De perguntas e respostas | Fábio Campana

De perguntas e respostas

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Editorial do Estadão:

Quando uma autoridade de primeiro escalão considera uma indecência ser perguntado por um jornalista sobre um assunto que o incomoda; quando acusa o profissional de atitude preconceituosa e desrespeitosa porque faz perguntas cujas respostas interessam à opinião pública, mas não a ele; quando, depois de responder de bom grado a todas as perguntas que lhe interessavam, proclama que o representante de um órgão da imprensa não tem legitimidade para questioná-lo – uma evidência se impõe: a autoridade está completamente despreparada para o cumprimento de seu ofício.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), condição em que estará no comando da fiscalização e do julgamento dos litígios legais do pleito de outubro. Natural, portanto, que os cidadãos estejam interessados em saber o que ele pensa sobre o papel da Justiça Eleitoral num momento certamente decisivo para o País, quando estarão em jogo os mais importantes mandatos executivos e legislativos, inclusive a Presidência da República. Com a intenção de prestar esse serviço jornalístico, o repórter Roldão Arruda entrevistou Dias Toffoli.

O resultado foi totalmente frustrante em termos de conteúdo, diante das platitudes proclamadas, mas ao final o caçula da Suprema Corte confirmou que se filia a uma conhecida corrente do pensamento – digamos assim – político que tem ojeriza pelo dissenso e, quando se sente confrontado, apela para o revide agressivo.

O ministro Toffoli já deveria saber, a esta altura da vida, que numa sociedade democrática a imprensa verdadeiramente livre, descompromissada com os interesses dos donos do poder ou de quem quer que seja, tem não apenas o direito, mas o dever de fazer perguntas que eventualmente os poderosos se sintam embaraçados para responder.

Esse direito e esse dever é que conferem à imprensa livre, a este jornal, a seus repórteres, plena legitimidade para fazer perguntas que o ministro tem medo de responder.

O final do diálogo entre o repórter e o ministro é estarrecedor.

Repórter: “Ministro, o senhor já foi advogado do PT e agora vai presidir o TSE. Há alguma incompatibilidade?”. Toffoli: “Você tem que perguntar isso para o Aécio Neves, o Eduardo Campos e a Marina Silva. Não para mim”. Repórter: “Por quê?”. Toffoli: “Ora, o que está no substrato de sua pergunta é uma indecência. É preconceituosa e desrespeitosa. Você não tem legitimidade para me impugnar, nem a mídia. Vá fazer a pergunta para o Aécio, o Eduardo e a Marina, porque eles têm”.

É difícil entender o que Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva têm a ver com o fato de Toffoli ter sido advogado do PT, estar na iminência de assumir a presidência do TSE e a possibilidade de isso resultar em conflito de interesses.

Mas a evocação dos líderes políticos que no momento são os principais adversários do PT certamente pode dizer muito sobre os reflexos condicionados do ministro.

De qualquer modo, pelo menos quando se trata de fugir de incompatibilidades, Toffoli traz consigo alguma experiência, como a que viveu na fase de prejulgamento do mensalão. Incessantemente acossado por jornalistas indecentes, preconceituosos e desrespeitosos que queriam a todo custo saber se ele, por suas notórias ligações com o PT, não se sentia eticamente impedido de participar do julgamento, simplesmente deu as costas a todos e foi fazer o que sua convicção mandava.

Por uma questão de justiça, porém, não se pode deixar de levar em consideração que o ministro Toffoli tenha lá suas razões para se sentir inseguro – e melindrado – com a curiosidade malsã dos jornalistas. Afinal, o dele é um caso raro, de pessoa que foi nomeada para compor a mais alta Corte de Justiça do País depois de ter sido reprovado em concurso para ingresso na Magistratura de primeira instância. Ou seja, deve seu sucesso às notórias amizades.


16 comentários

  1. Vigilante do Portão
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 8:52 hs

    É, e sempre foi um DESPREPARADO.

