MP investiga violação de envelope de provas de concurso público do TJPR | Fábio Campana

MP investiga violação de envelope de provas de concurso público do TJPR

boDo G1 PR:

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) investiga denúncias de irregularidades no concurso público para o cargo de técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) realizado no domingo (18). Nesta quinta-feira (22), o caso foi encaminhado para a Promotoria de Direitos Constitucionais. Entre as supostas irregularidades, está a violação dos envelopes das provas para deficientes auditivos. Em uma sala do Campus Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que foi um dos locais de aplicação da prova, por exemplo, os cadernos estavam em cima da mesa dos fiscais – prontos para serem distribuídos.

Segundo o presidente da Comissão Gestão Pública e Controle da Administração da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Luciano Elias Reis, a situação afronta princípios legais da Administração Pública como moralidade, publicidade, eficiência e impessoalidade. Além disso, o concurso fica sujeito a uma anulação. “Em um concurso público, é indispensável que as provas estejam lacradas e só sejam abertas no momento em que todos estejam presentes e no horário determinado por edital. Se comprovada uma irregularidade neste sentido, é plenamente cabível, no meu ponto de vista, a anulação do concurso público. Será que alguém não teve acesso a essa prova antes de ela chegar à sala de aula? Será que alguém, por ventura, não tomou conhecimento de uma questão? Todas essas variantes prejudicam a igualdade de participação entre os candidatos”, avalia Reis.

Um dos candidatos, que tem anacusia unilateral (surdez de um ouvido), registrou Boletim de Ocorrência e procurou o Ministério Público e a Ouvidoria do TJ-PR. Ao questionar as fiscais da sala, o candidato foi informado que as provas chegaram ao local fora de envelopes. Diante dos diversos questionamentos dos demais candidatos, uma coordenadora foi chamada. “Ela falou que, em virtude das provas serem de portadores de necessidades especiais, eles tiveram que violar as provas para separar e que não tiveram um tempo hábil para fazer isso antes”, relatou.

Além disso, o candidato disse que ao ler as instruções iniciais as fiscais mencionaram a regra de que dois candidatos devem acompanhar a abertura dos envelopes. “Depois de ferir alguns princípios constitucionais como lisura e transparência, eu acredito que todo o certame fica inválido, fica desacreditado”, disse o candidato. O conflito foi presenciado por dois policiais federais.

A UFPR é a responsável pela elaboração e coordenação do concurso. A intituição reconheceu, à uma candidata que registrou uma reclamação no Núcleo de Concurso, que os envelopes foram abertos previamente. “Para que não ocorressem atrasos na emissão do comprovante de ensalamento, os candidatos com Necessidades Especiais auditivas, foram todos alocados na biblioteca do Campus Agrárias para posterior remanejamento. As provas foram abertas pelos inspetores do local de prova e acompanhados por agentes da Polícia Federal, ficando as provas dos candidatos que fariam a prova na biblioteca no local e as demais encaminhadas para o prédio Marcos Henriette, no mesmo Campus. Este procedimento foi necessário para agilizar o procedimento evitando atrasos no início das provas”, diz trecho da resposta encaminhada pela UFPR à candidata.

Por meio da assessoria de imprensa, a universidade afirmou ainda que não foi responsável pela inscrição dos candidatos – ficando a cargo do TJ-PR – e que isso impactou na identificação das reais necessidades especiais de cada candidato. A UFPR considera que a questão não afetou a lisura do concurso público porque tudo ocorreu dentro do campus da universidade.

Veja a resposta da UFPR na íntegra:

Informamos que as planilhas dos candidatos que solicitaram atendimento especial ou que concorriam nas vagas reservadas para Portadores de Necessidades Especiais, foram entregues com atraso ao Núcleo de Concursos, oque impossibilitou a alocação destes candidatos de forma adequada.

