Herança macabra | Fábio Campana

Herança macabra

Ilana Lerner

Esse é o ano dos filhos na nossa eleição. Nunca vi uma eleição tão familiar. Se somarmos aí, os netos, sobrinhos e afins, acho que temos uns 50% dos candidatos disputando o feudo. Filho de peixe, peixinho é, é isso? Então não voto em nenhum dos dois, nem no pai, nem no filho.

Qualquer pai que ache que a vida de político é uma coisa a se passar de herança pra seu filho não merece meu voto. Qualquer filho que cresça vendo seu pai na política e queira fazer isso da vida também não.

Politica devia ser vocação, paixão. Conheço poucos, pouquíssimos que tem esse comprometimento. Fazer disso um negócio familiar, não me representa. Nunca pensei ver no Paraná essa tendência coronelista que tanto criticávamos quando ouvíamos as histórias das oligarquias nordestinas (sem preconceito) eternizadas no poder. Famílias que dominam a prefeitura, a câmara, a assembléia, o palácio do governo, isso era uma realidade distante. Não mais.
Obviamente temos exceções e famílias muito sérias na política, mas cá entre nós, são tão menoria que não devem chegar no 1% mesmo contando com a margem de erro para mais. Além disso, a renovação de pessoas na política é importante, revigora, transforma, areja.

Agora, trocar pai por filho, sei não, me parece um caminho perigoso. Infelizmente, vendo a quantidade de filhos e juniors sorridentes nos cavaletes, parece que é uma tendencia que veio pra ficar.
Então cuidado, se a moda pegar, ou no caso eleger, podemos correr o risco de ter uma sociedade estagnada, onde nada muda. Depois dos filhos virão os netos, e por ai vai…

Como diria o Jamil Nakad, chega dos mesmos!


9 comentários

  1. Curitibano
    segunda-feira, 6 de outubro de 2014 – 19:06 hs

    Então vamos votar na Dilma pois Aécio vem de um Clã de gerações …

  2. Zangados
    segunda-feira, 6 de outubro de 2014 – 19:47 hs

    Eis uma posição interessante. Insistimos (alguns) que política não é carreira, mas a pratica desmente. Agora estão tomando corpo as oligarquias familiares. O nepotismo tendo sofrido repúdio social está sendo substituído pelas ramificações e sementeiras familiares. É um tipo de continuísmo nefasto porque perpetuação do mesmo e não raro para se assenhorar dos centros dos poderes. Mais uma perversidade do nosso sistema político cuja reforma não é efetivada. Já sabemos porque não há interesse. Está bom demais como está. Renovação só se for pelo mesmo.

  3. O Povo É Quem Mais Ordena
    segunda-feira, 6 de outubro de 2014 – 22:24 hs

    Horror só. O Povo precisa ordenar um mandato por família até o terceiro grau e em todos os cargos durante cada legislatura. Fim da reeleição. Mandato Único por pessoa durante a vida toda. Há 200 milhões de pessoas no País. Senão, não é ‘país’, é dinastia pseudofaraónica.

  4. bico doce
    segunda-feira, 6 de outubro de 2014 – 22:44 hs

    Arruda e Requião Filho, ninguém merece.

  5. ricardo
    segunda-feira, 6 de outubro de 2014 – 22:57 hs

    O Aécio tem parentesco político sim, mas não tem continuidade, e não tenta subjugar as idiossincrasias de uma nação a vontade de um partido, como o PT faz.

  6. nicolau pereira
    terça-feira, 7 de outubro de 2014 – 8:49 hs

    A não ser quando os filhos herdam fortunas e negócios dos pais. Todos tem direito de se candidatar e disputar o voto. Eleger-se é outra história…

  7. Freddy Kruger
    terça-feira, 7 de outubro de 2014 – 11:43 hs

    Tudo isto, me faz lembrar dos reinados, do coronelismo. E ainda falamos em modernidade ? Antagonismos dos nossos tempos, ou benesses da sociedade ! Devemos sim, extrair uma lição bíblica de tudo isto: “A semente não caí muito longe do pé” . Será o caso do Requião, aqui no Paraná, com seu filho e sobrinho Arruda. Ricardo Barros, com sua esposa Cida e sua filha Vitória,
    com Francisquini, Hauly e outros que no momento não me vem a memória. Devemos ficar atentos, pois se a árvore for boa, com certeza dará bons frutos, mas se não, fique esperto nas próximas eleições !

  8. RAFAELA FIGUEIREDO
    terça-feira, 7 de outubro de 2014 – 15:52 hs

    Todos tem direito a se candidatar e disputar o voto. …seja neto ou filho…..o povo é que deve refletir sobre seu voto! Eleger-se realmente é outra história!

  9. terça-feira, 7 de outubro de 2014 – 21:37 hs

    Piramidal seu comentário, ainda teremos de aturar certas circunstâncias hereditárias em nossa convivência..esse procedimento eleitoral que presenciamos ‘é uma realidade que está por acabar…necessitamos urgente um choque de realidade para podermos transformar isso…acorda Brasil…

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