Maria Victoria aposta em experiência internacional | Fábio Campana

Maria Victoria aposta em experiência internacional

Foto: Franklin Freitas/ Bem Paraná maria victoria - franklin freitas - bem parana

Do Bem Paraná:

Aos 22 anos, deputada mais jovem traz “experiência internacional” à Assembleia. Maria Victoria Borghetti Barros é a novidade que completa a segunda família mais poderosa do Paraná. O clã Barros agora está na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e no Palácio Iguaçu.

A mais jovem deputada eleita, com 22 anos, para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa, Maria Victoria Borghetti Barros (PP), quer contribuir com o Paraná trazendo seu conhecimento adquirido durante o quarto de vida (mais de cinco anos) morando fora do Brasil. A filha do deputado federal Ricardo Barros (PP) e da vice-governador eleita Cida Borghetti (PROS) – sobrinha do ex-prefeito de Maringá Silvio Magalhães Barros II (PHS) e neta do também ex-prefeito de Maringá Silvio Magalhães Barros I – estudou na Suíça por cinco anos, fez trabalhos voluntários na África e na China, e adotou a educação como bandeira.

A jovem deputada estadual fez questão de não usar os nomes da família na urna e na campanha. “Eu usei Maria Victória. Não usei nem Borghetti nem Barros e 70% da população não sabia que eu era filha deles”, garante. A educação em internato europeu e a postura ativista não lhe deram oportunidade de ter um emprego nos 22 anos de vida, mas conseguiu tempo para ser proprietária de uma escola bilíngue em Maringá. “Fui Cross-Training no Hotel Radisson”, pondera.

Maria Victoria tem discurso articulado e postura ofensiva, não deixa pergunta sem resposta.

Bem Paraná – A sua entrada na política foi por recomendação familiar, foi estimulada a sair candidata, por que você resolveu ser deputada estadual tão jovem?
Maria Victoria – A política está no sangue, de fato, é o que gosto de fazer e o que me motiva a acordar todos os dias de manhã é a questão de servir, ajudar as pessoas. É claro que aprendi isso em casa, desde muito pequena acompanhando o Ricardo Barros, a Cida Borghetti, é uma trajetória política que vem desde o meu avô quando se elegeu a primeira vez vereador em Maringá em 1960. Desde então, a gente vem traçando a “boa política” e é o que o Brasil está precisando. Por isso me dispus a dar continuidade a esse trabalho trazendo inovações, novas ideias, uma visão de mundo diferenciada para poder contribuir sempre, principalmente na linha educacional.

BP – Qual a mudança política a senhora traria, diferente dos seus pais, tio e avô que estão na política há décadas? A sua campanha fala em novas ideias, quais seriam as novas ideias?
Victoria – Pude estudar, graças ao esforço do meu pai, por cinco anos na Suíça. Trabalhei na China por seis meses, fiz serviços comunitários na África por dois meses quando ainda tinha 16 anos – trabalhei nas aldeias. Apesar da pouca idade, tenho uma grande experiência de vida que me foi proporcionada e eu aceitei. Aceitei as oportunidades e fui aprender. Com certeza, essa visão de exatamente como funcionam as linhas educacionais de outros países – inclusive estou retornando do México, onde pude participar de uma conferência sobre a primeira infância em Monterey e onde pude conhecer os Cendis (Centros de Desarrollo Infantil del Frente Popular “Tierra e Libertad”), os centros educacionais de desenvolvimento infantil, e pudemos trazer muitas ideias. Os Cendis já receberam milhares de prêmios internacionais, muito em razão da dedicação que eles têm – educacional, cultural, de princípios, valores, de 0 a 6 anos. Os programas que eles têm incluem pré-natal. Pudemos conversar muito com o doutor Bernardo (Aguilar, coordenador de qualidade dos Cendis, no México), que é quem começou esse trabalho, e faremos o que a gente puder fazer para trazer essa inovação para o Brasil. Assim como dissipei esse evento tem muitos outros que pude vivenciar, na maioria na área educacional, que é a minha área. Tenho uma escola bilíngue que administro em Maringá, faço parte do Sindicato das Escolas Particulares – sou da diretoria do sindicato – e isso tudo foi me dando bagagem para eu contribuir. Esse é o desejo.

