Doleiro cita reuniões com tesoureiro do PT | Fábio Campana

Doleiro cita reuniões com tesoureiro do PT

Foto: Sergio Lima/ Folhapress youssef - foto sérgio lima - folhapress

Do Globo:

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, contaram em depoimento à Justiça Federal do Paraná detalhes de como o dinheiro das fornecedoras da Petrobras migraram para o caixa dois do PT, PMDB e PP e abasteceram suas campanhas políticas em 2010. Segundo ele, cada diretoria tinha um operador indicado pelo partido de mando. Até agora, foram identificadas 13 empresas que pagaram ou repassaram, a pedido de empreiteiras, dinheiro de suborno destinados a políticos. Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, UTC Engenharia, Mendes Junior, Engevix, Toyo Setal, Jaraguá Equipamentos Industriais, Iesa e Sanko Sider são citadas nas investigações.

Segundo Youssef, ele operava apenas o dinheiro da diretoria de Abastecimento e soube por empreiteiras e pelos próprios operadores do esquema nas demais áreas. O doleiro disse que se reuniu pelo menos duas vezes com João Vaccari, tesoureiro do PT, que atuava como “operador” da diretoria de Serviços, área que recebia 2% do valor dos contratos da diretoria de Abastecimento, além dos 3% integrais dos contratos que ela própria firmava.

Perguntado se o pagamento da comissão era informado para as empreiteiras, Youssef foi categórico.

— Era bem colocado, sim, muito bem colocado. Era negociado contrato a contrato — disse, acrescentando que se não pagassem havia ingerência política e do próprio diretor da área, “de forma que ela não faria a obra”.

A maioria das empresas que pagou suborno emitiu notas para empresas de fachada criadas por determinação de Youssef, como Rigidez, GDF e RCI, ou que vendiam notas frias para o esquema, como a MO Consultoria, de Waldomiro Diniz, que cobrava 14,5% do valor das faturas.

Depois de passar pelas empresas de fachada, o dinheiro era distribuído aos beneficiários.

— O que era de Brasília ia para Brasília, o que era de Paulo Roberto Costa ia para Paulo Roberto Costa, no Rio de Janeiro — afirmou Youssef, o responsável pelos pagamentos, inclusive de Costa, que recebia o dinheiro vivo em entregas a um de seus dois genros.

Em seu depoimento, Paulo Roberto Costa afirmou que uma agenda apreendida pela Polícia Federal em sua residência tem uma tabela onde consta que ele pagou R$ 28,5 milhões para sete políticos do PP. Um dos beneficiados foi João Pizzolatti, do PP de Santa Catarina, que recebeu R$ 5,5 milhões. Ele não foi encontrado ontem.

Acusado de ser o mentor da organização criminosa, Youssef afirmou que o operador inicial do esquema era o deputado José Janene, que se encarregava de fazer a distribuição do dinheiro entre os políticos até 2010.

— Não fui o criador desta organização. Eu simplesmente fui uma engrenagem para que se pudesse haver recebimento e pagamento a agentes públicos.

Perguntado se a divisão do dinheiro costumava ser variável, o doleiro disse que não. Segundo ele, os percentuais sempre foram os mesmos e também a divisão era feita de acordo com “o cronograma”. Apesar de os percentuais sobre os valores dos contratos serem variáveis e passíveis de serem negociados pelas empresas, o percentual destinado aos agentes políticos era fixo.

Youssef se mostrou surpreso com a informação de que o PT, na diretoria de Serviços, recebia um percentual de 2%, maior do que o destinado ao PP, de 1%.

— Se ele (Paulo Roberto Costa) está dizendo que era 2%, ele sabe mais do que eu — comentou.

A cada licitação da Petrobras, detalhou, as empresas entregavam a Costa uma lista das empresas que participariam do certame e quem seria a vencedora. O então diretor se encarregava de entregar ao doleiro.

Das empreiteiras envolvidas no esquema da Petrobras, a Camargo Corrêa era a única que não repassava dinheiro diretamente para as contas de empresas abertas pelo doleiro Alberto Youssef ou que vendiam notas fiscais para sustentar o esquema. Youssef contou à Justiça Federal que a empreiteira , que lidera o consórcio responsável pelas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, utilizava empresas subcontratadas para fazer o repasse. Uma delas foi a Sanko-Sider, fornecedora de tubos. Contratada pelo consórcio, a empresa teve de incorporar em sua contabilidade os valores a serem repassados aos agentes políticos. Ou seja, a Camargo Corrêa repassava o valor da propina para a Sanko-Sider e a empresa depositava nas contas das empresas indicadas pelo doleiro Alberto Youssef.

O doleiro foi além. Disse ainda que dois dos executivos da Camargo Corrêa também recebiam dinheiro do esquema. Ou seja, eram beneficiados pelas propinas. Youssef disse que ele próprio fazia os pagamentos.

— Eu pagava em dinheiro vivo. Ele retirava no meu escritório — contou.

Youssef disse que conheceu o sócio da Sanko-Sider, Márcio Bonilho, e que a empresa estava em dificuldades financeiras. Ele teria então passado a apresentar a empresa para fornecedoras da Petrobras, para que pudesse se recuperar. A cada contrato obtido, a Sanko-Sider pagava uma comissão ao doleiro. Um destes contratos foi para que a empresa fornecesse para o consórcio CNCC, liderado pela Camargo Corrêa e responsável pelas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

— Devido ter feito o fornecimento, foi pedido à Sanko que repassasse o dinheiro, para que pudessem pagar os agentes públicos e Paulo Roberto Costa.

