Ogier Buchi defende rompimento dos contratos de pedágio no PR: 'É dever' | Fábio Campana

Ogier Buchi defende rompimento dos contratos de pedágio no PR: ‘É dever’

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Fernando Castro, G1 PR

O candidato ao Governo do Paraná Ogier Buchi (PRP) defendeu, em entrevista ao G1, o rompimento dos contratos do estado com as concessionárias de pedágio. Para o concorrente, as últimas administrações estaduais foram ineficientes nas ações tomadas em relação às tarifas e à execução de obras previstas em contrato. Além deste tema, o candidato falou sobre saúde, segurança, agricultura e turismo – assuntos selecionados pelo G1 para esta primeira rodada de entrevistas com os candidatos ao Governo do Paraná.

O senhor afirma que pretende utilizar um critério meritocrático na gestão da saúde, aplicando mais investimentos nos locais onde a saúde obtiver os melhores resultados de avaliação pela população. O candidato pode detalhar essa proposta?

A proposta é a seguinte: a saúde é descentralizada. Por que descentralizada? O SUS paga uma parte dos custos, os estados e os municípios. Os estados, se trabalharem com a cifra ideal, 12% da arrecadação, os municípios, 15% – perfazendo 27%, o restante, em tese, seria do SUS. Como a saúde é descentralizada, então nós temos os postos de saúde, os hospitais, os hospitais regionais e, quando é necessária uma especialização, normalmente aqui no Paraná as pessoas são deslocadas para o Hospital de Clínicas. Estou falando evidentemente do sistema público, que é o que nos interessa. Como é que eu vou destinar esses 12%, abstraindo o fato de que alguns recursos são absolutamente aqueles que têm marcação, para usar o termo mais popular – que são os que têm destino de orçamento.

Então, você ouve falar de um de outro governador que ‘eu construí hospital, fiz isso, fiz aquilo’. Essa é a parte do orçamento que fica por conta do governante, que ele pode investir. É nesse aspecto que eu digo, que aquele que trabalhar melhor terá a boa vontade governamental, a meritocracia. Por quê? Porque eu não tenho compromisso político. O meu partido navega sozinho, enfrenta o mar revolto, porque enfrenta grandes adversários, o que é inequívoco, e eu não tenho a menor preocupação: ‘você não vai ter apoio na Assembleia’. E u acredito firmemente no seguinte: quem fala a verdade, que faz a aplicação séria dos recursos, e quem busca o bem-estar da população não tem que se preocupar com o Legislativo.

De que forma o senhor pretende aplicar os recursos da Saúde? Quais seriam as áreas prioritárias?

As áreas prioritárias da saúde para mim são aquelas em que a população apresenta a maior demanda. E quais são? A Medicina de elite será feita nos hospitais regionais ou nos de Curitiba. Então, o cidadão que vai ao posto de saúde tem que ser bem atendido no posto de saúde. A gente cansa de ouvir dizer que as pessoas vão ao posto de saúde, apresenta uma dor de cabeça, o sujeito faz uma analisada, manda pra casa, o sujeito chega em casa e sofre um AVC. É neste sentido que eu preciso qualificar melhor o médico, é o médico do primeiro atendimento, do atendimento de ponta, do atendimento diretamente à população. Ele tem que ser bem remunerado, e mais do que bem remunerado, bem avaliado. Porque às vezes um ataque do coração se faz representar por uma dor no peito – necessariamente isso não é um ataque do coração, mas pode ser. A dor de cabeça, que às vezes é uma simples cefaleia, e o sujeito dá um remédio desses comuns e a pessoa vai para casa, isso pode ser o começo de um AVC, ou pode ser um AVC em andamento. Então, dizer que o posto de saúde não precisa de um médico muito bem qualificado, para mim é uma bobagem, porque o primeiro atendimento é que tem que ser qualificado. Se eu estou tendo um AVC, sou diagnosticado, e chego em quatro horas num hospital que pode me atender do AVC, a minha vida vai ser salva e talvez eu não tenha nenhuma sequela. Então esse primeiro atendimento vai ser submetido a avaliações constantes, e os médicos serão continuamente qualificados. Isso é uma questão muito pessoal, eu acredito nisso.