BP – Qual projeto você pretende apresentar, já tem alguma coisa pronta para defender no início da Legislatura?
Victoria – Temos alguns projetos prontos para apresentar de cara, assim que assumirmos. A primeira coisa que tenho vontade de fazer é dar continuidade a uma ideia que tive há dois anos quando sugeri a implementação do inglês nas escolas públicas (municipais) de Maringá, na educação infantil, do primeiro ao quinto ano. O prefeito Roberto Puppin aceitou e o inglês já é realidade em todas as escolas públicas municipais e o Ideb de Maringá aumentou 0,5%, o que é muito significativo. Enquanto deputada estadual, quero fazer a articulação com todos os prefeitos do Paraná para que eles possam implementar em seus municípios e dar essa oportunidade a todas as crianças paranaenses.

BP – Nas escolas públicas estaduais o inglês faz parte do currículo há muitos anos. O problema é a qualidade do ensino.
Victoria – É parte nas escolas estaduais, estou propondo que as escolas municipais adotem o inglês porque quanto mais cedo, mais fácil de aprender. As crianças, de acordo com estudos das melhores universidades do mundo, quando aprendem duas línguas simultaneamente logo no início têm um desenvolvimento cerebral mais aguçado, é uma criança mais preparada. É para isso que nós vamos trabalhar.

BP – Com relação à representatividade, a senhora herdou muitos votos da sua família… (interrompe)
Victoria – Sem usar o sobrenome deles. Eu usei Maria Victória. Não usei nem Borghetti nem Barros e 70% da população não sabia que eu era filha deles. Nós fizemos um trabalho de reconhecimento, justamente, por ambos terem uma reputação tão positiva, da qual eu me orgulho de fazer parte, ainda 30% ou mais votaram em mim sem o conhecimento de que sou filha deles porque não usei o sobrenome.

Votação

“Essa eleição é de inovação”

BP – Por qual motivo você acha que os eleitores votaram na senhora?
Victoria – Porque essa eleição é de inovação. As pessoas estão procurando novas ideias, estão procurando sangue jovem, as pessoas que, de fato, queiram fazer a diferença. Acredito que eu os convenci com as minhas propostas, com as minhas boas intenções.

BP – Algumas pessoas reclamaram que a senhora não votava em Maringá, mas que pedia muitos votos lá, e existe uma campanha informal para que se vote em candidatos locais, e os eleitores cobram um comprometimento regional. No seu mandato tem esse comprometimento?
Victoria – Sou deputada estadual e obtive votos em quase 90% dos municípios paranaenses. Por isso me credito a ser deputada no Paraná. Tenho família em Maringá, tenho família em Curitiba, mas independente disso sou a deputada do Paraná.

BP – A sua juventude pode ser um problema para debater com deputados mais experientes?
Victoria – Estou preparada e usarei a sabedoria dos deputados que já estão na Casa para que eu possa contribuir com o meu conhecimento. Tenho certeza que eles também vão se beneficiar com nossas novas ideias e vontade de fazer a diferença.

BP – A senhora disse que trabalhou em outros países, fez trabalhos voluntários, mas já teve algum trabalho remunerado no Brasil, já teve um emprego?
Victoria – Trabalhei no Hotel Radisson em Curitiba, na verdade foi um estágio, um “Cross-Training”, que teve uma remuneração de estagiário e eu assumi a presidência estadual da juventude progressista já há um ano e meio, onde pude realizar vários projetos educacionais na questão do combate ao crack, do conhecimento democrático que está ausente das escolas há alguns anos. Estão (as escolas) formando uma geração sem conhecimento democrático algum e é um dos projetos que vou levar para a Assembleia Legislativa.


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