A Camargo Corrêa, segundo ele, teria pagado aos políticos percentual mais alto do que os 3% comuns aos demais contratos. Segundo ele, os políticos receberam 10% do valor pago por cada tubo de aço usado na refinaria de Pernambuco.

O papel do doleiro, segundo ele próprio, era emitir notas fiscais, por meio de várias empresas, para os fornecedores da Petrobras. No caso de pagamentos feitos fora do país, seu trabalho era internalizar o dinheiro. Pelo menos duas empresas, a Odebrecht e a Toyo Setal, pagaram as comissões destinadas aos políticos no exterior e o doleiro se encarregou de internalizar o dinheiro, em reais.

OUTROS DOLEIROS ENVOLVIDOS

O doleiro afirmou que, além dele, também atuavam no esquema a doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, Leonardo Meirelles, sócio da Labogen, e Carlos Rocha — os três foram indiciados em processos abertos com base na Operação Lava Jato.

O esquema da propina da Petrobras, segundo ele, incluía também o setor de navios que atuam com a empresa

Paulo Roberto Costa afirmou à Justiça que chegou a indicar empresas de menor porte para participar de licitações na Petrobras. Ele disse que essa era uma forma de tentar quebrar o cartel das grandes empresas.

— Parece um pouco de demagogia, mas eu fiz isso. Diziam para mim, “você vai quebrar a cara, essas empresas não vão dar conta”. Algumas empresas faliram, outras foram em frente. As empresas do cartel ficaram zangadas — disse Costa.

Costa confessou que os R$ 23 milhões depositados em contas suas e de seus parentes na Suíça são oriundas de propinas pagas por fornecedores da Petrobras e reafirmou que devolverá o dinheiro aos cofres públicos. Confessou ainda à Justiça que tem mais dinheiro no Royal Bank of Canada, nas Ilhas Cayman, mas não citou os valores.

— Vou devolver o dinheiro. São vantagens indevidas de propinas na Petrobras — disse o ex-diretor, que devolverá ainda uma lancha e um terreno em Mangaratiba, no Rio.


7 comentários

  1. Roberto
    sexta-feira, 10 de outubro de 2014 – 17:11 hs

    Quem era o chefe do esquema?

    Esta pergunta ninguém quer responder…

  2. Johan
    sexta-feira, 10 de outubro de 2014 – 17:41 hs

    Caro FÁBIO, é isso aí, agora a casa dos petistas irá cair, bem devagar até o dia 25.10.14. Não sobrará pedra sobre pedra. Será que a candidata petista DILMA 13 ainda está na fase de seu antecessor, ” eu não sabia de nada”, pois agora o Sr. PRC está afirmando para o seu conhecimento. Qual será a manifestação da candidata petista DILMA 13? Tenho uma curiosidade de saber o que acontecerá com os proprietários das construtoras mencionadas. Eles também “não devem saber de nada”, pois parecem ser todos iguais, hem petista DILMA 13? E o que dirão os iludidos petistas que aguardam receber sua participação? Atenciosamente.

  3. Zé do Povo
    sexta-feira, 10 de outubro de 2014 – 20:50 hs

    Ele é membro do Conselho de Administração da Itaipu Binacional:https://www.itaipu.gov.br/institucional/diretoria-e-conselho

  4. FUI !!!
    sábado, 11 de outubro de 2014 – 5:49 hs

    É realmente impressionante como a vida nos prega certas peças durante
    a vida. Quem imaginaria que a estas horas das eleições os megaoperado-
    res como Paulo Roberto Costa e Youssef estariam fazendo a delação
    premiada !? Que bomba atômica explodindo no núcleo da PTzada…
    A consistencia destes depoimentos e a estrutura da Polícia Federal mon-
    tada para esta operação Lava Jato é realmente de nos deixar orgulhoso.
    Espero que o PT seja varrido deste planeta para sempre !!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. sergio silvestre
    sábado, 11 de outubro de 2014 – 7:41 hs

    A 15 dias de uma eleição um juiz toma depoimentos de dois ladrões com mais de 70 anos de cadeia,descobertos pela policia federal do PT que é comandada pelo Zé Eduardo Cardoso,ministro do PT e é usada por um juiz acima de qualquer suspeita e do advogado dos ladrões para virar peça de campanha contra a Dilma.
    As denuncias dos meliantes não vai dar tempo a serem provadas,eles estão dizendo aquilo que foram propostos a dizer,nada alem de 2002,quando já atuavam na vida do crime e o diretor ai já atuava como ladrão do PMDB e do sr Renan Calheiros.
    Ora,Renan Calheiros servia ao FHC,mas será que as denuncias do Paulo Francis não valiam nada?????
    Está em curso um golpe de estado,se o PT sobreviver vai ter que ir fundo nessas irmandades obscuras que move os peões desse jogo.
    Talvez tenha que radicalizar mais e botar a policia federal para prender mais gente,inclusive juizes que parece, probos,mas tem um lado politico.

  6. caipira
    sábado, 11 de outubro de 2014 – 9:27 hs

    os novos herois o ENGENHEIRO paulo cesar e youssef, se o CONFEA ñão tomar providencia “não creio no CREA”

  7. VERDADE
    sábado, 11 de outubro de 2014 – 11:58 hs

    O cara não eh um bandido? Agora todo mundo acredita nele? Por enquanto eh soh falatório…quero provas! Dizer que falou com aquele, negociou com este eh tranquilo, mas e as provas? Ao que parece esta nuvem de fumaça vai persistir ateh a eleição…depois não interessa mais!

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