Cenas de política explícita, por Merval Pereira | Fábio Campana

Cenas de política explícita, por Merval Pereira

Do Merval Pereira, O Globo:

O ministro Luís Roberto Barroso foi colocado no Supremo Tribunal Federal para livrar os mensaleiros do regime fechado, como insinuou o ministro Joaquim Barbosa, ou o plenário anterior do STF exacerbou seletivamente as penas no caso de formação de quadrilha para deixar os condenados mais tempo em regime fechado, especialmente José Dirceu, como insinuou o ministro Luís Roberto Barroso em seu voto?

Centro dos debates políticos nos últimos meses, desde agosto de 2008, quando começou, o julgamento do mensalão viu ontem chegar ao plenário do STF a explicitação de acusações políticas que estiveram implícitas em todo o seu desenrolar, especialmente nos embates entre o relator Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski.

Ao afirmar que houve “exacerbação seletiva das penas” no crime de formação de quadrilha para evitar sua prescrição, Barroso não estava apenas chamando a atenção para o fato de que, em sua opinião e na do ministro Teori Zavascki, a dosimetria foi “em patamar discrepante da jurisprudência do Tribunal e dos parâmetros utilizados para outros delitos no mesmo processo”.

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Estava, na verdade, dizendo que o plenário anterior à sua chegada havia decidido punir os réus por mais esse crime apenas para deixá-los mais tempo na cadeia em regime fechado e, sobretudo, para confirmar o enredo em que se baseara o procurador-geral da República para montar a acusação do mensalão.

Barbosa rebelou-se contra essa acusação, dizendo que Barroso fazia discurso meramente político sob uma capa de tecnicalidade. Aproveitando que Barroso, ao explicar sua expressão “ponto fora da curva”, disse que ela significava também, além da exacerbação das penas, “o rompimento com uma tradição de leniência e impunidade em relação a certo tipo de criminalidade política e financeira”, Joaquim Barbosa aparteou-o dizendo que na prática, defendendo a prescrição do crime de quadrilha, Barroso estava sendo leniente com os crimes que parecia condenar em seu discurso político.

Leia a íntegra em Cenas de política explícita


10 comentários

  1. Caito
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 10:30 hs

    O STF virou aum Big Brother, onde cada um quer aparecer mais que o outro, a ponto de um ministro repreender ao vivo o voto de outro ministro discordante. Bons tempos aquele onde nem mesmo os nomes dos ministros eram mencionados e que o Supremo era apenas um Tribunal de Justiça..

  2. Do Interior....
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 11:28 hs

    Quero ver no julgamento do mensalão mineiro como o “nobre” Barroso vai julgar. Será dois pesos e duas medidas?

  3. Saul de Lima Brenzink
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 11:34 hs

    Pois bem. Eu entendo que a quadrilha se protege. Quadrilheiros de dentro e de fora dão as mãos e está tudo resolvido. Cobrar devolução do desvio, seja de onde for, os Ministros que absolveram o bando de formação de quadrilha não fizeram. Uma decisão, aos olhos do povo, totalmente política e interesseira. Com certeza deverão brindar, tão logo termine a reunião, com lagosta, caviar, camarão e vinhos importados. Assuntos que deveriam ser votados, de interesse de milhões de brasileiros, cada qual a sua especificidade, eles não votam. São processos de aposentadorias, trabalhistas, etc. Nós, brasileiros, estamos no mato sem cachorro. E estamos cercados de vampiros em todas as esferas do governo. Como diria o personagem do saudoso Chico Anisio – vai levando Raimundo.

  4. QUESTIONADOR
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 12:13 hs

    -Escrevam aí leitores, estes réus do mensalão acabarão sendo soltos e anistiados e depois a Justiça será forçada a pedir desculpas públicas por ter investigado e condenado tão “notórias” pessoas…é o fim da rosca!!!

  5. FUI !!!
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 14:51 hs

    Todos os Ministros que votaram contra a formação de quadrilha de-
    veriam confessar com o Papa. Com certeza receberiam a extrema
    unção. O absurdo do absurdo continua acontecendo em nosso sis-
    tema judiciário. Se no STF funciona assim e nos demais níveis !?
    A história é bem assim:- era uma vez um bando de políticos que
    se reuniram para praticarem um crime apenas e conseguiram !!!
    A diferença entre um pobre mortal ladrão de galinha e os políticos
    em questão é que o STF derrubou a questão da formação de qua-
    drilha destes canalhas. Se isto não for formação de quadrilha o que será então !!??

  6. NA CORDA BAMBA
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 14:54 hs

    Pena que estes ministros (com m minúsculo) que votaram contra a formação de quadrilha não estão na Ucrania… Já estariam com a
    cabeça exposta em praça pública…

  7. PIMENTA PURA
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 14:56 hs

    O STF representa o galinheiro do Brasil. Pouquíssimos se salvam.

  8. quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 14:57 hs

    Esse STF é uma comédia, o que vale é a posição pessoal de cada ministro não o que está escrito “” argumentos pífios “” essa é a frase. Depois quando o cidadão diz que não acredita na justiça, tem os babacas de plantão que fala que a justiça é soberana. O STF, acabou de tirar a venda dos olhos da justiça. Agora a justiça enxerga e muito.

  9. LUIZ
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 15:17 hs

    É A MARGINALHA SE AJUDANDO,QUEM DEFENDE BANDIDO OU É ADVOGADO OU É BANDIDO TAMBÉM,BANDIDOS TOGADOS,BRASIL A CAMINHO DO FIM.

  10. Paulo
    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 – 15:37 hs

    Qual é a composição do TSE? Quem controla o TSE NÃO PERDE ELEIÇÃO PRESIDENCIAL!!! Conclusão óbvia: NUNCA MAIS SAIRÃO DO PODER, a não ser, pela força!!!!! ESTÁ (QUASE) TUDO DOMINADO, QUASE TUDO COOPTADO!!!! Só faltam as Forças (Des)Armadas, e o serviço estará completo!

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