  2. Vigilante do Portão
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 8:52 hs

    Estou falando do Toffoli, é claro.

  3. sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 9:08 hs

    O PT, esta afundando o País !
    Os SUPREMOS deste país, estäo com ervas daninhas constituídos em seu meio, e infelizmente, as nossas CASAS SUPERIORES de deputados federais e senadores NÄO fazem nada porque a grande maioria faz parte do conchavo de interesses pessoais e politícos ! E este Sr. que näo conseguiu passar numa prova para ingresso na magistratura é exemplo puro de que lá foi colocado para favorecer todos que o nomearam !
    VERGONHA, RESPEITO, CÁRATER , A MAIORIA DOS DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORES NÄO TEM PELO POVO BRASILEIRO !

  4. Olegário Albuquerque
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 9:25 hs

    “A Autocracia Maldita do Poder Executivo”. Urge que povo do Brasil organize reivindicações para efetivar-se democráticas reformas constitucionais, tais como: extinção do Quinto Constitucional; extinção dos Judiciários estatuais; criação do Judiciário Uno Federal; extinção dos Ministérios Públicos estaduais; criação do Ministério Público Uno Federal; extinção das polícias estaduais; criação da Polícia Una Federal; e estabelecer idade mínima de 50 anos para ingresso ao STF.

  5. SYLVIO SEBASTIANI
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 11:53 hs

    PARA DEIXAR UM COMENTÁRIO? AQUI VAI ELE:

    Quando da implantação da ditadura no Brasil, em 31 de março de 1964, eu tinha 35 anos, casado, com três filhos, funcionários público estadual, não aceite já de início e fui para as ruas distribuir Manifesto contra o Regime que estava para chegar:”Ditadura”.Militante do PTB, cujo Partido era do Presidente deposto, João Goulart. Em seguida os ditadores mandaram extinguir os Partido Politicos,foi também o meu, PTB.Ingressei de imediato no Partido de Oposição à Ditadura Militar, o Movimento Democrático Brasileiro-MDB, sendo seu Secretário do Paraná e por quatro vezes Presidente do MDB de Curitiba.Lutei contra a ditadura militar, sem armas, sem sequestro, sem roubos à bacos, somente com a voz, com a palavra à população mostrando o que era a ditadura que mandava matar, cassar mandatos,tirando os direitos do povo.
    Lutei contra o Tribunal Regional Eleitoral que sempre tirava nossos Direitos, denunciei por diversas vezes, mas eles o Tribunal Eleitoral quem mandavam. AGORA, sobre este caso do Ministro “aceitar” ser o mandatário do Tribunal Eleitoral em nosso país, tendo sido advogado de um Partido Político e que ainda está no Poder Federal? Não é aceitável! `um desafora que se pratica contra tudo que nós lutamos, para ter um Brasil sério, digno, honrado e principalmente uma Democracia co Seriedade!

  6. sergio silvestre
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 11:56 hs

    Então,acompanhei as eleições em Londrina e no Parana e pude observar neste tempo todo que a justiça eleitoral sempre tem um lado lascivo que se embrenha de amores e ai é notório a promiscuidade com todo o rigor para aqueles que não são amigos e a ternura de um colibri para os amigos.
    Com a ida do Tofolli para a presidência ,esse jornal já esperneou,porque sabe que as praticas inclusive incrementadas por eles são diariamente,promiscuidamente vista a nossos olhos e eles tem um lado que é a oposição ao governo por motivos óbvios,pouca verba injetada para manter sua estrutura jornalistica.
    Só que agora a coisa é mais embaixo,o Tofolli não vai se dobrar para essa imprensa golpista e o governo Dilma vai ter sim a seu lado ao menos uma parcialidade quando for lidar com pesquisas e propagandas veiculadas
    Aqui no Parana ainda é uma ilha pró governo que sempre ajudou em reeleição e nos tramites mais tensos das pisadas dos governos e nas definições para punir alguém,sempre era a parte maior dos adversa rios
    Com isso ponto para o Requião que sempre foi perseguido por magistrados descontentes com ele,terá agora um ponto de apoio no .TSE