Eu acredito que o médico que vai falar a primeira vez com você, ele tem que estar qualificado para saber se você tem ou não um problema, e identificar se aquilo que você está relatando, se a anamnese que você está fazendo, significa mesmo um problema, para aí ele então se valer dos hospitais que têm equipamento. A gente não pode se enganar, a medicina hoje depende fundamentalmente de equipamento. Lá atrás, quando o sujeito tinha um AVC, não adiantava fazer análise – dava-se a ele um vasodilatador e estamos conversados. Hoje não, hoje existem equipamentos de ponta. Se o médico diagnosticar o paciente a tempo e mandá-lo para onde tem o equipamento de ponta, ele poderá ser tratado e sua vida poderá ser salva e, mais do que isso, ele poderá desenvolver sua vida com qualidade.

O senhor defende parcerias com a iniciativa privada para construção de presídios. Como essa proposta deve se desenvolver em um governo do senhor?

Quando eu falo em parceria privada, eu acredito que alguns setores podem ser submetidos à parceria privada, e a hotelaria do sistema prisional pode sim ser feita com a iniciativa privada. O que eu quero dizer com isso? O sujeito vai para o presídio porque está respondendo a uma condenação. A condenação, seja ela pelo tempo que for, ela deve prever a reintegração do sujeito à sociedade – aquilo que é chamado ressocialização. Para ele se ressocializar ele tem de ser submetido a pagar a sua pena, e não existe pena mais forte do que a privação da liberdade – mas eu sou contra a ociosidade. Eu acho que o sujeito tem que trabalhar, se possível se beneficiar desse trabalho na prisão sendo remunerado, e diminuindo sua pena, por dois motivos: ele vai desenvolver um ofício, vai ficar menos tempo preso, e quando sair da prisão ele vai ter um caminho. Quando eu falo na parceria com a iniciativa privada, é parceria da hotelaria. Por quê? Porque a hotelaria já é feita com a iniciativa privada – o presídio, o prédio físico é do governo, tudo bem, mas e o restante? A alimentação, a medicina que é oferecida aos presos, tudo é terceirizado.

Mas a gestão seria feita pelo estado?

A gestão tem que ser feita pelo estado, porque não se pode dar à iniciativa privada a possibilidade de fazer o indivíduo cumprir a sua pena com a sociedade. Isso seria inovar de uma forma inadequada, no meu entendimento. O que pode acontecer, é o que hoje ocorre na Holanda – sujeito que é preso na Holanda hoje tem que pagar para ficar preso, porque existe a hotelaria. Ele está preso, mas tem que comer, ter roupa lavada, ter médico, dentista, então ele paga ao governo holandês. Ou seja, ele paga para o povo que o condenou. Como a Holanda é pequena e tem outra condição cultural é mais fácil de fazer isso. Aqui isso é impossível, pelo menos nos tempos de hoje.

Eu quero fazer com que o sistema prisional não seja o ônus que é. Como ele é um ônus muito forte, o que nós temos hoje é indivíduo cumprindo pena em delegacia. Delegacia é só um rito de passagem para o nosso preso, não obstante os nosso presos vivem em delegacia – alguns chegam a ficar três anos. Imagine um sujeito que é submetido a essas circunstâncias, quando ele volta para o meio social, como ele volta? Então a pena não serviu absolutamente para nada. O que seria uma pena para o indivíduo ser educado: “eu não vou mais fazer isso, porque se eu fizer isso eu vou ser preso mais uma vez”’, não tem nenhuma aplicação. O indivíduo sai de lá um poço de revolta e, como as pessoas dizem normalmente, frequentou a faculdade do crime. Porque hoje o sistema é tão desqualificado sob o ponto de vista da ressocialização que você vê menores sedo presos com maiores. Indivíduos que tenham um crime de pequena envergadura cumprindo pena com presos com verdadeiros livros representando a sua folha criminal. Isso é absolutamente inadequado. Então, quero economizar no setor fazendo com que se pague pela prisão uma quantia pertinente, e que o governo não tenha que investir nos prédios físicos os absurdos que tem que investir. Insisto, no Paraná existe um exemplo disso funcionando em Guarapuava, e bem.

