Sarney, o maior cabo eleitoral de Marina | Fábio Campana

Sarney, o maior cabo eleitoral de Marina

De Ruth de Aquino, Época:

Não será o retrato do Brasil atual que elegerá Dilma, Marina ou Aécio. Cada candidato extrairá da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) os números que melhor sustentam seus discursos.

Não será o beijo de Chico Buarque na mão de Dilma que a reelegerá. Não será o beijo de Gilberto Gil na testa de Marina que elegerá aquela que passou fome na infância e se desgarrou do PT. Não será o apaixonado apoio das socialites que elegerá o tucano Aécio.

Não são os programas de governo que decidirão tampouco, porque, até sexta-feira, nem Dilma nem Aécio haviam tido a coragem de expor suas propostas. Não serão os evangélicos, os católicos ou os ateus que elegerão o novo presidente. Não serão os gays. Nem os héteros. Não serão as mulheres pró ou contra o direito ao aborto. Não serão os ambientalistas ou os devastadores da floresta. Não serão os banqueiros – esses então, nunca! Mesmo que seus lucros tenham batido recordes nos 12 anos de PT, os banqueiros são os piores cabos eleitorais neste Brasil hoje estagnado e com algumas bombas-relógio armadas por Dilma.

Não serão, claro, os jornalistas que elegerão o próximo presidente, num país que continua com 13 milhões de analfabetos, além dos 30 milhões de analfabetos funcionais, com dificuldade para interpretar um texto. O PT e os militantes totalitários que acusam a imprensa de “fascismo” esquecem que Lula foi incensado pelos mesmos jornais que estão aí hoje, ao ser eleito em 2002. Havia, na imprensa, a rejeição da estratégia falaciosa do medo – a mesma que Dilma usa hoje contra sua maior adversária, Marina.

Lula encarnava uma imensa esperança de o Brasil se tornar mais ético, com uma “nova política”, ancorada na ética e na honestidade. A palavra ética desapareceu para sempre dos programas e das bandeiras do PT. É muito improvável que figure no programa de Dilma. Cara de pau tem limite.

O eleitor, com fé e razão, esperava com o PT um Brasil que investisse pesado em educação, saúde, transporte, segurança e infraestrutura. Um Brasil cujo governo não escondesse dólares na cueca, na bolsa, no banco do carro, na valise. Um Brasil em que a roubalheira não se tornasse institucionalizada, e os desvios de verba pública não se tornassem tão corriqueiros, enlameando até a Petrobras.

Um Brasil que valorizasse a meritocracia, em vez de criar uma casta de “sindicalistas aspones” milionários. Um Brasil que não transformasse corruptos em conselheiros do Poder. Que não criasse mais de 30 Ministérios e mais de 20 mil cargos comissionados na administração direta. Esperávamos um Brasil que não trocasse projeto de governo por projeto de poder, em que o fim justifica os meios.

Será que, como diz Dilma, se Marina for eleita, “banqueiros” farão desaparecer a comida da mesa dos brasileiros? Dilma apoiou a autonomia do Banco Central em 2010 e já percebeu que exagerou ao transformar Marina na “exterminadora do futuro”. Onde está a Comissão da Verdade?

Nesse vendaval de mentiras, só engolidas pelos desinformados ou de má-fé, apareceu, nas hostes do governo, o maior cabo eleitoral de Marina até agora: José Sarney. “Dona Marina, com essa cara de santinha, mas (não tem) ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você.” Sarney estava em São Luís, no palanque de Lobão Filho (PMDB), filho do ministro Edison Lobão, candidato ao governo do Maranhão com seu apoio e de sua filha Roseana.

Sarney foi chamado por Lula, em 1986, de “grileiro do Maranhão” e, em 1987, de “o maior ladrão da Nova República” – perto de Sarney, Maluf não passava de “um trombadinha”. Com Lula eleito, viraram irmãos de sangue, prontos a duelar um pelo outro. Sarney sobreviveu incólume a acusações de improbidade, em três mandatos do PT, com a bênção e o beija-mão de Lula e Dilma. Tornou-se o coronel da Casa Grande de Brasília, o “homem incomum”. Imagino como Marina comemorou a declaração de Sarney.

Ninguém sabe direito a cara da nova política, mas todo mundo conhece a cara da velha. O mínimo que se pede ao novo presidente é honestidade. Dilma deve implorar a Collor que não a defenda em público e não ataque Marina. É que pega mal. Já chega o Sarney.