  7. SEXAGENÁRIO
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 13:08 hs

    É um pelego petista de carteirinha, mas na situação atual tudo é possível aos amigos do poder…….para eles, atentados terroristas, $angrar a viúva, matar por ideologia, corrupção, men$alão são atitudes normais nas “democracias” esquerdistas e deixam de ser crimes !
    Com ele na presidência do STE haverá grande possibilidade das urnas eletrônicas serem hackeradas .

  8. Liam
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 13:38 hs

    Será deixar a raposa cuidando do galinheiro.

  9. sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 14:41 hs

    Aprendi desde garoto com minha família que temos que ter respeito com os próximos. Agora o que dizer de um Ministro (que foi advogado do PT, que conhece a fundo os seus bastidores, que não conseguiu passar num concurso para Magistrado de 1ª instância e que foi aprovado pelo Congresso Nacional de triste memória,e que infelizmente por falta de educação tratou mal um jornalista que o questionou? Será que ele esquece que embora sendo Ministro da mais alta Corte do País, ele é nosso “funcionário” e deve sim satisfação ao povo brasileiro. Lamentável que isso ocorra em pleno Século XXI. A máxima para esse caso é: QUEM NÃO TEM COMPETÊNCIA NÃO SE ESTABELECE”. O respeito é bom e todos gostam, menos o douto Ministro.

  10. ze da bota
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 17:31 hs

    SERA O PT JULGANDO CAUSAS QUE LHE FAVORECE OU NÃO, AI NÓS BRASILEIROS JÁ SABEMOS ANTECIPADAMENTE QUAL VAI SER O VEREDICTO.

  11. VIGIA
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 20:37 hs

    O QUE ACONTECE QUANDO COLOCAMOS UMA RAPOSA PARA CUIDAR DE UM GALINHEIRO DE GALINHAS GORDAS????

  12. BinLaden
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 21:27 hs

    Tá tudo dominado, um PTralha de carteirinha ser ministro do TSE é prá acabar, não existe mais justiça neste País, o STF tá todo aparelhado pelo PT, mas Deus continua brasileiro, nós vamos perder a copa, a população vai se revoltar e vamos varrer essa corja do mapa, fora PT

  13. Flávius
    sexta-feira, 18 de abril de 2014 – 21:55 hs

    E depois ainda querem que acreditemos na isenção das Justiças…

  14. FUI !!!
    sábado, 19 de abril de 2014 – 5:44 hs

    Quando o STF se transforma do covil de indicações do PT com
    interesse exclusivo do partido e principalmente do Presidente de uma
    nação os que ocuparm o cargo passam a ser simplesmente um pau
    mandado do partido e perde totalmente a credibilidade dos brasileiros.
    Não podemos generalizar, é claro. O bom exemplo vem de pou-
    quíssimos da estirpe do Ministro Joaquim Barbosa e outros, porem
    a descrença nestes malacos como o Lewandovski e Toffoli fazem
    a gente pensar que este país não é sério mesmo…

  15. MAURO ADRIANO
    sábado, 19 de abril de 2014 – 9:29 hs

    Aí me pergunto, com que raios de população está sendo feita a pesquisa que demosntra a tendência a reeleger esta escória que aí se apresenta e saqueia nosso País?
    Será que pegam a lista atendidos pelo Bolsa Família ou Vale Gás? Imagiona que deve ser isto, não encontro outra explicação, até pq nunca fui indagado na rua por nenhuma pesquisa.

  16. Do Interior...
    domingo, 20 de abril de 2014 – 21:00 hs

    gostaria de saber como o PT reagiria se o mensalão, os esquemas na Petrobrás, as alianças com os comunistas Maduro, da Ilha presídio e outros do oriente médio, fossem atos praticados pelo PSDB.

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