos q quem tem mais dinheiro mas rico fica e quem pertence a classe de proletários cada vez mais fuzilado. Chega de enganação!

  2. VERDADE
    quinta-feira, 9 de outubro de 2014 – 23:42 hs

    Esse cara eh aquele que enterrou o país na época do FHC? Que moral…Valha-me Deus…Eh muita cara de pau!

  3. sergio silvestre
    sexta-feira, 10 de outubro de 2014 – 10:12 hs

    Quem ai se lembra do bom Arminio Fraga,bom para o capital especulativo é claro.
    Esse SR é aquele famoso sucessor do Malan que na sua gestão na fazenda fez nosso salario minimo poder comprar até produtos importados com o valor,
    O servente pegava seu salario e comprava 4 latinhas de azeite Galo e acabava com o dinheiro.
    Era uma Maravilha,o que me espanta é o Aécio já lançar esse senhor sinonimo de arrocho e que afundou o FHC como ministro da fazenda do seu suposto governo,

  4. TROPICÃO
    sexta-feira, 10 de outubro de 2014 – 10:46 hs

    Quem bate esquece. Quem apanha jamais esquece!

  5. sexta-feira, 10 de outubro de 2014 – 12:51 hs

    Vi a entrevista de Armínio Fraga, foi excelente, mas como todo bom economista falou disse muito bem sobre nossos problemas econômicos da atualidade e fez propostas viáveis ao Brasil, pena que poucos entenderam o recado .
    Mas foi de fato uma aula de economia ao fraco pau mandado do PT, Mantega ,o qual deve estar batendo a cabeça até agora para entender as sábias palavras de Armínio.

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