O senhor critica a atuação do ex-governador Requião, e do atual, Beto Richa, na relação com as concessionárias de pedágio. Quais foram os erros, e como o senhor pretende tratar a questão no seu governo?

Os erros são permanentemente prometer soluções que são impossíveis. Distribuir ações que não têm suporte para o devido desenvolvimento na esfera jurídica, e, sobretudo, não exigir das duas partes – o governo é uma parte, e tem que cumprir com suas obrigações contratuais – mas não exigir das duas partes o estrito cumprimento do contrato. A Gazeta do Povo noticiou que o trecho Curitiba-Londrina, eventualmente, ficará pronto em 2017. Ora, esse trecho deveria ter ficado pronto em 2003. Isso significa o que? Ineficiência na gestão, falta de cumprimento de cláusula contratual. Aí eu sempre ouço dizer o seguinte: “Precisava subir” ou “Não precisava subir”. Quando eu digo que o estado tem que cumprir sua parte, ele tem que cumprir sua parte. Se o pedágio precisa subir, ele tem que subir. Agora, se o pedágio sobe, ao mesmo tempo se exige a construção das obras que estão previstas no contrato inicial. Qual é o erro? Qual é a escatologia desse contrato? É que ao longo do tempo se trocou obra por postergar um possível aumento do pedágio. Eu tenho uma solução. A solução que eu tenho é muito simples: existem estradas no Paraná que têm trechos que são federais, e trechos que são estaduais. Então, quando dizem para mim que não é possível, sob o ponto de vista jurídico, rescindir esses contratos, e fazer com que esses contratos sejam cumpridos na sua íntegra, eu acho que quem diz isso falta com a verdade – para ser ameno.

É possível, então, romper esses contratos que estão em vigor?

Não é só possível, é um dever. É um dever ser do administrador. E quando dizem que as ações custam caro, bom, pode até ser que ação custe caro, mas custa caro para ambas as partes. Basta que a ação seja proposta de acordo com o que a legislação permite.

O estado do Paraná tem uma economia baseada, em grande medida, na agricultura. Qual é a principal proposta do candidato para o setor?

O setor da agricultura do Paraná é extremamente desenvolvido – tanto no ponto tecnológico, quanto num outro ponto que serve de exemplo para o mundo, que é o sistema cooperativado. O que eu pretendo propor? Eu pretendo que a agricultura do Paraná possa ser parceira do governo, e não receba uma proposta do governo. Eu não quero ser o governador que propõe, que determina como o estado vai ser. Eu não sou agricultor, não sou um homem da produção agrícola, eu não tenho expertise agrícola. Então eu tenho que ter a sabedoria, e mais do que a sabedoria, a humildade de saber que o Paraná é respeitado na agricultura no mundo inteiro. Se ele é respeitado na agricultura no mundo inteiro, como é que o governador deve se comportar? O governador tem que ser um propositor do desenvolvimento. Tem que se alinhar aos setores que vão bem no estado – sempre lembro que hoje nós temos um crescimento industrial de 5%, quando o crescimento do Brasil é de menos de 1%. Vale dizer, então, que a nossa indústria sabe que caminho deve seguir. Mais do que a indústria, a agricultura, que realmente a história recente do Paraná, a agroindústria do Paraná nos dá os recursos que nos dá, nos permite que nós sejamos o quinto estado da nação.

Então, objetivamente respondendo: como é que eu vou administrar a agricultura? Eu vou administrar a agricultura extraindo da área agrícola um nome que represente a área agrícola, mas não sob o ponto de vista político. A mim não interessa o ponto de vista político – no meu governo, político serei eu, o governador do estado. Os meus secretários representarão o povo do Paraná, e representarão expertise técnica. Eu não tenho compromisso com outros partidos políticos, e não terei compromissos que não me permitam oferecer aquilo que o estado tem que oferecer. Artigo 37 da Constituição Nacional: obrigação do estado – eficiência. O meu governo vai oferecer eficiência. Se eu achar que o sistema cooperativado do Paraná representa eficiência, o meu secretário tem que ser indicado por esse setor. O meu secretariado representará o sentimento do povo do Paraná. Eu não tenho compromisso político, eu não tenho porque colocar político. Eu tenho que, finalmente, fazer um governo eficiente.

Uma gestão técnica?