Para que não ocorressem atrasos na emissão do comprovante de ensalamento, os candidatos com Necessidades Especiais auditivas, foram todos alocados na biblioteca do Campus Agrárias para posterior remanejamento.

As provas foram abertas pelos inspetores do local de prova e acompanhados por agentes da Polícia Federal, ficando as provas dos candidatos que fariam a prova na biblioteca no local e as demais encaminhadas para o prédio Marcos Henriette, no mesmo Campus.

Este procedimento foi necessário para agilizar o procedimento evitando atrasos no início das provas.

As provas são semelhantes para todos os candidatos no que diz respeito aos conteúdos para candidatos PNE ou não.

Atenciosamente,
Central de Atendimento – Grupo de Atendimento Executivo – GAE
NC / Pró-Reitoria de Graduação / UFPR
Tel.: 41 3313.8800 / Fax: 41 3313.8831


21 comentários

  1. Dejanir
    sexta-feira, 23 de maio de 2014 – 10:35 hs

    As justificativas da UFPR não foram convincentes, as denúncias são gravíssimas e temos que concordar com o presidente da Comissão Gestão Pública e Controle da Administração da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Luciano Elias Reis, quando ele diz: “a situação afronta princípios legais da Administração Pública como moralidade, publicidade, eficiência e impessoalidade. Além disso, o concurso fica sujeito a uma anulação”. Vale lembrar que diversos fiscais faltaram no dia da aplicação da prova, ficando apenas um fiscal em cada sala de aula, quando deveriam ficar dois.

  2. esdras
    sexta-feira, 23 de maio de 2014 – 11:27 hs

    Acho que deveriam refazer as provas,vamos esperar os aprovados aposto que vai ter só sobrenomes conhecidos!Quem viver verá!!

  3. Ex-funcionário
    sexta-feira, 23 de maio de 2014 – 12:07 hs

    Isso me lembra dois testes seletivos realizados pela Fundação Araucária, onde os aprovados foram funcionários da SETI, estagiários do Tribunal de Contas do Estado do Paraná e funcionários da própria Fundação Araucária. Bom, tudo deve estar correto (sic), pois a análise foi feita pelo próprio TC/PR e comissão de avaliação constava próprios funcionários da Fundação Araucária e da SETI… só esqueceram de convidar o TC/PR pra legitimar mais ainda a fraude…

  4. Osvaldo
    segunda-feira, 26 de maio de 2014 – 8:41 hs

    Na verdade os comentários também deveriam integrar o processo seletivo, pois esses são no mínimo extremistas e não pensam na razoabilidade e economicidade. Imaginem umas pessoas assim trabalhando no TJ. Para qualquer tipo de conclusão, primeiramente deveríamos ver como foram o concursando que fez BO e os PNE, ver se há discrepância entre a nota da prova objetiva e da discursiva, para depois concluir alguma coisa. Pois é fácil ir mal no concurso e “chutar o pau da barraca” depois.
    Quanto a opinião do presidente da OAB, basta lembrar que é uma instituição formada por advogados. Além disso, as vagas que lá existem nem são preenchidas por concurso. Assim poderemos fazer alguns questionamentos: “Será que alguém, por ventura, não entrou por QI na OAB?”; “Será que, por ventura, não estão se baseando na OAB/PR para opinar no concurso?”.
    Já na na minha sala tudo ocorreu dentro do normal, como sempre foram os concursos de vestibular da Federal. Até acho engraçado o frenesi em relação a lisura do concurso. Mas deve ser assim, para que apenas um BO não seja o suficiente para anular todo um concurso.

  5. segunda-feira, 26 de maio de 2014 – 13:30 hs

    Não importa qual a situação o fato é ,as provas precisam estar lacradas . Essa justificativa está incoerente .

  6. Renata Maria Rocha Padilha
    segunda-feira, 26 de maio de 2014 – 16:01 hs

    É lamentável! tanta gente estudando, abrindo mão de muita coisa para se dar bem honestamente, enquanto outros precisam só de um sobrenome.

