Perda de confiança se espalha e dificulta recuperação da economia | Fábio Campana

Perda de confiança se espalha e dificulta recuperação da economia

Miriam Leitão

Nesta quinta-feira, o FMI reduziu sua expectativa de expansão do PIB brasileiro, agora em 1,3%. No mesmo dia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) cortou sua projeção para o crescimento da economia de 1,8% para 1%. De maneira generalizada, quem trabalha com projeções para a atividade econômica as têm revisado para baixo, sejam bancos ou consultorias, instituições públicas ou organizações de classe. A deterioração do cenário tem como base os próprios dados da economia. Mas, quando começa a abalar a confiança dos agentes, dificulta ainda mais a recuperação da atividade.

A CNI esperava, em abril, que o investimento avançasse 2,5% esse ano. Três meses depois, a projeção para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) passou a ser de recuo de 2%. O problema está na confiança do empresário, alerta a entidade.

Na quarta-feira, foi a vez do Índice de Confiança da Indústria divulgado pela FGV recuar ao menor patamar desde 2009. Resultado da consulta feita a 809 empresas, o indicador recuou 15,5% em relação a julho de 2013. Pela amostragem da FGV, a confiança da indústria cai desde janeiro.

A situação é ainda pior no Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), que recua há 12 meses. Em um ano, o indicador despencou 7%. Também na quarta-feira, a Firjan divulgou mais uma queda no seu Índice de Confiança do Empresário Industrial Fluminense (Icei-RJ). O indicador está em 47,4 pontos, enquanto a média histórica é de 57,8. A métrica vai de 0 a 100, sendo que abaixo de 50 é sinal de pessimismo.

Não foi a falta de confiança dos empresários que deteriorou a economia. Mas ela é capaz de autorrealizar uma profecia: enquanto a confiança de quem investe continuar baixa, a economia continuará rateando.


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