13 comentários

  1. Zezão
    domingo, 21 de setembro de 2014 – 20:14 hs

    Sarney !?!? , NÃO VOTO NA MARINA MAIS !!!

  2. Palpiteiro
    domingo, 21 de setembro de 2014 – 20:44 hs

    Quanto pior, melhor. O Brasil e o povo merecem.

  3. JCPitanga
    domingo, 21 de setembro de 2014 – 21:59 hs

    Eu vou de BETO e Aécio

  4. Zezinho
    domingo, 21 de setembro de 2014 – 21:59 hs

    Zezão, sugiro o sr. ler o artigo inteiro de novo…

  5. VICO
    domingo, 21 de setembro de 2014 – 22:45 hs

    ZEZÃO, NÃO VOTO NA MARINA, MAS ACHO QUE VOCE FAZ PARTE DOS “30 milhões com dificuldade para interpretar um texto” E O SARNEY TEM CULPA NISSO !!!!!

  6. Diego
    segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 8:27 hs

    Zezão, na ânsia de escrever, não leu.

    kk

  7. tadeu rocha
    segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 8:43 hs

    BRASILEIROS E BRASILEIRAS, ESSA É UMA DAS ESTRATÉGICA DO PT PARA DERRUBAR A MARINA, ESPERO QUE ALGUNS DIAS .. VAI APARECER …..COLLOR DE MELLO ESTA APOIANDO MARINA, DIGO NOVAMENTE É UMA ESTRATÉGICA DO PT PARA DERRUBAR A MARINA , NÃO SEI COMO NÃO FALARAM DO AÉCIO, SOBRE O SARNEY ELE É DILMA ATÉ EMBAIXO DA AGUA , nós sabemos que isso é chamado de CAUSA DE DESESPERO DO PT…. CONTE OUTRA PT…. MARINA OU AÉCIO MUDA BRASIL, JÁ TEM OUTRA BOMBA POR AI, JÁ VAMOS SABER… ATÉ DILMA SE FOR COMPROVADO ELA VAI MANDAR EMBORA A PRESIDENTE DESSE DEPARTAMENTO……………

  8. Magaiver
    segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 8:51 hs

    Infelizmente os Sarney`s se juntam em qualquer lugar com qq gente, partido, time …

  9. segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 13:11 hs

    O PT através do pior Presidente da República que este País já teve, que foi o Sarney, que comprou Deputados e Senadores através de Rádios e REDES DE TELEVISÃO, para aumentarem em um ano o seu “des-governo”, o que, infelizmente, aconteceu. Agora vem a público falar mal da Marina, não sou eleitor dela, mas esse “indivíduo” não merece credibilidade, pois é cabo político de DILMA E DO PT, há muitos anos, é amigo de LULA e dos mensaleiros I e II. O que esperar de pessoas como essa. Ele, político antigo, está vendo o seu barco afundar quer criar “factóides” para ver se desestabiliza os outros candidatos de oposição a eles.

  10. Julian
    segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 14:21 hs

    O pessoal nem leu o artigo, e já falou “O sarney apoia a marina? nao voto na marina entao” shuhduhaushauhuahahhahahauhsauh como o povo é “abestado”..leiam antes pessoal…kkk

  11. isaias maurrici
    segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 20:14 hs

    Realmente neste país a educação e cultura está em baixa,quando alguém não consegue entender um texto básico e já muda de opinião é muito triste.Eleitor é´por isso que temos em vários cargos do executivo tanto a nível federal,estadual e municipal (cargos de chefia),elementos semi -analfabetos. Que país é este eleitor.Vamos mudar para melhor,porque do jeito que está não dá mais.

  12. Beatrix Kiddo
    segunda-feira, 22 de setembro de 2014 – 21:29 hs

    Ser ofendido pelo Sarney é o maior elogio que se pode receber nos dias de hoje.. A Marina devia agradecer ajoelhada o favor que o caudilho maranhense lhe fez. Perdoem o Zezão, ele leu uma coisa e entendeu outra.

  13. sempre o mesmo
    terça-feira, 23 de setembro de 2014 – 11:58 hs

    O Zezão é como o Requião, só lê as chamadas das matérias!! hahahaha

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