  7. Cleito
    terça-feira, 27 de maio de 2014 – 9:46 hs

    Se haveria atrasos devido a não abertura dos envelopes, não cabe aos candidatos serem impostos a esta forma de proceder por parte dos dirigêntes. Fica claro que se refere a uma conduta irresponsável, e mesmo não havendo tal fraude nesta questão quem vai provar o contrário? Alguém têm responsabilidade e compromisso em dar uma solução para o fato.

  8. Lucimari
    terça-feira, 27 de maio de 2014 – 10:58 hs

    Inaceitável essa explicação dada pela UFPR. Ora falta de tempo é a única desculpa que “não vai colar”. Vamos nos recordar que as inscrições do certame ocorreram em agosto de 2013 e as provas só foram aplicadas após passarem mais de nove meses. Sejamos coerente, abrir envelopes de provas vai contra todas as normas inclusive o próprio edital, não podemos aceitar que essa aberração passe impune. O mínimo se espera, após ter causado toda essa insegurança aos concorrentes, é que seja dada a oportunidade de igualdade aos concorrentes com a anulação dessa prova.

  9. Renato Salustiano
    terça-feira, 27 de maio de 2014 – 11:44 hs

    Acho que em vez de anular a prova, poderia nomear todos aqueles que fizeram as provas acertaram acima de 50%, KKKKKK, outra questão é, será que vão devolver os dinheiros caso anulado?

  10. Douglas
    quarta-feira, 28 de maio de 2014 – 16:36 hs

    Se eu não me engano, quando entrei na sala, com meia hora antecedente ao concurso, o envelope com as provas ja estavam em cima da mesa do aplicador. Tanto que olhei e achei esquisito, mas como havia mais candidatos na sala preferi ir pela idoneidade do concurso

  11. Tony Araujo
    quinta-feira, 29 de maio de 2014 – 22:56 hs

    Não se trata de chutar pau da barraca, mas sim uma questão de Justiça. Houve violação, tem que ser investigado. Lembrem-se que o cargo é para o Tribunal de Justiça, e todos estudaram as leis, inclusive a CF. Independente se passei ou não, prezo pela Justiça, se estava preparado para a prova, ainda estarei.

  12. Magno Nunes da Costa
    domingo, 1 de junho de 2014 – 21:56 hs

    Lamentável, uma verdadeira afronta aos princípios constitucionais os quais regem a Adm. Pública, onde já se viu tal aberração, agora alegam falta de tempo? Só podem estar de brincadeira, tempo tiveram e de sobra, espero que o MP tome as atitudes cabíveis e responsabilize severamente, pois na certa o apadrinhamento tende a falar mais alto em certames que deveriam ser sérios e honrarem quem de fato estudou e merece a vaga..

  13. Jo
    segunda-feira, 2 de junho de 2014 – 10:23 hs

    Na minha sala o celular do candidato tocou uma música bem alta, atrapalhando td mundo e ele não foi desclassificado e nem advertido e continuou portando o celular.

  14. Amaurílio Ferreira Barbosa
    domingo, 8 de junho de 2014 – 19:14 hs

    Tecnicamente na sala que fui alocado correu tudo bem, achei que foi muito organizado o concurso para Técnico Judiciário. Para mim este episódio é isolado e não merece chegar as raias da anulação do certame, pois, segundo o próprio edital, prevê a resolução de casos omissos. A justificativa da instituição responsável pela aplicação das provas foi correta. Tudo correu bem em outros locais, não houve notícias de violação, mas sim elogios, pelo rigor e organização, segundo informação no próprio site do TJPR. Acho que alguém investido em interesse político ou insatisfeito por alguma coisa, quer macular o certame, que reafirmo, transcorreu com eficiência, esta é a minha opinião.

