Dilma inaugura o governo do futuro do pretérito | Fábio Campana

Dilma inaugura o governo do futuro do pretérito

Do Josias de Souza:

Após prevalecer sobre Aécio Neves na mais apertada disputa presidencial da história do país, Dilma Rousseff fez um ótimo discurso protocolar. Manifestou o desejo de “construir pontes” com todos os setores da sociedade. Declarou-se aberta ao “diálogo”. E prometeu honrar o desejo de mudança manifestado pelo eleitorado.

“Algumas vezes na história, os resultados apertados produziram mudanças mais fortes e rápidas do que as vitórias amplas”, leu Dilma. “É essa a minha esperança. Ou melhor, a minha certeza do que vai ocorrer…”

O futuro de Dilma chegou com tal rapidez que virou, ali mesmo, no púlpito da vitória, um futuro do pretérito. O amanhã da presidente reeleita estava gravado nas rugas da terrível cara de ontem dos aliados que a acompanham hoje.

Lá estava o vice-presidente Michel Temer, cujo partido, o PMDB, se equipa para reconduzir Renan Calheiros à presidência do Senado e acomodar Eduardo Cunha no comando da Câmara.

Lá estava Ciro Nogueira, presidente do PP, o partido que mordia propinas na diretoria de Abastecimento da Petrobras na época do ex-diretor Paulo Roberto Costa, hoje delator e corrupto confesso.

Lá estava Rui Falcão, presidente de um PT prestes a arrostar escândalo maior do que o do mensalão. Lá estava Antonio Carlos Rodrigues, do PR, uma legenda comandada pelo presidiário Valdemar Costa Neto, do escândalo anterior.

Lá estava Carlos Lupi, varrido em 2011 da pasta do Trabalho, ainda hoje sob domínio do PDT e sob investigação da Polícia Federal.

Lá estavam Gilberto Kassab, Vitor Paulo, e Eurípedes Júnior, cujas legendas —PSD, PRB e Pros— são eloquentes evidências de que o país precisa de uma reforma política. Será a primeira reforma, anunciou a re-presidente.

A alturas tantas, Dilma soou assim: “Terei um compromisso rigoroso com o combate à corrupção e com a proposição de mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade, que é protetora da corrupção.”

A frase chega com 12 anos de atraso. 
Lula, que também estava lá, deveria tê-la transformado em mantra desde 2003. Preferiu honrar as alianças esdrúxulas a salvar a biografia. Subverteu até a semântica, apelidando o cinismo de “amadurecimento político”.

Dilma retorna ao Planalto embalada pelo pior tipo de ilusão que um presidente pode ter: a ilusão de que preside. Seu poder efetivo não vai muito além dos três andares da sede do governo. Fora desses limites todo governante é, por assim dizer, governado pelas pressões da economia e pelos entrechoques das forças contraditórias que o cercam.

O que a presidente reeleita pode fazer para aproveitar o embalo do efêmero triunfo eleitoral é projetar as aparências do poder. Que a internet e os meios de tradicionais de comunicação cuidariam de propagar.

Para espelhar a imagem que o eleitor projetou nela, falta a Dilma uma disposição de zagueiro à antiga. Do tipo que mira o calcanhar adversário nas primeiras entradas do jogo, de modo a não deixar dúvidas sobre quem manda na grande área.

O problema é que os inimigos de Dilma estão muito próximos dela. A re-presidente teria de distribuir pontapés na turma do seu próprio time. Do contrário, perceberá logo, logo que o tempo no segundo mandato não passa. Já passou!


6 comentários

  1. segunda-feira, 27 de outubro de 2014 – 9:43 hs

    Brilhante o texto do Josias, tomara que o povinho entenda e veja o que irá acontecer ou melhor que nada irá acontecer, não haverá mudança alguma.
    O país vai continuar na mesma merda,com a mesma roubalheira e para que possa se manter no mando e o povo que se dane, o que interessa é a manutenção do poder pelo poder e quanto mais forem os enganados melhor para colher do atraso, o lucro como manda a cartilha das maiores ditaduras do mundo

  2. segunda-feira, 27 de outubro de 2014 – 10:20 hs

    Quanta incoerência no falar Presidente, dizendo que vai manter “DIÁLOGO” com quem ? Deixa de lorotas e de promessas vazias. pois já está dando mostra clara de interferir na Câmara Federal, porque não quer EDUARDO CUNHA como Presidente. Falar é fácil e cumprir é difícil. Promessas e promessas, já imaginaram então se ela fosse CRISTÃ? Pois como ATÉIA assim promete se fosse religiosa as promessas seriam muito maiores.

  3. Roberto
    segunda-feira, 27 de outubro de 2014 – 11:01 hs

    A Dilma de hoje guarda uma semelhança muito grande com o Gustavo Fruet: abandonou o discurso em troca do poder.

    Ficou sem os dois.

  4. BRASIL DECENTE
    segunda-feira, 27 de outubro de 2014 – 11:56 hs

    Agora é a hora da oposição ir em busca do IMPEACHMENT da TIA GORDA, a verdade é que o FHC em 2005 quando do estouro do mensalão determinou que o PSDB não pedisse o impeachment do LULA, pois achava que o povo se rebelaria contra a corrupção e derrubaria a quadrilha como fizeram com o Collor em 1989 e dai deu munição pra quadrilha se perpetuar no poder…..ou teremos IMPEACHMENT ou teremos que aturar mais 4 anos de cinismo e roubalheira sem fim afff…..

  5. Edilson
    segunda-feira, 27 de outubro de 2014 – 14:04 hs

    Movimento separatista já, SP, PR, SC e RS, vamos fundar um novo país,

  6. BigPaul
    segunda-feira, 27 de outubro de 2014 – 15:32 hs

    A cabeça de ponte que caberia a mim, eu dispenso. De Dilma, Lulla e de tudo que passe perto do comunopetismo, eu quero é distância.
    Com a minha ponte, ela pode ligar o Alvorada, ao porto de Mariel, para que ela e sua currióla possam se mandar para lá, levando lulla na maca, todos andando, ao invés das precárias balsas, tão usadas pelo democrático e rico povo cubano, quando decide passar uma temporada de férias em Miame, com toda a família, com uma esticadinha na Disney

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