Uma gestão absolutamente técnica. Eu vou fazer economia, eu vou ter, em relação ao orçamento do estado, uma economia de pelo menos 10%. Eu vou extinguir entre 17 e 15 secretarias, ainda não decidi se são 17 ou se são 15. Eu decidi o que vou economizar – eu vou economizar 10% do orçamento. E por que eu tenho esse objetivo? Se você pegar os dois últimos governadores, você vai perceber que ambos investiram cerca de 5% do orçamento ao ano. No meu primeiro ano de governo eu vou economizar 10%. Eu vou diminuir para 12 ou 14 secretarias, a minha meta fiscal é 10% do orçamento que vou economizar para investimento. Não é possível que o estado gaste o que gasta e ofereça o serviço que oferece, que não agrada a nenhum de nós. Eu duvido muito que o próprio governador atual, ou o anterior, se sintam felizes com o serviço prestado pelo estado. O anterior do atual brigava com todo mundo, acho que não era feliz. O atual disse que será melhor no próximo governo, significa que ele também quer modificar para melhor. Eu não serei melhor no próximo governo, eu começarei melhor, essa é a diferença.

Como o senhor avalia os incentivos atuais ao turismo no estado, e de que forma um futuro governo do senhor deve atuar para garantir uma presença turística forte no Paraná?

O Governo Federal tem um programa chamado Prodetur. A gente ouve falar do Prodetur há muitos e muitos anos. A verdade é que o investimento em turismo é pífio, senão ridículo, historicamente. Muito embora o turismo represente a indústria sem chaminé, que dá sustentação a economias, como, por exemplo, na França, que tem uma arrecadação extraordinária no turismo, no Brasil nós não temos um tratamento adequado ao turismo. Nós não temos no litoral do estado projetos turísticos que permitam ao cidadão comum que diga: “quero conhecer a Baía de Paranaguá” – uma das baías lindas do mundo – você não consegue fazer isso. Você não consegue encadear um programa que você desça em Paranaguá, suba a Curitiba, conheça as belezas da cidade, que se deve aos inúmeros bons prefeitos que Curitiba já teve, e sair de Curitiba e ir para Vila Velha. São belezas naturais, Vila Velha, Quartelá, você não tem nenhum programa encadeado e organizado. Então, o que é uma secretaria de turismo no meu entendimento? É a representação do governo que ofereça programas exequíveis de turismo ao cidadão.

Se você vai a Niagara Falls, por exemplo, você tem programas organizados. Se você for visitar a Torre Eiffel, eles não deixam nunca você gastar só o dinheiro da tua visita direta. O turismo é uma indústria, e tem que ser tratado como uma indústria. Tem que ter técnicos especializados. O meu secretário de turismo, seguramente, será um turismólogo. Tem que ser alguém que saiba do que está falando. Que diga para mim o seguinte: “Olha, ou você oferece em Paranaguá, um terminal de passageiros, ou eu nunca vou organizar passeios turísticos que deem renda àquela microrregião litorânea. Todo mundo sabe que se você descer de um navio, qualquer que seja ele, maior ou menor, na descida você deixa 130 dólares. Qualquer navio que esteja no terminal de passageiros em Paranaguá, vai deixar, por passageiro, 130 dólares. Qual é a obrigação do governo? O governo é indutor de desenvolvimento, o governo tem que deixar de ser fim. O governo é só um meio. O governador do estado é só um funcionário público.

Por que o paranaense deve eleger Ogier Buchi governador do Paraná?

Porque eu represento a transformação que eu acabo de sustentar. Eu represento aquele que terá a coragem necessária para mudar as coisas que devem ser modificadas e oferecer ao cidadão do Paraná um estado eficiente, que dê ao cidadão a certeza de que o dinheiro que ele paga de imposto reverte em serviço bem feito.

Ogier Buchi, candidato do PRP ao Governo do Paraná. (Foto: Sérgio Tavares Filho/G1)


2 comentários

  1. Division Bell
    domingo, 17 de agosto de 2014 – 22:55 hs

    PRIMEIRO TURNO É OGIER NA CABEÇA.
    Boca-quente!

  2. silvio
    segunda-feira, 18 de agosto de 2014 – 9:53 hs

    Ogier buch, estamos com voce, e chega dos mesmos.

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