  15. Luiz Antônio
    segunda-feira, 9 de junho de 2014 – 22:30 hs

    Ser Osvaldo: Seus argumentos são tão fracos como foram os da UFPR. Não entrarei nesse mérito. A tentativa de desvio de foco então, chega a ser lastimável. Bem, suas declarações estão mais para algum apadrinhado que algum candidato sério, que busca ter certeza que não participou de alguma fraude para dar aparência de legalidade. São as dúvidas e as possibilidades de ilicitudes que estão assombrando as pessoas que depositam no concurso o crédito de uma justa concorrência.
    Não importa se alguém tirou nota 3, 4 ou 5. Importa que a nota represente de fato o grau de preparo do candidato. O que não se pode aceitar é um candidato passar com 9,90 e ter obtido tal pontuação por meios escusos. Importa, Sr. suposto, Osvaldo, é que qualquer certame público, deve seguir os padrões de lisura, segurança, transparência, legalidade, moralidade entre outros princípios que regem a administração pública. Defender absurdos, está mais para os subservientes acostumados a aparar migalhas lançadas pelos opressores, donatários do poder, conquistados muitas vezes por vias obscuras e por vezes, até marginais!

  16. Carlos
    segunda-feira, 9 de junho de 2014 – 23:39 hs

    So vejo reclamacoes de quem foi mal na prova. Eu, estudei o ano todo, e acertei 49 das 50 questoes. Quer saber? Vai estudar cambada ….de acomodado.

  17. Amaurílio Ferreira Barbosa
    terça-feira, 10 de junho de 2014 – 8:54 hs

    Fiz um comentário sobre o concurso e não foi publicado nesta página.Opinei que não era necessário anular o certame, sobre o episódio isolado ocorrido dentro do Campos da UFPR e considerando a previsão no Edital de resolução de casos omissos, as justificativas apresentadas pela organizadora e aplicadora do concurso, são passíveis de aceitação. Houve lisura, e acompanhamento de autoridades no ato da impugnação. Eu sou do Rio de Janeiro, fiz o concurso e na sala onde fui alocado, transcorreu normalmente.Se por ventura alguém foi mal sucedido é porque não estudou o suficiente para obtenção satisfatório. Esta é minha opinião e não sei se fui realmente classificado no certame, pois, o resultado é que o concurso foi bem bem organizado e rigoroso.

  18. Osvaldo
    quarta-feira, 11 de junho de 2014 – 17:31 hs

    Será que de 2012 para 2014, o 1º. colocado nas provas objetivas aprendeu a escrever com concordância verbal, nominal, além de saber usar vírgulas, ser coeso e coerente nas suas produções textuais? Porque no comentário que ele fez na notícia, não parece que ele irá bem na questão discursiva da prova do TJ-PR… http://www.fabiocampana.com.br/2012/09/ratinho-jr-cresce-entre-os-universitarios/

    Que história é essa da 8ª. colocada trabalhar no NC da UFPR!?
    Nome: ELIANE APARECIDA DE NARDIN DA COSTA
    CPF: ***.028.831-**
    Servidor: Civil
    Matrícula: 206****
    Cargo Emprego: ASSISTENTE EM ADMINISTRACAO
    Classe: D
    Padrão: 101
    UORG: UP/NC – NUCLEO DE CONCURSOS
    Órgão: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA

    Que barbaridade!!!

  19. Tony Araujo
    sábado, 14 de junho de 2014 – 15:47 hs

    Esse tal de carlos deve ser uns dos beneficiados na fraude do concurso, pois pelo seu comentário, não parece um candidato a altura de tirar tal nota mencionada. Apadrinhado mesmo!

  20. wagner
    sexta-feira, 20 de junho de 2014 – 16:14 hs

    Esse tal carlos diz que tirou 49 mas o primeiro colocado é Edson com 49..e detalhe que a oitava colocada tem o mesmo sobrenome do primeiro …sera mero acaso?????????…palhaçada……

  21. katiane
    sábado, 23 de agosto de 2014 – 14:16 hs

    Como já era esperado: “morreu na casca”!

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